quinta-feira, 22 de abril de 2010

Entrevista com David Isaac

Formação de Valores - Uma entrevista com David Isaacs

Por Maite Armendáriz Azcárate

Em cada idade sua virtude

O fim da educação é a felicidade, embora às vezes nos esqueçamos disso, é o que diz o especialista mundial David Issacs, autor do livro "A educação das virtudes humanas". A universidade chilena 'Andrés Belo' o convidou para promover um seminário para docentes e diretores de escolas, em junho de 2002, onde foi realizada a seguinte entrevista.

Consultor em centros educativos de mais de trinta países europeus, africanos e americanos, David Isaacs recebe convites até da Finlândia para proferir conferências.

Sua obra mais conhecida é sem dúvida "A educação das virtudes humanas", que já está em sua 13ª edição. Somam-se a isso uma série de vídeos em que aborda este mesmo tema, fundamental na hora de educar para este homem casado, pai de sete filhos.

David Isaacs dirigiu por cerca de uma década o Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Navarra, Espanha, e durante outro tanto foi vice reitor. Na atualidade é professor da Organização e Gestão de Centros Educativos da faculdade de Filosofia e Letras dessa universidade, e é professor colaborador do Instituto de Ciências para a Família.

No seminário organizado pela Universidade de Andrés Bello, o perito se referiu aos elementos indispensáveis na gestão eficaz de centros educativos. A concorrida platéia escutou atentamente suas idéias sobre o assessoramento pessoal dos estudantes, a educação da laboriosidade e dos hábitos de estudos, a prudência e os meios de comunicação de massa, entre outros temas de interesse.

Por que o senhor está convencido da necessidade de se aprofundar e divulgar a educação das virtudes humanas?

Virtudes humanas são hábitos operativos bons. Por exemplo: a sinceridade, a solidariedade, a compreensão, a perseverança, a lealdade ou a responsabilidade. É possível pensar que, como conseqüência do processo educativo, os jovens devem ter aprendido a ser profissionais competentes, cidadãos responsáveis, amigos leais, membros responsáveis de uma família e - para os crentes - filhos responsáveis de Deus. Como pode uma pessoa ser um profissional competente sem ser ordeiro, responsável ou perseverante? E ser um cidadão responsável, sem ser honrado, solidário ou justo? Ser amigo leal sem ser sincero e compreensivo? Ou membro responsável de uma família, sem ser generoso e flexível? Seria raro encontrar um filho de Deus responsável que não tenha tentado desenvolver-se em virtudes humanas. Além disso, mediante o desenvolvimento das virtudes se alcança uma maior maturidade pessoal. E o resultado deste esforço é a autêntica felicidade. Parece que existem razões de sobra para insistir na importância das virtudes.

De que maneira e desde que idade se consegue educar primeiro em hábitos e logo conseguir que estes se tornem virtudes ou valores nas crianças e adolescentes?

As virtudes, sendo hábitos, começam a desenvolver-se desde que nasce a criança. Contudo, desenvolve-se uma virtude conforme a amplitude e a intensidade com que se a vive e também de acordo com a retitude dos motivos ao viver essa virtude. Portanto, de forma restrita, as crianças não podem desenvolver virtudes, como tal, até os sete ou oito anos, quando então chegam a ser consciente de seus atos. Em troca, antes, pode-se prepará-las para este momento insistindo no desenvolvimento de hábitos, ainda que as crianças não entendam muito bem o porque dos mesmos. Com as crianças pequenas temos que insistir muito em fazer - e que façam coisas -. Estas ações se traduzirão em hábitos. Paulatinamente, deve-se passar a exigir-lhes mais no pensar, para que pensem antes de tomar suas próprias decisões.

Escolas autônomas

Para um professor de química ou inglês, que deve ensinar um extenso programa num curso com 40 alunos, é possível educar os alunos também em valores?

Sim, porque se educa em primeiro lugar com o exemplo. O professor às vezes crê que não poderá educar os estudantes em virtudes porque ele é o primeiro a não vivê-las plenamente. Porém, não é o exemplo perfeito o que educa, mas o exemplo de luta para se superar, para tentar cumprir bem, é que será notado pelos alunos. E isto é o que lhes interessa, porque é atrativo. Se um professor vive sua profissão com alegria, cuidando das diferentes virtudes em sua vida, contagiará os alunos.

Isaacs lembra que um colégio não é unicamente a soma de várias salas de aula soltas.

Um centro educativo que quer promover o desenvolvimento das virtudes humanas também deverá pensar em ter algumas atividades onde os alunos possam ir descobrindo e conhecendo as virtudes intelectualmente. E fará falta, assim mesmo, um conjunto de atividades onde o aluno possa viver as virtudes com os demais.

Que elementos o senhor considera básicos para que se possa dirigir um colégio hoje em dia?

Entendo que a riqueza de um centro educativo está na soma dos estilos pessoais de seus membros, contanto que compartilhem os mesmos valores. Se não for assim, haveria anarquia. Para tanto, um bom diretor se ocupará principalmente de promover projetos de melhora e de atender as pessoas, com o fim de assegurar que cada colaborador tenha um plano personalizado de aperfeiçoamento. Lamentavelmente, este planejamento está distante de muitas das administrações educativas que acreditam que apenas basta regulamentar tudo ao máximo.

Em seguida David Isaacs recorda as palavras de Ruiz, um autor espanhol:

"Os mestres são obedientes. As autoridades educativas sempre tiveram conhecimento desta circunstância e a têm usado a seu favor até os limites do abuso". Atualmente, na Espanha, esse veículo é o chamado desenho curricular básico que, de fato, anula em grande parte a autonomia do professor. No Reino Unido cada colégio está obrigado a adotar um 'sistema de gerenciamento de desempenho', isto é, um sistema para medir a eficácia da gestão. Com o fim de desculpar a adoção dessa obrigação de duvidosa utilidade, escrevem-se livros que pretendem mostrar como se pode aproveitar positivamente essas imposições do momento.

Então, em resumo, o centro educativo não pode ser uma organização rígida?

Pelo contrário: sobre a base de uma organização básica, deve-se promover o desenvolvimento pessoal e intransferível de cada um de seus membros. Quanto menos se confia nos funcionários, nos professores e nos diretores dos colégios, mais trâmites burocráticos são criados e mais fiscalizações são introduzidas.

Família: amor incondicional

O senhor está convencido da necessidade de se "educar para o amor". De que maneira é necessário viver hoje, no interior dos lares, para se ter bons alunos em matéria de afeição?

Na família a pessoa pode e deve ser aceita pelo que é, por se única. Não tanto pelo que faz, mas sim pelo que é, pelo conjunto dos aspectos de sua intimidade. Hoje em dia os pais tendem a gastar seus esforços em conseguir que seus filhos aprendam a fazer mais coisas, aprendam mais idiomas, pratiquem mais esportes, desenvolvam diversos gostos, e se esquecem da necessidade de criar esse clima de aceitação incondicional onde cada pessoa pode expressar-se sabendo que não vai ser julgado ou rotulado. Amar, disse o filósofo alemão Josef Pieper, é dizer ao outro 'que bom que você existe'. Na família precisamos buscar o que há de positivo nos outros, e dizer-lhes o temos encontrado. Trata-se de ajudar cada um para que utilize o que possui da melhor maneira possível. Somente neste contexto é possível entender bem a idéia de uma educação sexual voltada para o amor.

Em seus livros o senhor também insiste na dinâmica da comunicação dentro do matrimônio?

Na vida, constantemente temos que tomar decisões. Se uma decisão foi a de casar-se, deve-se atuar coerentemente com isso. A prioridade para o homem casado deve ser a sua esposa e vice-versa. A seguir os filhos, e a seguir os demais É evidente que não se trata de ser simplista, mas a verdade é que muitas pessoas deixam de ser conscientes de suas prioridades devido à vida de ação frenética incessante que levam. A palavra 'comunicação' vem da palavra 'comunidade' que, por sua vez, vem de 'unidade'. Como podemos conseguir a unidade? Compartilhando valores. Como podemos manter a unidade? Comunicando-nos, fazendo coisas juntos e tendo projetos de futuro comuns.

Quanto influi a boa comunicação dos pais nos cuidados e na projeção dos filhos?

O exemplo dos pais é vital. De fato, na educação existem dois princípios que tem vigência sempre: A exemplariedade e a personalização. Os educadores temos que dar o exemplo lutando sempre para melhorarmos como pessoas e, por sua vez, tratar cada filho ou cada aluno como sendo uma pessoa única, irrepetível.

Carácter e as virtudes

O que é ter caráter?

É um fato patente que hoje se observa em muitas pessoas – adolescentes, jovens e velhos – uma espécie de incapacidade de dominar os defeitos do seu temperamento, as suas tendências, inclinações e instintos desordenados, bem como os maus hábitos já contraídos. Isso lhes prejudica a perfeição do trabalho, o relacionamento com os outros, a capacidade de amar, a prática serena e profunda da religião…, e, afinal, a eficácia, a paz e a alegria. É notável como tais pessoas se mostram incapazes de autodomínio e perseverança, ou seja, de domínio da vontade e, portanto, de caráter, desse caráter bem formado que constitui a verdadeira personalidade.
Em muitos ambientes atuais, julga-se que ter caráter é ser “independente” de todos e de tudo, também de qualquer norma moral. Quer-se uma absoluta liberdade para que cada qual crie, estabeleça e defenda os “seus valores” (não “os valores”, porque não se acredita em valores absolutos e universais: tudo é relativo). Todos percebemos, infelizmente, qual é o resultado disso. Desastroso. Substitui-se a vontade pelos sentimentos e pelos gostos. Faz-se só o que se sente e o que se gosta, não o que é bom, porque, para essas pobres criaturas sem caráter só é bom o que “me dá prazer”, o que eu “gosto de fazer, …o egoísmo; só isso seria “autêntico”.
Ora, sentimentos, gostos e prazer: nenhuma dessas três coisas é mão para o volante da vida. Deixe-se guiar por elas (desprezando a formação do caráter e as virtudes) e contribuirá para fazer da sociedade atual um imenso redemoinho de egoísmo, que devora as pessoas, as afunda no seu funil assassino e as cospe depois, deprimidas e inúteis, para fora. Quando só existem “apetites” e “ambições”, não existe um caráter que possa ser firme ou alicerçar qualquer coisa.
A vontade – que está na raiz do caráter – é uma potência, uma energia da alma, que pode estar abafada ou liberada. Na situação concreta das nossas vidas, ninguém tem a vontade suficientemente “livre”. Tem que travar-se, em cada um de nós, uma batalha para conseguir desatrelar a vontade das fraquezas, egoísmos, miragens, paixões, maus hábitos e enganos, e torná-la no que deve ser: a grande força serena, a “executiva” racional da conduta humana.
Isso exige uma luta, seriamente orientada e apoiada no auxílio da oração, dirigida a conquistar as virtudes humanas, que são os pilares do caráter.

