
O sentido da vida
A imprescindível busca de significado
O homem não pode deixar de sentir-se envolvido na necessária busca de respostas para várias perguntas fundamentais que brotam naturalmente de sua própria razão: qual a nossa origem?, qual a finalidade da vida?, como explicar a presença do mal, do sofrimento e a inevitabilidade da morte?
Hoje em dia, sem dúvida alguma, há milhões de homens que são tentados a perder a própria razão e esperança de viver por estarem privados das condições materiais mínimas de existência, pela fome, pela indigência imposta pelo condições injustas da vida social, pela falta de trabalho, de recursos indipensáveis da educação, da assistência médica e social etc.
Mas, diante deste quadro, infelizmente hoje tão frequente, tanto em nações pobres como ricas, não se poderá deixar de reconhecer que ainda mais gravemente pesa sobre a pessoa humana, necessitada não apenas dos bens materiais, o fato de não estar conseguindo encontrar, frequentemente, as razões e o significado da própria existência.
Pode-se verificar, e de fato, várias pesquisas têm-no comprovado, que mais angustiante para o homem moderno, especialmente para os jovens, é a crise provocada pela falta de sentido e de significado da vida, o sentimento de vazio, do que a carência ou dificuldades para a consecução de outros bens. O vazio existencial mostrou-se bastante evidente em um levantamento feito entre cem alunos de Harvard, todos eles provenientes de famílias abastadas; uma quarta parte desses alunos duvidava de que suas vidas tivessem algum sentido e as revistas psiquiátricas da Tchecoslováquia informaram que este mesmo fenômeno ocorria em todos os paises comunistas [cf. Joseph B. Fabry, A busca do significado. Viktor Frankl - logoterapia e vida. Ed.ECE, São Paulo, 1984, p.53. Citamos alguns textos e recorremos, frequentemente, a esta obra para apresentar e sintetizar o pensamento de V.Frankl.].
Neste linha de estudo são bem conhecidos hoje os trabalhos do psicanalista de Viena, Victor Frankl e os de sua escola. Para estes, "o homem é fundamentalmente um ser em busca de um significado. Se existe alguma coisa que o possa preservar, mesmo nas mais extremas situações, é a consciência de que a vida tem um sentido, não obstante nem sempre imediato" [cf. Joseph B.Fabry.o.c. p. 35-54.].
Pode-se dizer por isto que a existência humana depende da autotranscendência, a sobrevivência depende de um sentido.E não apenas a sobrevivência dos indivíduos, mas a própria sobrevivência da humanidade.
A profunda experiência de V.Frankl no campo de concentração de Auschwitz levou-o a ter como certo que cada pessoa é um ser único que pode reter uma última reserva de liberdade para tomar uma posição, ao menos, interior, mesmo sob as mais adversas circunstâncias. Nesta profunda dimensão do seu eu, nós sabemos que "não apenas somos, mas a cada momento devemos decidir o que seremos". "Quando somos despojados de tudo o que temos - família, amigos, influência, status e bens - ninguém nos pode tirar a liberdade de tomar a decisão do que nos devemos tornar, porque esta liberdade não é algo que possuímos, mas algo que somos. Por isso mesmo todo homem tem o poder e a liberdade de elevar-se acima do seu próprio eu e tornar-se um ser humano melhor.
É fundamental também para V.Frankl a certeza de ser a básica motivação para viver, não a busca de satisfações, poder ou riquezas materiais, mas o encontro de um significado. Aqueles podem apenas contribuir para o nosso bem estar, mas são simplesmente meios utilizados para atingir um fim, quando usados de forma significativa.
Será esta concepção sobre nós mesmos e sobre o lugar que ocupamos na vida que nos poderá ajudar a dar-lhe sentido, não obstante as tragédias pelas quais devamos passar. Essa concepcão antropológica exige pois que estejamos convictos de que, além de nossas dimensões físicas e psicológicas, possuimos uma dimensão espiritual ou noética, especificamente humana ( espiritual, não no sentido religioso, mas no de vida mental ou intelectual que supõe um princípio de ação transcendente à materialidade do ser). O homem, na sua integralidade, compreende as três dimensões, mas é a dimensão propriamente humana que permitirá à pessoa transcender a si mesma e fazer dos significados e valores uma parte fundamental da sua existência.Neste sentido, cada pessoa é um ser único, vivendo através de infinitos momentos únicos e insubstituíveis, cada um deles oferecendo um significado em potencial (isto é, aberto também para o futuro). Se reconhecermos este potencial e formos capazes de corresponder a eles, nossa vida terá um sentido e a conduziremos de forma responsável.
