quarta-feira, 21 de outubro de 2009

trabalho e virtudes humanas( valores)

trabalho e virtudes humanas
Em Busca de Sentido: Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transfomarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felcidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.

E ainda, no mesmo prefácio da edição de 1984 de Em Busca de Sentido: Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira posível. E então voces verão que a longo prazo - estou dizendo a longo prazo! - o sucesso vai perseguí-los, precisamente porque voces esqueceram de pensar nele.

Finalmente: Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.

três categorias de valores:

1. Criativos – dar algo ao mundo, uma tarefa, uma

obra, um trabalho;

2. Vivenciais – receber algo do mundo, a expe-

riência do amor, por exemplo;

3. De atitude – posicionar-se diante de sofrimen-

tos inevitáveis.

A busca de sentido

O sentido do sofrimento

Diante das adversidades impostas, haverá o homem que dotar a vida

de sentido nas situações mais difíceis, onde o que importa é dar testemunho da

melhor e exclusiva potencialidade humana: transformar a tragédia, a doença, a

deficiência ou o fracasso em um triunfo pessoal, em um sucesso humano

(FRANKL, 2000). A vida cobra mais sentido quanto mais difícil se faz. Se a vida

tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Aflição e morte

fazem parte da vida como um todo (FRANKL, 1989). O sentido do sofrimento só

pode ser encontrado e dado por cada pessoa particularmente e dependerá da

atitude que a pessoa tomar. Se realizar os valores que lhe são oferecidos pela

situação sofrida e pelo seu pesado destino, ela encontrará dignidade em seu

sofrimento (FRANKL, 1978).

Para Frankl (2000, p. 57):

O homem não está autorizado a perguntar qual o sentido

da vida, senão que é a própria vida que lhe coloca

continuamente perguntas, as quais deve responder. E é

ele que responde ou que deve responder. Não responde

com palavras, senão com ações, com ações

responsáveis.

Diante das situações-limite impostas pela vida, o homem experimenta

a tensão ao ter que tomar iniciativas para responder ao sofrimento e para

desenvolver as capacidades que tem. Isto chega a ele como um desafio, uma

tarefa, uma responsabilidade. A ignorância, manipulação ou negação desta

realidade faz com que ele caia num vazio existencial, uma frustração que vem

da falta de sentido. A capacidade de buscar um sentido que ele tem que encontrar

por conta própria e, apesar das dificuldades, saber que há algo valioso na vida,

possibilita dar coerência e orientação a esta.

Frankl (1978, p. 241) diz que:

O homem não se destrói por sofrer, o homem se destrói

por sofrer sem sentido. Sofrer significa agir e significa

crescer. Significa igualmente amadurecer. O indivíduo

que se eleva acima de si mesmo avança para a

maturidade... e a maturidade pressupõe, todavia, que o

indivíduo tenha alcançado uma liberdade interior,

malgrado sua dependência exterior.

O desenvolvimento de condutas resilientes, ao invés de resignação,

leva o homem a uma mudança de si e, conseqüentemente, do contexto em que

está. A resiliência está em encontrar um sentido à vida em qualquer circunstância.

Valores

“Para além do sentido vinculado a uma situação irrepetível e única, há

ainda universais de sentido que se prendem à condition humaine enquanto tal, e

é a estas possibilidades gerais de sentido, que se chamam valores”, diz Frankl

(1989, p. 79). Os valores são, por definição, abstratos gerais de sentido, que nos

permite compreender o valioso da vida, independente da estreiteza das suas

circunstâncias. Os valores podem ser vivenciais, criativos e de atitude.

Valores vivenciais

Os valores vivenciais são os que se realizam na experiência vital ao

viver a vida plenamente. Está relacionado ao amor, ao que o indivíduo sente ou

recebe do mundo, experimentando algo ou encontrando alguém (FRANKL, 1989).

Para o indivíduo especial, a importância da família e de vínculos afetivos representa

os meios pelos quais se abrem as portas da aceitação para que ele possa viver

o que vida lhe oferece em plenitude. “O elemento básico de todo apoio e

necessidade humana e de toda resiliência é a confiança. No que se refere à

família, a melhor definição de tal elemento básico é relações de confiança e

amor”, destaca Grotberg (2004, p. 188).

A resiliência se constrói a partir de apoio externo definido em termos

de Eu tenho: pessoas em quem confio e me querem incondicionalmente, que

me impõem limites para que possa evitar perigos e problemas, que me mostram

por meio de sua conduta a maneira correta de proceder, que querem que eu

aprenda a desenvolver-me sozinho e que me ajudam quando estou enfermo, em

perigo ou quando necessito aprender. A família é, geralmente, a principal

responsável pelos cuidados do indivíduo especial. Em termos de resiliência,

toda a família sofre uma adversidade importante e deve aprender a enfrentá-la,

fortalecer-se e tornar-se mais competente. Quando a família encara o trabalho

que terá pela frente como um desafio, uma tarefa com sentido, conserva mais

sua saúde física e mental (GROTBERG, 2004).

Valores criativos

Os valores criativos referem-se à capacidade de criar condições

satisfatórias em qualquer situação. São atos de realização que dizem respeito

ao trabalho, ao que o indivíduo faz e que pode oferecer ao mundo (FRANKL,

1989). A criatividade é uma possibilidade de dar respostas originais à solução

de problemas e, neste aspecto, funciona junto com a resiliência, pois a

criatividade é o potencial que todo ser humano tem para transformar e inovar

sua realidade, gerar idéias ou novidades, criando ordem, beleza e finalidade

através do caos e da desordem. No indivíduo especial, podem-se mobilizar as

potencialidades criativas por meio da intensificação da ação cultural. Pelos canais

culturais, o ser humano pode ser capaz de atravessar bloqueios parciais de si

mesmo (CYRULNIK, 2002).

Valores de atitude

Os valores de atitude são aqueles que se realizam em cada instante

da vida e referem-se à forma com se age diante de situações-limites, oferecendo

a possibilidade de enriquecer a vida daquele que os vivencia. Uma existência,

por muito empobrecida que pareça, pode oferecer ainda uma ultima oportunidade

e decerto a maior para, apesar de tudo, realizar valores. Trata-se de atitudes,

tais como, a valentia no sofrimento ou a dignidade na ruína e no malogro. Refere-

se à capacidade de transformação, pois mesmo uma pessoa desamparada é

capaz de não se identificar com seu sofrimento, podendo erguer-se acima de si

mesma, crescer para além de si mesma e assim, mudar-se a si mesma,

transformando sua tragédia pessoal em triunfo (FRANKL, 1989).

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