Com muita precisão, o Catecismo da Igreja Católica explica: “As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem” (n. 1804). Todas as virtudes humanas, que são muitas, giram à volta das quatro virtudes cardeais: – o que significa “virtudes-eixo” –, da prudência, justiça, fortaleza e temperança (nn. 1805-1809).

Ossos de vidro e asa quebrada

Um homem ou uma mulher ganham personalidade e consistência de caráter na medida em que adquirem essas virtudes humanas. Elas – diz o Catecismo – “com o auxílio de Deus, forjam o caráter e facilitam a prática do bem” (n. 1810).
Sem virtudes humanas solidamente adquiridas, as pessoas – pensemos especialmente nos adolescentes e jovens – crescem como uma criança doente do mal dos “ossos de vidro”, que tivesse tido a desgraça de cair nas mãos de pais irresponsáveis. Poderia estar sendo alimentada com capricho, vestida com o bom e o melhor, educada com os melhores mestres. Mas, se os pais não cuidam de amparar e “escorar”, com as soluções médicas e tecnicamente mais eficazes, a fragilidade do filho, virá uma fratura atrás da outra e, afinal, a incapacitação ou a morte
Há pais que parecem criar filhos para que, muito cedo, acabem reduzidos a cacos. Dão-lhes (assim o julgam) o melhor possível em tudo, menos na formação humana e moral. Não cultivam neles, desde a primeira infância, virtudes sérias, com o incentivo do seu exemplo constante e com o acompanhamento de um “adestramento” prático,boa vontade e de bons sentimentos, ainda que não tenham virtudes (nem fortaleza, nem constância, nem desprendimento, nem altruísmo, nem responsabilidade…), e, assim, os deixam abandonados aos seus caprichos, molezas e desordens, com “ossos de vidro” na alma, desde que tirem notas boas ou aceitáveis, não apanhem doenças nem vícios maiores com os seus desregramentos, e não criem encrencas por aí… paciente, pedagogicamente acertado, incansável. Contentam-se com ver que são “bons meninos”, cheios de
A boa vontade e os bons sentimentos, sem virtudes, são como um pássaro de asa quebrada. Uma das estórias mais lindas de Guimarães Rosa fala de um casal de garças alvíssimas, que apareciam, ano após ano, junto do riachinho Sirimim. Uma delas, atacada por um bicho do mato, foi achada um bom dia, enroscada em folhagens e cipós, com uma asa estraçalhada. “Durou dois dias. Morreu muito branca. Murchou” 1 Eu não gostaria que esse fosse o epitáfio do filho de ninguém. Mas muitos pais, com o seu desleixo e a sua inconsciência, o estão preparando.

Os dois testes das virtudes

As nossas virtudes precisam sempre de duas condições ou, melhor, têm que passar por dois testes de autenticidade: o teste da “prova” e o teste da “unidade de vida”. Vou explicar a seguir.
De uma maneira surpreendente, o apóstolo São Tiago começa a sua Carta, que é palavra de Deus incluída no Novo Testamento, dizendo: “Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações”. Na realidade, nós desejaríamos que as provações fossem as menos possíveis. Mas São Tiago não pensa assim, porque sabe que as dificuldades que nos põem a prova e nos fazem sofrer podem derrubar-nos, mas – e isso é o que interessa – podem também ser o meio de temperar, de consolidar e fortalecer as nossas virtudes. E, por isso, acrescenta que a prova “produz em vós a constância; e a constância deve levar a uma obra perfeita ” (Tiag 1, 2-4).
São Paulo é do mesmo parecer: “Sabemos que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada e a virtude provada desabrocha em esperança” (Rom 5, 3-4) 2.
Há coisa mais maravilhosa do que uma mãe sempre serena, com uma serenidade sorridente e ativa, que atravessa problemas financeiros, tribulações de saúde, preocupações com o marido e os filhos, sem mostrar abalo, infundindo sempre neles paz, segurança e uma visão esperançosa do futuro? Todos nós conhecemos e admiramos mães assim, forjadas na dificuldade como ouro testado no fogo (I Pedr 1, 7); generosas sem alarde, heróicas, cuja lembrança nos arranca lágrimas dos olhos. Vimo-las, por vezes, chegar ao extremo, à hora da morte, após longa e sofrida doença, derramando a mesma serenidade de sempre sobre os corações dos seus, esquecidas de si mesmas, consolando e animando a todos, e deixando atrás de si uma esteira de luz. Isto é que é “esplendor da virtude”! Isto é que são virtudes “provadas”!

Não há virtudes fáceis. Não são verdadeiras as virtudes que aparecem nos momentos fáceis e desaparecem nos difíceis.Mas também não há virtudes “especializadas”, só para certos ambientes, e determinadas ocasiões. Aí temos que enfrentar-nos com o segundo teste, o da unidade de vida. Infelizmente, não é raro que muitos cristãos, quando estão com os amigos, os colegas de clube e as relações profissionais, pratiquem admiravelmente as virtudes da convivência. São amáveis, conversadores bem-humorados, prestativos, disponíveis. Chegam, porém, em casa, e parece que o mesmo homem virou “lobisomem”: seco, taciturno, antipático, mal-humorado, reclamando de tudo, isolado no seu jornal, na tv ou na Internet, incapaz de uma palavra ou de um gesto de carinho cálido. Que aconteceu? Que as “virtudes” exibidas em ambientes sociais eram isso, sociais, fachada inautêntica.

Pequena reflexão sobre as virtudes cardeais

Penso que, como simples amostra – dirigida agora especificamente aos pais – , podem-nos ajudar algumas pinceladas sobre as quatro virtudes cardeais. Serão rápidas, impressionistas, e mostrarão apenas umas poucas moedas do tesouro riquíssimo que guarda cada uma delas 3.

Prudência Como ajuda e enche de segurança ter um pai que seja alegre, sensato e reflexivo. Que não improvise. Que não dê decepções a toda a hora. Que não mude de planos sem mais nem menos. Que não dê sustos por ter-se esquecido de controlar as contas bancárias, ou os prazos disso ou daquilo, que não precise ouvir aquelas palavras do Paraíso de Dante: “Siate, cristiani, a muovervi più gravi: non siate come penna ad ogni vento…” (”Cristãos, caminhai com mais ponderação: não sejais qual pena movida por qualquer vento…”) 4.

Justiça Como faz bem aos filhos ter um pai e uma mãe que cumprem o que prometem. Que não se desdizem, porque fica mais difícil aquele passeio com os filhos e estão cansados e são comodistas. Que não tratam os filhos como números, com ordens genéricas, iguais para todos, como se o lar fosse um depósito de robôs, mas, como pede a justiça, tratam desigualmente os filhos desiguais, logicamente não por diferenças motivadas por mimos ou preferências injustas. Que, se fazem uma repreensão justa e prometem um pequeno ou médio castigo (castigo grande quase nunca se justifica), não amolecem, mas cumprem, sem deixar de cercar o filho punido da certeza de que é muito amado e só se quer o seu bem.
E também fazem bem aos filhos outras “justiças” menores do cotidiano. Por exemplo, saber que os pais não se aproveitam nunca de um troco errado (devolvem ao caixa a diferença), nem dão jeitos para enganar e deixar de pagar uma entrada, que qualquer pessoa honesta paga.

Fortaleza Bastaria lembrar da mãe que admirávamos há pouco. Mas é também um exemplo maravilhoso viver num clima familiar em que não se ouvem queixas nem reclamações, nem gemidos. Em que ninguém se julga mártir ou vítima. Em que o pai, exausto, é capaz de ficar brincando com os filhos, interessando-se pelas suas pequenas problemáticas ou pelos seu sonhos e alegrias, e tudo isso, sabendo oferecer a todos um sorriso carinhoso, no meio da pena ou do esgotamento. Pais que sempre projetam a bela luz da paciência e da constância.

Temperança Que grande exemplo dão os pais que nunca são vistos, nem dentro nem fora de casa, nem nos dias de trabalho nem aos domingos e feriados, abusando da comida e da bebida. Que não se iludem, achando que vão enganar os filhos dizendo-lhes que se trata só de um “aperitivo” ou uma “cervejinha”, de que precisam muito porque andam fatigados e faz bem para a saúde (quando os filhos os vêem claramente “altos”, com a voz gosmenta e as pernas bambeando por excesso de álcool). Pelo contrário, como toca o coração ver uma mãe que habitualmente “gosta” do pedaço de carne que tem mais nervos e gorduras, ou ver o pai que “gosta” do cinema que a mãe adora…, mesmo em dias em que seu time joga.

E a temperança na questão de TV e de Internet? Acham que os filhos são tolos? Em matéria de informática, quase sempre dão um solene “chapéu” nos pais, e descobrem muito facilmente (pois ainda não aprenderam a viver a virtude da discrição e a controlar a curiosidade) a quantidade de sites inconvenientes que o pai visitou, como se fosse um adolescente com obsessão sexual neurótica.

E em matéria de humildadeque São Tomás de Aquino situa dentro do âmbito da temperança? Como se nota a falta de humildade e como faz mal! Por isso, é tão formativo que os filhos percebam que os pais não se deixam arrastar por mesquinharias de susceptibilidade, por mágoas persistentes, por rancores e incapacidade de perdoar. Que nunca vejam os pais virando o rosto para ninguém, nem dominados por espírito de revide e vingança, nem falando com ódio do cunhado que fez isso ou da tia que fez aquilo…
Virtudes humanas! São tantas as que deveríamos cultivar! Cultivar e ensinar é um empreendimento árduo, mas é decisivo, e, por isso, deve ser enfrentado e levado a termo incansavelmente, com a graça de Deus.