Para V.Frankl, unicamente quando nos elevamos à dimensão do espírito (mente) tornamo-nos um ser completo. A dimensão humana é a dimensão da liberdade: não a liberdade proveniente das condições, quer sejam elas biológicas, psicológicas ou sociológicas; nem a liberdade de alguma coisa, mas liberdade para alguma coisa, a liberdade de tomar uma atitude concernente às condições. E somente nos tornaremos seres humanos completos quando atingimos esta dimensão de liberdade. Somos prisioneiros da dimensão do corpo; somos conduzidos pela dimensão psiquico-afetiva, mas na dimensão do espírito somos livres. Nós não apenas existimos, mas podemos exercer influência sobre a nossa existência. Podemos não só decidir sobre que espécie de pessoas somos, mas que espécie de pessoa poderemos vir a ser. Dentro da dimensão noética somos nós que fazemos a escolha.
Ignorar a dimensão espiritual é reducionismo, e aí está a origem do nosso mal-estar, da sensação de vazio e de que a vida está desprovida de significado. O perigo de semelhante reducionismo nunca foi tão grande como agora. Frankl não nega que as forças biológicas, sociais e psicológicas exerçam grande influência sobre nós; mas, como declarou, "o homem é determinado, porém jamais pandeterminado". Sob as mais restritas circunstâncias, possuimos uma área na qual podemos determinar nossas ações, nossas experiências, ou no mínimo nossas atitudes, e esta liberdade de auto-determinação repousa em nosso domínio noético.
A liberdade oferece ao homem a oportunidade de mudar, de renunciar ao seu eu e inclusive de enfrentá-lo.
A imprescindível busca de significado
O homem não pode deixar de sentir-se envolvido na necessária busca de respostas para várias perguntas fundamentais que brotam naturalmente de sua própria razão: qual a nossa origem?, qual a finalidade da vida?, como explicar a presença do mal, do sofrimento e a inevitabilidade da morte?
Hoje em dia, sem dúvida alguma, há milhões de homens que são tentados a perder a própria razão e esperança de viver por estarem privados das condições materiais mínimas de existência, pela fome, pela indigência imposta pelo condições injustas da vida social, pela falta de trabalho, de recursos indipensáveis da educação, da assistência médica e social etc.
Mas, diante deste quadro, infelizmente hoje tão frequente, tanto em nações pobres como ricas, não se poderá deixar de reconhecer que ainda mais gravemente pesa sobre a pessoa humana, necessitada não apenas dos bens materiais, o fato de não estar conseguindo encontrar, frequentemente, as razões e o significado da própria existência.
Pode-se verificar, e de fato, várias pesquisas têm-no comprovado, que mais angustiante para o homem moderno, especialmente para os jovens, é a crise provocada pela falta de sentido e de significado da vida, o sentimento de vazio, do que a carência ou dificuldades para a consecução de outros bens. O vazio existencial mostrou-se bastante evidente em um levantamento feito entre cem alunos de Harvard, todos eles provenientes de famílias abastadas; uma quarta parte desses alunos duvidava de que suas vidas tivessem algum sentido e as revistas psiquiátricas da Tchecoslováquia informaram que este mesmo fenômeno ocorria em todos os paises comunistas [cf. Joseph B. Fabry, A busca do significado. Viktor Frankl - logoterapia e vida. Ed.ECE, São Paulo, 1984, p.53. Citamos alguns textos e recorremos, frequentemente, a esta obra para apresentar e sintetizar o pensamento de V.Frankl.].
Neste linha de estudo são bem conhecidos hoje os trabalhos do psicanalista de Viena, Victor Frankl e os de sua escola. Para estes, "o homem é fundamentalmente um ser em busca de um significado. Se existe alguma coisa que o possa preservar, mesmo nas mais extremas situações, é a consciência de que a vida tem um sentido, não obstante nem sempre imediato" [cf. Joseph B.Fabry.o.c. p. 35-54.].
Pode-se dizer por isto que a existência humana depende da autotranscendência, a sobrevivência depende de um sentido.E não apenas a sobrevivência dos indivíduos, mas a própria sobrevivência da humanidade.
A profunda experiência de V.Frankl no campo de concentração de Auschwitz levou-o a ter como certo que cada pessoa é um ser único que pode reter uma última reserva de liberdade para tomar uma posição, ao menos, interior, mesmo sob as mais adversas circunstâncias. Nesta profunda dimensão do seu eu, nós sabemos que "não apenas somos, mas a cada momento devemos decidir o que seremos". "Quando somos despojados de tudo o que temos - família, amigos, influência, status e bens - ninguém nos pode tirar a liberdade de tomar a decisão do que nos devemos tornar, porque esta liberdade não é algo que possuímos, mas algo que somos. Por isso mesmo todo homem tem o poder e a liberdade de elevar-se acima do seu próprio eu e tornar-se um ser humano melhor.
É fundamental também para V.Frankl a certeza de ser a básica motivação para viver, não a busca de satisfações, poder ou riquezas materiais, mas o encontro de um significado. Aqueles podem apenas contribuir para o nosso bem estar, mas são simplesmente meios utilizados para atingir um fim, quando usados de forma significativa.
Será esta concepção sobre nós mesmos e sobre o lugar que ocupamos na vida que nos poderá ajudar a dar-lhe sentido, não obstante as tragédias pelas quais devamos passar. Essa concepcão antropológica exige pois que estejamos convictos de que, além de nossas dimensões físicas e psicológicas, possuimos uma dimensão espiritual ou noética, especificamente humana ( espiritual, não no sentido religioso, mas no de vida mental ou intelectual que supõe um princípio de ação transcendente à materialidade do ser). O homem, na sua integralidade, compreende as três dimensões, mas é a dimensão propriamente humana que permitirá à pessoa transcender a si mesma e fazer dos significados e valores uma parte fundamental da sua existência.Neste sentido, cada pessoa é um ser único, vivendo através de infinitos momentos únicos e insubstituíveis, cada um deles oferecendo um significado em potencial (isto é, aberto também para o futuro). Se reconhecermos este potencial e formos capazes de corresponder a eles, nossa vida terá um sentido e a conduziremos de forma responsável.
Para V.Frankl, unicamente quando nos elevamos à dimensão do espírito (mente) tornamo-nos um ser completo. A dimensão humana é a dimensão da liberdade: não a liberdade proveniente das condições, quer sejam elas biológicas, psicológicas ou sociológicas; nem a liberdade de alguma coisa, mas liberdade para alguma coisa, a liberdade de tomar uma atitude concernente às condições. E somente nos tornaremos seres humanos completos quando atingimos esta dimensão de liberdade. Somos prisioneiros da dimensão do corpo; somos conduzidos pela dimensão psiquico-afetiva, mas na dimensão do espírito somos livres. Nós não apenas existimos, mas podemos exercer influência sobre a nossa existência. Podemos não só decidir sobre que espécie de pessoas somos, mas que espécie de pessoa poderemos vir a ser. Dentro da dimensão noética somos nós que fazemos a escolha.
Ignorar a dimensão espiritual é reducionismo, e aí está a origem do nosso mal-estar, da sensação de vazio e de que a vida está desprovida de significado. O perigo de semelhante reducionismo nunca foi tão grande como agora. Frankl não nega que as forças biológicas, sociais e psicológicas exerçam grande influência sobre nós; mas, como declarou, "o homem é determinado, porém jamais pandeterminado". Sob as mais restritas circunstâncias, possuimos uma área na qual podemos determinar nossas ações, nossas experiências, ou no mínimo nossas atitudes, e esta liberdade de auto-determinação repousa em nosso domínio noético.
A liberdade oferece ao homem a oportunidade de mudar, de renunciar ao seu eu e inclusive de enfrentá-lo.

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