Dicas virtudes humanas

Outras virtudes humanas
A estrutura da personalidade compreende, entre outros elementos psicológicos, um conjunto de virtudes que tornam o indivíduo mais elevado, íntegro, humanitário. Uma virtude representa retidão moral, probidade, excelência moral. As pessoas podem ser avaliadas pela riqueza de suas virtudes. De forma sucinta, vamos apreciar algumas dessas virtudes. No decorrer da empreitada, poderemos observar que elas quase sempre caminham juntas, raramente apresentam-se isoladas.
Autoconfiança. Esta virtude pode ser conquistada mediante o desenvolvimento de recursos e habilidades que proporcionam competência, segurança e tranqüilidade no decurso da vida. A pessoa autoconfiante é prudente e equilibrada, de tal sorte que procura agir sempre com cautela. Pelo fato de possuir imensa fé em si, ela sabe que pode contar consigo mesma, em situações as mais adversas.
Benevolência. É uma qualidade que dispõe o indivíduo a praticar o bem, podendo acrescentar generosidade, gentileza e simpatia. Para tanto, é preciso renunciar a sentimentos de hostilidade e egoísmo.
Contentamento. É uma virtude que promove alegria e bem-estar. Proporciona o poder de enfrentar adversidades, sem aflição, com serenidade e jovialidade, porque capacita o ser humano a adaptar-se a tais situações, e a mudar suas atitudes diante delas.
Coragem. Trata-se de uma habilidade ímpar para enfrentar, com serenidade e domínio do medo, os perigos que se apresentam do decurso da vida. Ela proporciona ao indivíduo a aptidão de avaliar uma gama de possibilidades para vencer as adversidades. A coragem inspira o indivíduo a agir com perseverança e determinação em face de todas as si-tuações e circunstâncias.
Desapego. É uma virtude que capacita o indivíduo a ver os fatos e situações com imparcialidade, com isenção de ânimo. A pessoa que consegue desapegar-se de suas próprias idéias e opiniões, livre de preconceitos, é capaz de agir com justiça. O desapego em relação a pessoas, bens materiais e imateriais, é outra faceta desta valiosa virtude, que pos-sibilita uma vida mais rica e feliz.
Despreocupação. Ser despreocupado denota serenidade, confiança, paz. Significa viver a cada momento, com intensidade e prazer, permitindo ao amanhã cuidar de seus próprios interesses. No entanto, despreocupação não quer dizer descuido, imprudência, imprevidência. Muito pelo contrário, pois esta virtude inspira o indivíduo a tornar-se responsável e cuidadoso com a administração de tudo que lhe compete.
Determinação. Firmeza e perseverança são duas aliadas desta virtude. Ela permite ao indivíduo progredir, a ter sucesso em todos os seus empreendimentos, pois não tolera preguiça, desalento, falta de ânimo. Não importam as circunstâncias ou obstáculos, a presença desta virtude capacita o ser humano a concluir sempre todas as tarefas a que se programou. Determinação é uma virtude necessária para assimilar as demais virtudes e para livrar-se de todas as negatividades.
Disciplina. É ordem, organização, aceitação de preceitos e normas. O próprio Universo é obediente a uma ordem implacável, caso contrário não poderia existir. Para assimilar e manter esta virtude, o indivíduo precisa corrigir, moldar e aperfeiçoar seu caráter. Para tanto, não poderá prescindir do concurso de outras virtudes, como paciência, tolerância e perseverança. Terá também que abominar hábitos nocivos, como rebeldia e inconformidade. Na ausência da disciplina, a vida torna-se impossível.
Docilidade. Consiste em uma força magnética que atrai a todos. A vida torna-se mais encantadora quando as pessoas agem com docilidade, bom humor e gentileza.
Empatia. Significa colocar-se no lugar do outro, em sua própria pele. Ver as coisas sob sua perspectiva. Compreender seus motivos. E, então, poder aconselhar com acerto e coerência. Entusiasmo. É a chama que provoca ação. É vida em movimento. É motivação. É o fogo interior que proporciona prazer e vitalidade para executar até o fim os planos traçados. Graças ao entusiasmo, o mundo inteiro está em constante progresso.
Estabilidade. Significa coerência, responsabilidade, constância. Esta virtude não admite rigidez, mas requer flexibilidade e adaptabilidade. Assim, a confiança é desenvolvida e a convivência humana torna-se harmônica e duradoura.
Flexibilidade. Esta virtude permite constante adaptação às pessoas e circunstâncias. Ela promove a harmonia nos relacionamentos e proporciona condições para a necessária moldagem às permanentes mutações da vida. Tal como o salgueiro, podemos nos curvar, pela força do vento, e, ao mesmo tempo, permanecer firmemente enraizados.
Generosidade. Significa desprendimento, liberalidade, altruísmo. A pessoa dotada desta virtude aprecia verdadeiramente os outros, e presta a ajuda necessária sem esperar nada em troca. Ela também promove o fortalecimento das relações, a paz no contexto social.
Honestidade. Este dom suscita a necessária confiança entre as pessoas. Em todos os atos da vida, a citada qualidade deve estar sempre presente. Por outro lado, sua carência provoca as mais nefastas conseqüências.
Humildade. Mesmo sendo possuidor de múltiplas virtudes, o indivíduo pode ainda abarcar mais uma, a humildade. Significa modéstia, compostura, ausência de vaidade. Simplicidade na maneira de se apresentar. Comedimento na forma de referir-se a si próprio. A pessoa pode conhecer sua força e poder, e apesar disso, não precisa jactar-se perante os outros.
Introspecção. É a pedra fundamental de todas as virtudes. Graças a ela, o ser humano torna-se capaz de avaliar e transformar sua personalidade. Mergulhar no interior de si mesmo é uma condição necessária para o auto-aperfeiçoamento. Esta virtude desperta os poderes pessoais e harmoniza todo o ser.
Jovialidade. O dom de ser alegre, bem-humorado, de rir e fazer rir, é uma qualidade indispensável para a existência da harmonia nos relacionamentos. Proporciona bem-estar e leveza de espírito. Irradia simpatia, conquista a amizade, desenvolve o ânimo.
Longanimidade. Significa complacência, indulgência, benignidade, tolerância. Proporciona o desenvolvimento de uma natural disposição de ânimo para suportar, com serenidade e resignação, insultos, vexames, ofensas e contrariedades.
Maturidade. Esta virtude confere a habilidade de agir com coerência e acerto em todas as circunstâncias. Ela proporciona o desenvolvimento de outra fenomenal virtude, a sabedoria.
Misericórdia. É uma qualidade ímpar nos relacionamentos humanos. Esta virtude confere às pessoas o dom de perdoar as faltas dos outros, de compreender suas fraquezas, pois carrega em si a tolerância e a compaixão.
Paciência. Ser paciente significa ser calmo, sereno e equilibrado. Denota controle sobre desejos e emoções. Afasta o desespero e a aflição. Possibilita pensamentos e julgamentos imparciais e objetivos.
Precisão. Esta qualidade proporciona clareza e perfeita definição. Na presença de exatidão, os pensamentos, palavras e ações serão apropriados a cada circunstância. A virtude em questão possibilita a habilidade de fazer as coisas de forma correta. Graças ao autocontrole, paciência, serenidade, conhecimento de causa, este dom pode prosperar, trazendo benefícios incalculáveis ao progresso e bem-estar.
Pureza. Significa ausência de vícios de toda ordem. Presença de uma mente sã, plena de amor e justiça, isenta de máculas, livre de preconceitos e superstições.
Sabedoria. A conquista da maturidade proporciona o surgimento da sabedoria. Esta virtude confere o poder de controlar impulsos e reações, ter uma visão de águia, reconhecer a verdadeira intuição, ser previdente. A pessoa que conquistou o poder da sabedoria é capaz de agir de forma correta, em todas as circunstâncias, com base em conheci-mentos vastos, em sua longa experiência, na própria realidade. Pode-se observar o perfeito equilíbrio de todos os poderes e talentos quando a sabedoria está presente.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Virtudes humanas: empatía, responsabilidade, respeito, pudor


A Empatía
A educação da percepção empáticaSeria absurdo pensar que, nestas breves linhas, vai ser encontrada a solução do problema da educação da percepção empática, quando tantos sábios, durante tanto tempo, estiveram estudando o tema sem chegar a um acordo a respeito das conclusões operativas.A maioria dos psicólogos está de acordo em que é necessário empatia, apreço positivo e calor humano nas relações com os demais. Mas não está claro como viver nem como ensinar a empatia. Algumas pessoas nascem com ela; outras, não. Aqui se trata de oferecer uma série de sugestões para ajudar os pais na educação de seus filhos. Não é um programa, mas sim, pontos em que se pode começar a luta de superação pessoal.Inicialmente pode-se pensar em alguns esclarecimentos que convirá fazer ao adolescente:- Nem todos somos iguais. Cada um raciocina de modo diverso frente a distintos estímulos. Portanto, não se trata de acreditar que outra pessoa vai sentir o mesmo que alguém em uma determinada situação. Este problema, de fato, continua existindo nas pessoas adultas. Por exemplo, algumas pessoas dizem: "isto não me incomoda, por que tem que incomodar o outro?".- O que dizem ou o que fazem as pessoas não é necessariamente reflexo fiel de suas intenções ou sentimentos íntimos. Antes de considerar quais são os fatores que estão influenciando mais em uma situação, se trata de saber qual é a situação real, não o que fica refletido no comportamento aparente.- É muito fácil ser simplista, crendo que há só uma causa para um determinado problema. Normalmente existe um conjunto de causas. Não se trata de aceitar a primeira causa, percebida como a única verdadeira.- Em situações normais -não em casos atípicos-, talvez o mais importante para outro é saber que alguém se preocupa por ele, mas que, ao mesmo tempo, respeita sua intimidade.- Por último, não se trata de chegar a compreender completamente. Isso jamais será possível. A dificuldade fica refletida na contestação de um pai à sua filha adolescente, depois de a filha lhe dizer que não o compreende: "Minha filha, como vou compreendê-la se nem sequer você se compreende a você mesma?".Poderíamos resumir, dizendo que a compreensão que buscamos deve traduzir em uma ajuda para que o outro chegue a compreender a si próprio, o suficiente para pôr os meios, a fim de superar sua dificuldade ou empreender uma luta de melhora.De todas as formas, devem ser considerados diversos tipos de fatores que podem ter influenciado nos sentimentos ou no comportamento de uma pessoa, para diagnosticar melhor o problema. Em relação a estes fatores, existe a tentação de perguntar diretamente ao outro: "o que há com você?" e, claro, na grande maioria dos casos a resposta é: -"Nada".Pode haver influenciado na situação:- algo que fez anteriormente. Pode existir uma relação estreita entre um estado de tristeza em um filho, por exemplo, e o haver colado em uma prova;- algo que deixou de fazer. Por exemplo, a relação entre um estado de tristeza e não ter estudado para uma prova;- algo que outra pessoa lhe fez. A relação entre o castigo do professor, por ter colado, e o estado de tristeza;- algo que outro não fez;- algo que pensou, viu ou sentiu ou escutou.Damos alguns exemplos nesta relação para explicar o difícil que pode ser conseguir descobrir qual é o problema real ou quais são as causas do problema. Por exemplo, ao notar que um filho está triste, poderia ter lhe perguntado diretamente para descobrir qual era a causa. Talvez respondeu que havia sido porque o professor o havia castigado. Mas, realmente foi assim? Poderia ter sido também porque o professor descobriu-o colando, ou porque se deu conta de que devia ter estudado mais, ou porque algum companheiro havia zombado dele por ter colado, etc. A atuação do que quer ajudar será diferente em cada caso. Se o menino percebeu que não devia ter colado, tratar-se á de ajudá-lo a superar o desgosto, e a estudar mais. Mas se está triste porque foi descoberto pelo professor, a compreensão não deve apoiar este sentimento. A compreensão, portanto, não conduz necessariamente à aceitação do sentimento ou do comportamento do outro. A compreensão supõe ter descoberto o que realmente acontece ao outro, a seguir, de seu ponto de vista -portanto, aceitando-o tal como é-, buscar um caminho de melhora.E como podemos desenvolver esta capacidade nos filhos? Ajudando-os a reconhecer os distintos sentimentos nos demais, e seus distintos comportamentos. Isto é, educando a sensibilidade. Na prática, significará uma série de perguntas tais, como: "Reparou que seu irmão está muito contente, aborrecido, triste, satisfeito, etc.? Por que será? Está certo? Que outras razões pode haver? Por que seu irmão haverá feito isso?, etc. Além disso, não só se trata de ajudar os filhos a compreenderem seus irmãos, mas também seus companheiros, seus professores e, inclusive, seus próprios pais. Falou-se muito que os pais têm que compreender seus filhos. Mas os filhos também têm que aprender a compreenderem seus pais. E isto é um papel importante de cada cônjuge com os filhos. Isto é, a mãe pode ajudar os filhos a compreenderem seu pai e vice-versa.A comunicação da compreensãoSegundo o tipo de problema que tem o outro, será necessário: compreendê-lo e mostrar a compreensão; compreendê-lo e não atuar; mostrar preocupação por ele e não esforçar-se por compreendê-lo muito. Tratar-se-á de compreender e não atuar quando o filho é capaz de superar a dificuldade sem ajuda. Pode ser o caso de um menino que se desgostou por uma coisa sem importância e sabe que é consciente de que foi uma bobagem. Prestar excessiva atenção neste momento pode ser contraproducente, porque supõe exagerar algo que o filho quer esquecer rapidamente. Em outros casos, o filho pode superar o problema, mas necessita de um apoio afetivo; necessita saber que alguém está preocupado com ele. Portanto, tampouco se trata de perguntar demasiado. Assim, podemos distinguir entre compreender a pessoa, seus sentimentos e seu comportamento, e compreender o que necessita.Aqui vamos centrar a atenção na necessidade de sentir-se compreendido. Existem numerosos estudos sobre técnicas de comunicação. Mas tampouco se trata de conseguir que nossos filhos sejam peritos na orientação de seus irmãos e de seus companheiros. Preferimos agora comentar brevemente alguns modos de atuar que podem facilitar o processo, sem pretender aperfeiçoar muito.- Trata-se de mostrar que alguém compreendeu, não que alguém julgou. Portanto, haverá que cuidar do próprio modo de expressar-se. Trata-se de evitar expressões valorativas e tentar o uso de uma linguagem descritiva. O ser humano se sente compreendido quando a pessoa que o está escutando repete, às vezes com suas próprias palavras, o que explicou, o que contou, mas sem valorizar o conteúdo.- Trata-se de ajudar o outro a resolver um problema. Portanto, haverá que evitar estabelecimentos predeterminados. O enfoque é: "Vamos ver o que podemos fazer". Não deve ser: "Isto é o que tem que ser feito".- Para continuar a compreensão, também é necessário tempo e condições adequadas. Trata-se de mostrar afeto e atenção. Isto não pode ser feito adequadamente com interrupções -chamadas telefônicas, etc. Se um irmão maior quiser ajudar um irmão pequeno, certamente será melhor que saiam de casa para dar um passeio ou, pelo menos, que busquem um lugar onde não vai haver interrupções.- Por último, trata-se de mostrar que um não está "por cima" do problema do outro. Isto é, fazer pensar que, ainda que um compreenda o problema do outro, jamais poderia ocorrer-lhe isso a si próprio. Isto seria uma atitude de superioridade que mostraria, entre outras coisas, a falta de capacidade de compreensão.Por tudo o que dissemos, ficará claro que a virtude da compreensão é especialmente importante para os pais, mas também para os filhos, sobretudo adolescentes. Porque os filhos podem ser uma ajuda muito eficaz para seus pais, em relação a seus irmãos menores. Às vezes, é difícil para os pais compreenderem o que acontece com seus filhos. Em troca, entre eles se entendem "maravilhosamente". Reconhecer este fato é também compreender.A compreensão dos demais começa com o esforço de tentar compreender-se a si próprio. Necessitamos estar lutando para superar nossos próprios preconceitos, para evitar sentimentos indignos ou desnecessários que obstaculizam nosso processo de melhora. Conhecendo nossas próprias fraquezas, se trata de evitar as circunstâncias que as provocam, ou pelo menos, preparar-se para não cair outra vez no mesmo sentimento ou no mesmo comportamento. Isto é saber retificar. A retificação pode ser aplicada a atos injustos realizados frente aos demais, mas saber retificar é um ato imprescindível para a compreensão de si próprio. Quando chegamos a reconhecer as principais causas de nossos estados de ânimo ou de nossos próprios comportamentos, é essa compreensão que dá força para buscar a ajuda necessária e voltar a começar.Entretanto, nunca chegaremos a nos conhecer nem a nos compreender totalmente -muito menos, aos demais- porque o ser humano é um ser misterioso.
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A responsabilidade
Descrição operativa (como funciona)Quem tem essa virtude assume as conseqüências de seus atos intencionados, resultado das decisões que tome ou aceite; e também de seus atos não intencionados, de tal modo que os demais fiquem beneficiados o mais possível ou, pelo menos, não prejudicados; preocupando-se, ao mesmo tempo, de que as outras pessoas em quem pode influir façam o mesmo.A EDUCAÇÃO DA RESPONSABILIDADE1. Reconheço a tendência de cada filho/aluno em relação com a responsabilidade de tal maneira que não pressiono muito à criança, que por si própria, é responsável. (Cada criança nasce de uma maneira diferente e há que recordar que se pode cair em um vício por um excesso da virtude. Possivelmente, esse menino responsável necessita desenvolver outras virtudes, a flexibilidade, a sinceridade ou a compreensão, por exemplo).2. Mando aos filhos/alunos para que tenham a oportunidade de obedecer e viver a responsabilidade. (Uma das maneiras de ser responsável é a de assumir as decisões dos demais. Isto é, obedecer-lhes. Se o educador não manda, não se pode viver a responsabilidade desta maneira).3. Ajudo aos meninos/as a dar-se conta das decisões que estão tomando, de tal forma que possam assumir as conseqüências das mesmas. (Por exemplo, ajudando a um filho a ver como gastou sua "mesada" semanal, a ver as conseqüências de convidar a alguns amigos e não a outros a uma festa de aniversário, a inscrever-se em uma atividade extra escolar no colégio).4. Ofereço diferentes alternativas aos filhos/alunos para que aprendam a discernir entre as vantagens e inconvenientes de cada uma. (Quando se trata de jovens, eles próprios podem pensar nas alternativas. Mas antes convém usar este sistema para que aprendam a descobrir as possíveis conseqüências de seus atos).5. Me preocupo em buscar ou facilitar a informação adequada com respeito a algum tema em que o jovem vai tomar uma decisão, de tal maneira que possa tomá-la responsavelmente. (Aqui nos referimos à etapa em que o jovem ainda não está em condições de assumir autonomamente o processo completo. De fato é freqüente encontrar meninos/as de quatorze ou quinze anos que tomam suas decisões, ou pretendem fazê-lo, com uma falta de prudência considerável. Não reconhecem os perigos ou se acham capazes de superar qualquer dificuldade. Necessitam de ajuda para ser realistas).6. Procuro áreas de autonomia em que os jovens possam tomar suas próprias decisões autonomamente e lhes deixo agüentar as conseqüências de seus erros contanto que não sejam imprudentes. (Quando as coisas saem mal, os educadores têm uma tendência natural a proteger o educando sem deixar-lhe crescer como conseqüência de seus próprios erros). 7. Ajudo aos jovens a dirigir sua atenção para os demais de tal forma que ajudem a seus colegas e amigos a atuar responsavelmente também. (Ser responsável é ajudar aos demais a ser responsável. Por exemplo, uma criança poderia animar a outra a assumir as conseqüências de alguma infração das regras que cometeu, a cumprir com sua palavra, a realizar seu trabalho bem ou a obedecer a seus pais).8. Ajudo aos jovens a reconhecer quais coisas e ante quem devem prestar contas. (Progressivamente podem ir reconhecendo as diferentes autoridades ante quem devem prestar contas. Por exemplo, o professor, os pais, uma autoridade civil e evidentemente Deus).9. Ensino aos filhos/alunos a consultar antes de tomar suas decisões e a quem convém recorrer em cada caso. (De fato se trata de ajudar-lhes a descobrir quem são as autoridades em cada questão. Não se trata de recorrer ao professor para resolver uma dúvida médica e tampouco se trata de recorrer ao médico para resolver um tema escolar).10. Ajudo aos jovens a assumir a responsabilidade de suas ações equivocadas cometidas sem intenção. (Muitas coisas acontecem por falta de previsão ou por ingenuidade, mas também há outras em que dificilmente se pode encontrar algum elemento de responsabilidade pessoal. De todas as formas há que assumir o fato e agüentar aquelas coisas de que não nos sentimos responsáveis. Uma doença, por exemplo).A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A RESPONSABILIDADE11. Assumo plenamente a responsabilidade de ser educador. Tenho uma vivência profunda da importância de minha função. (A responsabilidade supõe este primeiro tipo de decisão consciente de responder pelo que se é. Não se trata tanto de responsabilizar-se por um conjunto de tarefas).12. Vivo a responsabilidade prestando contas às pessoas que têm autoridade sobre mim. (É necessário responder ante alguém para ser responsável e todas as pessoas temos alguma autoridade acima de nós).13. Me comprometo com os valores e com as pessoas que dependem de mim buscando seu bem. (O compromisso é conseqüência de um decisão consciente. É necessário refletir sobre o que é importante para si próprio e a seguir lutar para proteger e defender esses valores).14. Depois de tomar uma decisão ou empreender uma ação, aguento as conseqüências se o assunto sai mal. (Algumas pessoas tentam passar a responsabilidade a outros. Por exemplo, se um filho fracassa em seus estudos principalmente por ter pouca capacidade real para o estudo, alguns pais não o aceitam e passam a responsabilidade do fracasso ao colégio).15. Passo um tempo tentando prever possíveis conseqüências de minhas decisões antes de tomar uma determinação.(Na vida familiar, com frequência os pais reagem frente às situações, em vez de estudar o tema e tomar uma decisão pausada. A responsabilidade requer não apenas assumir as conseqüências dos próprios atos mas também, prever as conseqüências).16. Assumo as conseqüências negativas de minhas ações equivocadas. (Indicadores de que seja assim, serão, por exemplo que o educador saiba pedir desculpas quando haja cometido um erro ou que saiba retificar e não continuar adiante com teimosia em algum assunto, após perceber que se equivocou).17. Habitualmente me comprometo com projetos depois de um estudo sério do assunto, pensando nas conseqüências positivas que pode haver para os demais e sem depender inecessariamente das opiniões dos demais. (Algumas pessoas tendem a não comprometer-se a menos que a maioria dos demais já o tenha feito, ou unicamente quando vê que o assunto está saindo bem).18. Apesar de que existem muitos motivos para ser responsável, entendo que o motivo fundamental tem que ser meu reconhecimento de que tenho o dever de responder ante outra pessoa ou ante Deus. (Uma pessoa pode atuar de uma maneira que parece responsável por fins econômicos, por medo, por eficácia. Entretanto, não reconhece as exigências autênticas da responsabilidade).19. Quando participo em reuniões em que se tomam decisões, assumo as conseqüências ainda que a decisão tomada não seja a que eu considero melhor. (De fato responder pelas decisões tomadas em grupo é difícil. Requer uma dose suficiente de humildade).20. Me responsabilizo do que radicalmente sou. Isto é filho/a de Deus. (Isto requer, por exemplo, recorrer aos Sacramentos, estudar as verdades da fé, buscar uma direção espiritual, viver a fé nas relações com os demais, rezar e reconhecer a Deus como Pai).
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O Respeito
Descrição operativa (como funciona)"Atua ou deixa atuar, procurando não prejudicar nem deixar de beneficiar-se a si próprio nem aos demais, de acordo com seus direitos, com sua condição e com suas circunstâncias."A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O RESPEITO1. Habitualmente consigo um ambiente de compreensão e de aceitação na família ou na classe. (Este ambiente está baseado em um conjunto de pequenos detalhes. Por exemplo, escutar aos demais com atenção, evitar críticas infundadas, cuidar o tom de voz e gestos que mostram desprezo).2. Reconheço a possibilidade radical de melhora dos demais. (O contrário é a tendência a "rotular" aos demais, mostrando que este julgamento é permanente. Por exemplo, que um filho/aluno não é confiável ou que outro sempre será inútil no estudo).3. Tenho claro que as coisas estão a serviço das pessoas, e portanto não têm direitos. (Trata-se de cuidar das coisas para que as pessoas possam aproveitá-las. Por exemplo, não permitir o uso de algum objeto por medo a que um jovem possa danificá-lo - ainda que haja recebido uma instrução adequada de seu uso - não é mostrar respeito por esse objeto, mas, ou melhor, uma falta de respeito para com o jovem).4. Atuo habitualmente com a idéia clara de querer beneficiar aos demais. (O falso respeito leva à pessoa a não beneficiar aos demais porque não quer "meter-se" na vida alheia, ou porque não quer receber alguma resposta brusca do outro).5. Tento não atuar quando creio que, mediante a ação, posso prejudicar a outra pessoa. (Existem ocasiões em que não seria prudente tentar influir sobre outra pessoa. A ação poderia causar mais danos que benefícios).6. Reconheço que diferentes pessoas requerem ser tratadas de maneiras diferentes e, portanto, ser respeitadas segundo suas condições e circunstâncias. (Uma pessoa doente e fraca requer ser respeitada de uma maneira diferente de outra que dispõe de força, vontade, e saúde. Deve-se respeitar ao professor de um modo diferente que a um familiar).7. Antes de atuar em relação com outra pessoa, consigo a máxima informação possível sobre sua situação. (Desta maneira será possível atuar no momento oportuno e ajustar a ação às necessidades reais dessa pessoa).8. Trato a todos com o respeito que merecem. (A todos como filhos de Deus, e aos próprios pais, aos colegas, aos amigos, às autoridades civis, etc. de acordo com a dignidade que lhes corresponde).9. Nas conversações com os demais, evito os julgamentos generalizados, as críticas indiscriminadas e, em geral, os preconceitos de qualquer tipo. (Nas conversações, se podem notar com bastante clareza determinados tipos de falta de respeito. Também se nota as pessoas que preferem calar-se se não têm nada positivo que dizer).10. Penso na melhor maneira de ajudar aos demais, reconhecendo que não existem "receitas mágicas" que servem para todos. (Uma "receita", de fato, mostra que consideramos a todos por igual. Por exemplo não costuma ser útil - e inclusive pode ser uma falta de respeito - pretender impor a outro algo que fazemos em nossa própria família).A EDUCAÇÃO DO RESPEITO11. Ajudo aos pequenos a respeitar a propriedade alheia e a regras do jogo em geral. (Isto requer exigência perseverante por parte dos educadores. As crianças pequenas não reconhecem o conceito abstrato do respeito, mas podem desenvolver hábitos relacionados com a virtude).12. Reconheço o direito dos filhos/alunos a possuir suas próprias posições e lhes ensino a distinguir entre o que é propriedade privada e propriedade de uso comum. (Em algumas famílias ou colégios existe uma tendência a estabelecer todas as coisas como propriedade comum, pensando que isto pode desenvolver a solidariedade. Entretanto, a pessoa tem o direito de adquirir e possuir bens. Procuramos um equilíbrio entre posses particulares e posses de uso comum).13. Ensino aos pequenos a não provocar desgostos aos demais, tirando-lhes suas coisas, quebrando ou sujando sua propriedade ou tratando a eles com pouca consideração. (A criança pode reconhecer esta emoção de desgosto nos demais e, portanto, pode ser um motivo adequado para atuar adequadamente quanto ao respeito).14. Raciocino com os filhos/alunos com a finalidade de que se dêem conta de que as pessoas são diferentes e que há que atuar de uma maneira diferente com cada uma. (Isto significa explicar-lhes que há uma maneira de atuar com seus pais, outra com seus professores, outra com seus amigos, outra com desconhecidos etc).15. Chamo a atenção aos filhos/alunos para que se dêem conta de que é uma falta de respeito criticar aos demais, falar mal deles por trás ou desprezá-los. (São condutas freqüentes, mas muito menos naqueles/as meninos/as que convivem com adultos que dão um bom exemplo neste sentido).16. Ajudo aos jovens a reconhecer o respeito devido a seus irmãos/ãs e colegas, a sua intimidade, a suas posses, a seu direito a uma boa reputação. (O respeito é especialmente difícil em grupos em que não se pode escolher as pessoas com as quais se tem que relacionar. É o caso da família ou da classe).17. Ajudo aos jovens a descobrir como podem influir negativamente nos demais aproveitando suas emoções ou o fato de terem uma idade superior. (Por exemplo, às vezes os meninos aproveitam da sensibilidade emocional das meninas para conseguir seus objetivos. Também os irmãos mais velhos têm uma tendência de "aproveitar-se" dos irmãos menores).18. Ensino aos jovens a reconhecer os perigos que existe em relação com possíveis faltas de respeito. (Na educação, raramente nos encontramos com procedimentos inovadores para conseguir nossos objetivos. Com os jovens, é necessário raciocinar, dando-lhes uma informação clara, curta e concisa sobre o tema que nos interessa explicar).19. Falo com os jovens de tal maneira que compreendam que devem respeitar a seus pais durante toda a vida. (Devem obedecer-lhes enquanto vivam sob o mesmo teto, ou enquanto sejam menores, ainda que não vivam sob o mesmo teto).20. Consigo que os jovens não empreguem palavras injuriosas, que não tenham uma atitude desprezível para determinados tipos de pessoa e que não tratem mal a pessoa alguma. (Apesar de que queremos enfocar a educação positivamente buscando situações em que os jovens tratem aos demais com autêntico respeito, também é necessário prevenir algumas atuações que, de fato, refletem faltas importantes de respeito para com os demais).Como proceder à auto-avaliaçãoNo texto encontram-se uma série de questões para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.Com respeito a cada questão, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.
Publicada por Missão em 12:30 0 comentários

O Pudor
Descrição operativa (como funciona)"Reconhece o valor de sua intimidade e respeita a dos demais. Mantém sua intimidade protegida de estranhos, repudiando o que pode prejudicá-la e a descobre unicamente em circunstâncias que sirvam para a melhora própria ou alheia"A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O PUDOR1. Reconheço o valor de minha intimidade e dos diferentes aspectos que a compõem: a alma, partes do corpo, os sentimentos, os pensamentos. (Só se pode fazer bom uso do que alguém conhece e aprecia. Se não se dá importância aos sentimentos ou pensamentos próprios, por exemplo, uma pessoa pode terminar compartilhando-os com qualquer pessoa em qualquer momento).2. Entendo que, às vezes, é preciso guardar a intimidade própria e, às vezes, convém compartilhá-la com outro. Quando compartilho minha intimidade, o faço pensando no bem que pode resultar para outra pessoa e/ou o bem previsível para si próprio. (Se refere à possibilidade de compartilhar experiências pessoais íntimas ou problemas pessoais buscando uma ajuda para superá-las, por exemplo).3. Guardo e protejo os aspectos íntimos de meu ser com o fim de usar bem o que Deus me deu e com o fim de realizar minhas ações para a glória de Deus. (As vezes se seguem condutas ou costumes relacionados com o pudor cegamente, sem saber o por que. Isto pode produzir pessoas escrupulosas ou, simplesmente, egoístas).4. Sou capaz de estar a sós comigo mesmo sem ruído e sem atividade, e também busco estes momentos com certa freqüência. (O silêncio produz as condições adequadas para refletir e conhecer-se melhor. A vida atual tende a complicar-se tanto que é necessário prever estes momentos de um modo consciente).5. Antes de falar ou de atuar, tento reconhecer as necessidades reais das pessoas em meu entorno, com o fim de saber se convém compartilhar algum aspecto de minha intimidade com elas. Quando parece oportuno, o faço sem pensar em que grau a própria imagem pode ficar modificada frente a essa pessoa. (Está claro que é necessário pensar antes de lançar-se a contar aspectos da própria intimidade. Mas, trata-se de fazê-lo se cremos que pode fazer bem a outro. Às vezes não o fazemos porque não queremos que a outra pessoa modifique a impressão boa mas um pouco falsa que tem de nós).6. Compartilho minha intimidade com alguma pessoa de confiança com o fim de receber a ajuda que necessito para crescer. (Isto é especialmente evidente na vida espiritual e é um dos fins do sacramento da Confissão. Entretanto, há outros aspectos da vida em que convém contar com o cônjuge, um bom amigo ou com algum profissional competente).7. Me preocupo de conseguir que exista uma adequada distribuição dos espaços na casa ou no colégio, com o fim de que os membros possam viver seu direito à intimidade. (Como seria bom se cada membro da família pudesse dispor de seu próprio dormitório, ou pelo menos de um armário. Também há que cuidar as áreas em que os membros da família ou do colégio, se vestem ou se despem para mudar de roupa).8. Habitualmente me visto sem faltar às normas elementares de pudor. (Um critério a seguir poderia ser perguntar se um membro do outro sexo, em uma situação normal, poderia ser provocado pela minha maneira de vestir. Não é tanto uma questão de centímetros quadrados do corpo cobertos, mas da maneira de usar a roupa e a maneira de andar ou sentar-se).9. Cuido de minha linguagem habitualmente, com o fim de que não seja nem vulgar nem grosseira. E muito menos utilizando palavras que podem ofender a Deus.(Pode ser útil pensar de vez em quando que somos filhos de Deus e como reagiria esse Pai bom frente a nossa maneira de expressar-nos. Se somos sensíveis, poderemos notar que outras pessoas sofrem desnecessariamente quando se utiliza um vocabulário incorreto ou quando se contam acontecimentos ou anedotas que representam uma ação de violência frente à intimidade).10. Possuo paixões fortes, mas as controlo com minha vontade. (O pudor não significa que a pessoa não deva ter paixões fortes. Pelo contrário. Se não fosse assim, para viver o pudor seria necessário ser indiferentes na vida. É necessário ter paixões fortes, mas dominadas pela vontade, de tal maneira que as expresso no momento adequado e na presença das pessoas apropriadas).A EDUCAÇÃO DO PUDOR1. Ajudo aos pequenos a reconhecer quais são as coisas íntimas que devem cuidar. (Na maioria dos casos, as crianças pequenas não entenderão o que é a intimidade em si. A consciência da intimidade não se desperta até os onze ou doze anos. Entretanto, podemos habituar-lhes a reconhecer quais são as condutas adequadas com relação a intimidade de outros).2. Acostumo aos pequenos a respeitar a intimidade dos demais. (Se trata de um conjunto de detalhes. Por exemplo: bater à porta antes de entrar no dormitório de outro; não contar coisas íntimas de membros da família ou de seus amigos a outros; saber desligar a tevê quando há programas que podem prejudicar a intimidade, não andar pela casa despidos).3. Acostumo aos filhos/alunos a fazer perguntas em particular que se referem a aspectos do pudor. (Cada menino/a tem necessidades diferentes e , portanto, necessita de respostas diferentes).4. Pais: Dou uma educação sexual a meus filhos, adaptada às necessidades de cada um, de uma forma natural, e com delicadeza. Professores: Tento conseguir que os pais se ocupem da educação sexual de seus próprios filhos, e como mal menor atender a determinados alunos a título pessoal.(É necessário dispor de vocabulário técnico adequado, tratar o tema como um processo contínuo, e relacionar o tema com o amor e com a fé).5. Ajudo aos jovens a dar-se conta das influências que há na televisão, nas revistas, no cinema, que vão contra o pudor e a aprender a guardar os sentidos. (Necessitam reconhecer a importância de proteger sua intimidade. Se não, não terá sentido guardar os sentidos).6. Dialogo com os jovens para que se dêem conta de que não é adequado bisbilhotar aspectos da intimidade dos demais e nem incentivo-os a vestir-se ou comportar-se contrariamente ao seu próprio pudor. (As vezes isto acontece nas relações com pessoas do mesmo sexo, mas também nas relações sociais com membros do outro sexo. Chegar a respeitar aos demais requer dar-se conta da dignidade de cada um como filho/a de Deus).7. Insisto no uso adequado da linguagem evitando que os jovens utilizem expressões grosseiras ou vulgares que vão contra o pudor. (Convém insistir desde pequenos na família e chamar a atenção sobre a linguagem inadequada usada com freqüência na televisão, etc.).8. Explico aos jovens como podem compartilhar seus pensamentos ou seus sentimentos próprios com outros quando acreditam que, assim, lhes podem ajudar. (O pudor ajuda a guardar e proteger a própria intimidade mas não tira o dever de ajudar aos demais prudentemente, compartilhando algum aspecto).9. Acostumo aos filhos/alunos a recorrer à pessoa adequada para ajudar-lhes a crescer em questões íntimas. (Isto pode significar: apresentar-lhes a algum sacerdote que lhes pode dirigir em sua vida espiritual; animar-lhes a falar com algum jovem mais velho que eles mas com bom critério; ou, simplesmente, que falem com o cônjuge ou com seu pai ou com sua mãe).10. Ajudo aos jovens a reconhecer quais são os lugares que convém não freqüentar se querem cuidar do pudor. (O ambiente do "o que estão fazendo os demais" pode influir muito, inclusive naqueles jovens que inicialmente tenham critérios corretos).Como proceder à auto-avaliaçãoNo texto encontram-se uma série de questões para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.Com respeito a cada questão, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

Virtudes humanas: empatía, responsabilidade, respeito, pudor


A Empatía
A educação da percepção empáticaSeria absurdo pensar que, nestas breves linhas, vai ser encontrada a solução do problema da educação da percepção empática, quando tantos sábios, durante tanto tempo, estiveram estudando o tema sem chegar a um acordo a respeito das conclusões operativas.A maioria dos psicólogos está de acordo em que é necessário empatia, apreço positivo e calor humano nas relações com os demais. Mas não está claro como viver nem como ensinar a empatia. Algumas pessoas nascem com ela; outras, não. Aqui se trata de oferecer uma série de sugestões para ajudar os pais na educação de seus filhos. Não é um programa, mas sim, pontos em que se pode começar a luta de superação pessoal.Inicialmente pode-se pensar em alguns esclarecimentos que convirá fazer ao adolescente:- Nem todos somos iguais. Cada um raciocina de modo diverso frente a distintos estímulos. Portanto, não se trata de acreditar que outra pessoa vai sentir o mesmo que alguém em uma determinada situação. Este problema, de fato, continua existindo nas pessoas adultas. Por exemplo, algumas pessoas dizem: "isto não me incomoda, por que tem que incomodar o outro?".- O que dizem ou o que fazem as pessoas não é necessariamente reflexo fiel de suas intenções ou sentimentos íntimos. Antes de considerar quais são os fatores que estão influenciando mais em uma situação, se trata de saber qual é a situação real, não o que fica refletido no comportamento aparente.- É muito fácil ser simplista, crendo que há só uma causa para um determinado problema. Normalmente existe um conjunto de causas. Não se trata de aceitar a primeira causa, percebida como a única verdadeira.- Em situações normais -não em casos atípicos-, talvez o mais importante para outro é saber que alguém se preocupa por ele, mas que, ao mesmo tempo, respeita sua intimidade.- Por último, não se trata de chegar a compreender completamente. Isso jamais será possível. A dificuldade fica refletida na contestação de um pai à sua filha adolescente, depois de a filha lhe dizer que não o compreende: "Minha filha, como vou compreendê-la se nem sequer você se compreende a você mesma?".Poderíamos resumir, dizendo que a compreensão que buscamos deve traduzir em uma ajuda para que o outro chegue a compreender a si próprio, o suficiente para pôr os meios, a fim de superar sua dificuldade ou empreender uma luta de melhora.De todas as formas, devem ser considerados diversos tipos de fatores que podem ter influenciado nos sentimentos ou no comportamento de uma pessoa, para diagnosticar melhor o problema. Em relação a estes fatores, existe a tentação de perguntar diretamente ao outro: "o que há com você?" e, claro, na grande maioria dos casos a resposta é: -"Nada".Pode haver influenciado na situação:- algo que fez anteriormente. Pode existir uma relação estreita entre um estado de tristeza em um filho, por exemplo, e o haver colado em uma prova;- algo que deixou de fazer. Por exemplo, a relação entre um estado de tristeza e não ter estudado para uma prova;- algo que outra pessoa lhe fez. A relação entre o castigo do professor, por ter colado, e o estado de tristeza;- algo que outro não fez;- algo que pensou, viu ou sentiu ou escutou.Damos alguns exemplos nesta relação para explicar o difícil que pode ser conseguir descobrir qual é o problema real ou quais são as causas do problema. Por exemplo, ao notar que um filho está triste, poderia ter lhe perguntado diretamente para descobrir qual era a causa. Talvez respondeu que havia sido porque o professor o havia castigado. Mas, realmente foi assim? Poderia ter sido também porque o professor descobriu-o colando, ou porque se deu conta de que devia ter estudado mais, ou porque algum companheiro havia zombado dele por ter colado, etc. A atuação do que quer ajudar será diferente em cada caso. Se o menino percebeu que não devia ter colado, tratar-se á de ajudá-lo a superar o desgosto, e a estudar mais. Mas se está triste porque foi descoberto pelo professor, a compreensão não deve apoiar este sentimento. A compreensão, portanto, não conduz necessariamente à aceitação do sentimento ou do comportamento do outro. A compreensão supõe ter descoberto o que realmente acontece ao outro, a seguir, de seu ponto de vista -portanto, aceitando-o tal como é-, buscar um caminho de melhora.E como podemos desenvolver esta capacidade nos filhos? Ajudando-os a reconhecer os distintos sentimentos nos demais, e seus distintos comportamentos. Isto é, educando a sensibilidade. Na prática, significará uma série de perguntas tais, como: "Reparou que seu irmão está muito contente, aborrecido, triste, satisfeito, etc.? Por que será? Está certo? Que outras razões pode haver? Por que seu irmão haverá feito isso?, etc. Além disso, não só se trata de ajudar os filhos a compreenderem seus irmãos, mas também seus companheiros, seus professores e, inclusive, seus próprios pais. Falou-se muito que os pais têm que compreender seus filhos. Mas os filhos também têm que aprender a compreenderem seus pais. E isto é um papel importante de cada cônjuge com os filhos. Isto é, a mãe pode ajudar os filhos a compreenderem seu pai e vice-versa.A comunicação da compreensãoSegundo o tipo de problema que tem o outro, será necessário: compreendê-lo e mostrar a compreensão; compreendê-lo e não atuar; mostrar preocupação por ele e não esforçar-se por compreendê-lo muito. Tratar-se-á de compreender e não atuar quando o filho é capaz de superar a dificuldade sem ajuda. Pode ser o caso de um menino que se desgostou por uma coisa sem importância e sabe que é consciente de que foi uma bobagem. Prestar excessiva atenção neste momento pode ser contraproducente, porque supõe exagerar algo que o filho quer esquecer rapidamente. Em outros casos, o filho pode superar o problema, mas necessita de um apoio afetivo; necessita saber que alguém está preocupado com ele. Portanto, tampouco se trata de perguntar demasiado. Assim, podemos distinguir entre compreender a pessoa, seus sentimentos e seu comportamento, e compreender o que necessita.Aqui vamos centrar a atenção na necessidade de sentir-se compreendido. Existem numerosos estudos sobre técnicas de comunicação. Mas tampouco se trata de conseguir que nossos filhos sejam peritos na orientação de seus irmãos e de seus companheiros. Preferimos agora comentar brevemente alguns modos de atuar que podem facilitar o processo, sem pretender aperfeiçoar muito.- Trata-se de mostrar que alguém compreendeu, não que alguém julgou. Portanto, haverá que cuidar do próprio modo de expressar-se. Trata-se de evitar expressões valorativas e tentar o uso de uma linguagem descritiva. O ser humano se sente compreendido quando a pessoa que o está escutando repete, às vezes com suas próprias palavras, o que explicou, o que contou, mas sem valorizar o conteúdo.- Trata-se de ajudar o outro a resolver um problema. Portanto, haverá que evitar estabelecimentos predeterminados. O enfoque é: "Vamos ver o que podemos fazer". Não deve ser: "Isto é o que tem que ser feito".- Para continuar a compreensão, também é necessário tempo e condições adequadas. Trata-se de mostrar afeto e atenção. Isto não pode ser feito adequadamente com interrupções -chamadas telefônicas, etc. Se um irmão maior quiser ajudar um irmão pequeno, certamente será melhor que saiam de casa para dar um passeio ou, pelo menos, que busquem um lugar onde não vai haver interrupções.- Por último, trata-se de mostrar que um não está "por cima" do problema do outro. Isto é, fazer pensar que, ainda que um compreenda o problema do outro, jamais poderia ocorrer-lhe isso a si próprio. Isto seria uma atitude de superioridade que mostraria, entre outras coisas, a falta de capacidade de compreensão.Por tudo o que dissemos, ficará claro que a virtude da compreensão é especialmente importante para os pais, mas também para os filhos, sobretudo adolescentes. Porque os filhos podem ser uma ajuda muito eficaz para seus pais, em relação a seus irmãos menores. Às vezes, é difícil para os pais compreenderem o que acontece com seus filhos. Em troca, entre eles se entendem "maravilhosamente". Reconhecer este fato é também compreender.A compreensão dos demais começa com o esforço de tentar compreender-se a si próprio. Necessitamos estar lutando para superar nossos próprios preconceitos, para evitar sentimentos indignos ou desnecessários que obstaculizam nosso processo de melhora. Conhecendo nossas próprias fraquezas, se trata de evitar as circunstâncias que as provocam, ou pelo menos, preparar-se para não cair outra vez no mesmo sentimento ou no mesmo comportamento. Isto é saber retificar. A retificação pode ser aplicada a atos injustos realizados frente aos demais, mas saber retificar é um ato imprescindível para a compreensão de si próprio. Quando chegamos a reconhecer as principais causas de nossos estados de ânimo ou de nossos próprios comportamentos, é essa compreensão que dá força para buscar a ajuda necessária e voltar a começar.Entretanto, nunca chegaremos a nos conhecer nem a nos compreender totalmente -muito menos, aos demais- porque o ser humano é um ser misterioso.
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A responsabilidade
Descrição operativa (como funciona)Quem tem essa virtude assume as conseqüências de seus atos intencionados, resultado das decisões que tome ou aceite; e também de seus atos não intencionados, de tal modo que os demais fiquem beneficiados o mais possível ou, pelo menos, não prejudicados; preocupando-se, ao mesmo tempo, de que as outras pessoas em quem pode influir façam o mesmo.A EDUCAÇÃO DA RESPONSABILIDADE1. Reconheço a tendência de cada filho/aluno em relação com a responsabilidade de tal maneira que não pressiono muito à criança, que por si própria, é responsável. (Cada criança nasce de uma maneira diferente e há que recordar que se pode cair em um vício por um excesso da virtude. Possivelmente, esse menino responsável necessita desenvolver outras virtudes, a flexibilidade, a sinceridade ou a compreensão, por exemplo).2. Mando aos filhos/alunos para que tenham a oportunidade de obedecer e viver a responsabilidade. (Uma das maneiras de ser responsável é a de assumir as decisões dos demais. Isto é, obedecer-lhes. Se o educador não manda, não se pode viver a responsabilidade desta maneira).3. Ajudo aos meninos/as a dar-se conta das decisões que estão tomando, de tal forma que possam assumir as conseqüências das mesmas. (Por exemplo, ajudando a um filho a ver como gastou sua "mesada" semanal, a ver as conseqüências de convidar a alguns amigos e não a outros a uma festa de aniversário, a inscrever-se em uma atividade extra escolar no colégio).4. Ofereço diferentes alternativas aos filhos/alunos para que aprendam a discernir entre as vantagens e inconvenientes de cada uma. (Quando se trata de jovens, eles próprios podem pensar nas alternativas. Mas antes convém usar este sistema para que aprendam a descobrir as possíveis conseqüências de seus atos).5. Me preocupo em buscar ou facilitar a informação adequada com respeito a algum tema em que o jovem vai tomar uma decisão, de tal maneira que possa tomá-la responsavelmente. (Aqui nos referimos à etapa em que o jovem ainda não está em condições de assumir autonomamente o processo completo. De fato é freqüente encontrar meninos/as de quatorze ou quinze anos que tomam suas decisões, ou pretendem fazê-lo, com uma falta de prudência considerável. Não reconhecem os perigos ou se acham capazes de superar qualquer dificuldade. Necessitam de ajuda para ser realistas).6. Procuro áreas de autonomia em que os jovens possam tomar suas próprias decisões autonomamente e lhes deixo agüentar as conseqüências de seus erros contanto que não sejam imprudentes. (Quando as coisas saem mal, os educadores têm uma tendência natural a proteger o educando sem deixar-lhe crescer como conseqüência de seus próprios erros). 7. Ajudo aos jovens a dirigir sua atenção para os demais de tal forma que ajudem a seus colegas e amigos a atuar responsavelmente também. (Ser responsável é ajudar aos demais a ser responsável. Por exemplo, uma criança poderia animar a outra a assumir as conseqüências de alguma infração das regras que cometeu, a cumprir com sua palavra, a realizar seu trabalho bem ou a obedecer a seus pais).8. Ajudo aos jovens a reconhecer quais coisas e ante quem devem prestar contas. (Progressivamente podem ir reconhecendo as diferentes autoridades ante quem devem prestar contas. Por exemplo, o professor, os pais, uma autoridade civil e evidentemente Deus).9. Ensino aos filhos/alunos a consultar antes de tomar suas decisões e a quem convém recorrer em cada caso. (De fato se trata de ajudar-lhes a descobrir quem são as autoridades em cada questão. Não se trata de recorrer ao professor para resolver uma dúvida médica e tampouco se trata de recorrer ao médico para resolver um tema escolar).10. Ajudo aos jovens a assumir a responsabilidade de suas ações equivocadas cometidas sem intenção. (Muitas coisas acontecem por falta de previsão ou por ingenuidade, mas também há outras em que dificilmente se pode encontrar algum elemento de responsabilidade pessoal. De todas as formas há que assumir o fato e agüentar aquelas coisas de que não nos sentimos responsáveis. Uma doença, por exemplo).A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A RESPONSABILIDADE11. Assumo plenamente a responsabilidade de ser educador. Tenho uma vivência profunda da importância de minha função. (A responsabilidade supõe este primeiro tipo de decisão consciente de responder pelo que se é. Não se trata tanto de responsabilizar-se por um conjunto de tarefas).12. Vivo a responsabilidade prestando contas às pessoas que têm autoridade sobre mim. (É necessário responder ante alguém para ser responsável e todas as pessoas temos alguma autoridade acima de nós).13. Me comprometo com os valores e com as pessoas que dependem de mim buscando seu bem. (O compromisso é conseqüência de um decisão consciente. É necessário refletir sobre o que é importante para si próprio e a seguir lutar para proteger e defender esses valores).14. Depois de tomar uma decisão ou empreender uma ação, aguento as conseqüências se o assunto sai mal. (Algumas pessoas tentam passar a responsabilidade a outros. Por exemplo, se um filho fracassa em seus estudos principalmente por ter pouca capacidade real para o estudo, alguns pais não o aceitam e passam a responsabilidade do fracasso ao colégio).15. Passo um tempo tentando prever possíveis conseqüências de minhas decisões antes de tomar uma determinação.(Na vida familiar, com frequência os pais reagem frente às situações, em vez de estudar o tema e tomar uma decisão pausada. A responsabilidade requer não apenas assumir as conseqüências dos próprios atos mas também, prever as conseqüências).16. Assumo as conseqüências negativas de minhas ações equivocadas. (Indicadores de que seja assim, serão, por exemplo que o educador saiba pedir desculpas quando haja cometido um erro ou que saiba retificar e não continuar adiante com teimosia em algum assunto, após perceber que se equivocou).17. Habitualmente me comprometo com projetos depois de um estudo sério do assunto, pensando nas conseqüências positivas que pode haver para os demais e sem depender inecessariamente das opiniões dos demais. (Algumas pessoas tendem a não comprometer-se a menos que a maioria dos demais já o tenha feito, ou unicamente quando vê que o assunto está saindo bem).18. Apesar de que existem muitos motivos para ser responsável, entendo que o motivo fundamental tem que ser meu reconhecimento de que tenho o dever de responder ante outra pessoa ou ante Deus. (Uma pessoa pode atuar de uma maneira que parece responsável por fins econômicos, por medo, por eficácia. Entretanto, não reconhece as exigências autênticas da responsabilidade).19. Quando participo em reuniões em que se tomam decisões, assumo as conseqüências ainda que a decisão tomada não seja a que eu considero melhor. (De fato responder pelas decisões tomadas em grupo é difícil. Requer uma dose suficiente de humildade).20. Me responsabilizo do que radicalmente sou. Isto é filho/a de Deus. (Isto requer, por exemplo, recorrer aos Sacramentos, estudar as verdades da fé, buscar uma direção espiritual, viver a fé nas relações com os demais, rezar e reconhecer a Deus como Pai).
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O Respeito
Descrição operativa (como funciona)"Atua ou deixa atuar, procurando não prejudicar nem deixar de beneficiar-se a si próprio nem aos demais, de acordo com seus direitos, com sua condição e com suas circunstâncias."A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O RESPEITO1. Habitualmente consigo um ambiente de compreensão e de aceitação na família ou na classe. (Este ambiente está baseado em um conjunto de pequenos detalhes. Por exemplo, escutar aos demais com atenção, evitar críticas infundadas, cuidar o tom de voz e gestos que mostram desprezo).2. Reconheço a possibilidade radical de melhora dos demais. (O contrário é a tendência a "rotular" aos demais, mostrando que este julgamento é permanente. Por exemplo, que um filho/aluno não é confiável ou que outro sempre será inútil no estudo).3. Tenho claro que as coisas estão a serviço das pessoas, e portanto não têm direitos. (Trata-se de cuidar das coisas para que as pessoas possam aproveitá-las. Por exemplo, não permitir o uso de algum objeto por medo a que um jovem possa danificá-lo - ainda que haja recebido uma instrução adequada de seu uso - não é mostrar respeito por esse objeto, mas, ou melhor, uma falta de respeito para com o jovem).4. Atuo habitualmente com a idéia clara de querer beneficiar aos demais. (O falso respeito leva à pessoa a não beneficiar aos demais porque não quer "meter-se" na vida alheia, ou porque não quer receber alguma resposta brusca do outro).5. Tento não atuar quando creio que, mediante a ação, posso prejudicar a outra pessoa. (Existem ocasiões em que não seria prudente tentar influir sobre outra pessoa. A ação poderia causar mais danos que benefícios).6. Reconheço que diferentes pessoas requerem ser tratadas de maneiras diferentes e, portanto, ser respeitadas segundo suas condições e circunstâncias. (Uma pessoa doente e fraca requer ser respeitada de uma maneira diferente de outra que dispõe de força, vontade, e saúde. Deve-se respeitar ao professor de um modo diferente que a um familiar).7. Antes de atuar em relação com outra pessoa, consigo a máxima informação possível sobre sua situação. (Desta maneira será possível atuar no momento oportuno e ajustar a ação às necessidades reais dessa pessoa).8. Trato a todos com o respeito que merecem. (A todos como filhos de Deus, e aos próprios pais, aos colegas, aos amigos, às autoridades civis, etc. de acordo com a dignidade que lhes corresponde).9. Nas conversações com os demais, evito os julgamentos generalizados, as críticas indiscriminadas e, em geral, os preconceitos de qualquer tipo. (Nas conversações, se podem notar com bastante clareza determinados tipos de falta de respeito. Também se nota as pessoas que preferem calar-se se não têm nada positivo que dizer).10. Penso na melhor maneira de ajudar aos demais, reconhecendo que não existem "receitas mágicas" que servem para todos. (Uma "receita", de fato, mostra que consideramos a todos por igual. Por exemplo não costuma ser útil - e inclusive pode ser uma falta de respeito - pretender impor a outro algo que fazemos em nossa própria família).A EDUCAÇÃO DO RESPEITO11. Ajudo aos pequenos a respeitar a propriedade alheia e a regras do jogo em geral. (Isto requer exigência perseverante por parte dos educadores. As crianças pequenas não reconhecem o conceito abstrato do respeito, mas podem desenvolver hábitos relacionados com a virtude).12. Reconheço o direito dos filhos/alunos a possuir suas próprias posições e lhes ensino a distinguir entre o que é propriedade privada e propriedade de uso comum. (Em algumas famílias ou colégios existe uma tendência a estabelecer todas as coisas como propriedade comum, pensando que isto pode desenvolver a solidariedade. Entretanto, a pessoa tem o direito de adquirir e possuir bens. Procuramos um equilíbrio entre posses particulares e posses de uso comum).13. Ensino aos pequenos a não provocar desgostos aos demais, tirando-lhes suas coisas, quebrando ou sujando sua propriedade ou tratando a eles com pouca consideração. (A criança pode reconhecer esta emoção de desgosto nos demais e, portanto, pode ser um motivo adequado para atuar adequadamente quanto ao respeito).14. Raciocino com os filhos/alunos com a finalidade de que se dêem conta de que as pessoas são diferentes e que há que atuar de uma maneira diferente com cada uma. (Isto significa explicar-lhes que há uma maneira de atuar com seus pais, outra com seus professores, outra com seus amigos, outra com desconhecidos etc).15. Chamo a atenção aos filhos/alunos para que se dêem conta de que é uma falta de respeito criticar aos demais, falar mal deles por trás ou desprezá-los. (São condutas freqüentes, mas muito menos naqueles/as meninos/as que convivem com adultos que dão um bom exemplo neste sentido).16. Ajudo aos jovens a reconhecer o respeito devido a seus irmãos/ãs e colegas, a sua intimidade, a suas posses, a seu direito a uma boa reputação. (O respeito é especialmente difícil em grupos em que não se pode escolher as pessoas com as quais se tem que relacionar. É o caso da família ou da classe).17. Ajudo aos jovens a descobrir como podem influir negativamente nos demais aproveitando suas emoções ou o fato de terem uma idade superior. (Por exemplo, às vezes os meninos aproveitam da sensibilidade emocional das meninas para conseguir seus objetivos. Também os irmãos mais velhos têm uma tendência de "aproveitar-se" dos irmãos menores).18. Ensino aos jovens a reconhecer os perigos que existe em relação com possíveis faltas de respeito. (Na educação, raramente nos encontramos com procedimentos inovadores para conseguir nossos objetivos. Com os jovens, é necessário raciocinar, dando-lhes uma informação clara, curta e concisa sobre o tema que nos interessa explicar).19. Falo com os jovens de tal maneira que compreendam que devem respeitar a seus pais durante toda a vida. (Devem obedecer-lhes enquanto vivam sob o mesmo teto, ou enquanto sejam menores, ainda que não vivam sob o mesmo teto).20. Consigo que os jovens não empreguem palavras injuriosas, que não tenham uma atitude desprezível para determinados tipos de pessoa e que não tratem mal a pessoa alguma. (Apesar de que queremos enfocar a educação positivamente buscando situações em que os jovens tratem aos demais com autêntico respeito, também é necessário prevenir algumas atuações que, de fato, refletem faltas importantes de respeito para com os demais).Como proceder à auto-avaliaçãoNo texto encontram-se uma série de questões para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.Com respeito a cada questão, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.
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O Pudor
Descrição operativa (como funciona)"Reconhece o valor de sua intimidade e respeita a dos demais. Mantém sua intimidade protegida de estranhos, repudiando o que pode prejudicá-la e a descobre unicamente em circunstâncias que sirvam para a melhora própria ou alheia"A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O PUDOR1. Reconheço o valor de minha intimidade e dos diferentes aspectos que a compõem: a alma, partes do corpo, os sentimentos, os pensamentos. (Só se pode fazer bom uso do que alguém conhece e aprecia. Se não se dá importância aos sentimentos ou pensamentos próprios, por exemplo, uma pessoa pode terminar compartilhando-os com qualquer pessoa em qualquer momento).2. Entendo que, às vezes, é preciso guardar a intimidade própria e, às vezes, convém compartilhá-la com outro. Quando compartilho minha intimidade, o faço pensando no bem que pode resultar para outra pessoa e/ou o bem previsível para si próprio. (Se refere à possibilidade de compartilhar experiências pessoais íntimas ou problemas pessoais buscando uma ajuda para superá-las, por exemplo).3. Guardo e protejo os aspectos íntimos de meu ser com o fim de usar bem o que Deus me deu e com o fim de realizar minhas ações para a glória de Deus. (As vezes se seguem condutas ou costumes relacionados com o pudor cegamente, sem saber o por que. Isto pode produzir pessoas escrupulosas ou, simplesmente, egoístas).4. Sou capaz de estar a sós comigo mesmo sem ruído e sem atividade, e também busco estes momentos com certa freqüência. (O silêncio produz as condições adequadas para refletir e conhecer-se melhor. A vida atual tende a complicar-se tanto que é necessário prever estes momentos de um modo consciente).5. Antes de falar ou de atuar, tento reconhecer as necessidades reais das pessoas em meu entorno, com o fim de saber se convém compartilhar algum aspecto de minha intimidade com elas. Quando parece oportuno, o faço sem pensar em que grau a própria imagem pode ficar modificada frente a essa pessoa. (Está claro que é necessário pensar antes de lançar-se a contar aspectos da própria intimidade. Mas, trata-se de fazê-lo se cremos que pode fazer bem a outro. Às vezes não o fazemos porque não queremos que a outra pessoa modifique a impressão boa mas um pouco falsa que tem de nós).6. Compartilho minha intimidade com alguma pessoa de confiança com o fim de receber a ajuda que necessito para crescer. (Isto é especialmente evidente na vida espiritual e é um dos fins do sacramento da Confissão. Entretanto, há outros aspectos da vida em que convém contar com o cônjuge, um bom amigo ou com algum profissional competente).7. Me preocupo de conseguir que exista uma adequada distribuição dos espaços na casa ou no colégio, com o fim de que os membros possam viver seu direito à intimidade. (Como seria bom se cada membro da família pudesse dispor de seu próprio dormitório, ou pelo menos de um armário. Também há que cuidar as áreas em que os membros da família ou do colégio, se vestem ou se despem para mudar de roupa).8. Habitualmente me visto sem faltar às normas elementares de pudor. (Um critério a seguir poderia ser perguntar se um membro do outro sexo, em uma situação normal, poderia ser provocado pela minha maneira de vestir. Não é tanto uma questão de centímetros quadrados do corpo cobertos, mas da maneira de usar a roupa e a maneira de andar ou sentar-se).9. Cuido de minha linguagem habitualmente, com o fim de que não seja nem vulgar nem grosseira. E muito menos utilizando palavras que podem ofender a Deus.(Pode ser útil pensar de vez em quando que somos filhos de Deus e como reagiria esse Pai bom frente a nossa maneira de expressar-nos. Se somos sensíveis, poderemos notar que outras pessoas sofrem desnecessariamente quando se utiliza um vocabulário incorreto ou quando se contam acontecimentos ou anedotas que representam uma ação de violência frente à intimidade).10. Possuo paixões fortes, mas as controlo com minha vontade. (O pudor não significa que a pessoa não deva ter paixões fortes. Pelo contrário. Se não fosse assim, para viver o pudor seria necessário ser indiferentes na vida. É necessário ter paixões fortes, mas dominadas pela vontade, de tal maneira que as expresso no momento adequado e na presença das pessoas apropriadas).A EDUCAÇÃO DO PUDOR1. Ajudo aos pequenos a reconhecer quais são as coisas íntimas que devem cuidar. (Na maioria dos casos, as crianças pequenas não entenderão o que é a intimidade em si. A consciência da intimidade não se desperta até os onze ou doze anos. Entretanto, podemos habituar-lhes a reconhecer quais são as condutas adequadas com relação a intimidade de outros).2. Acostumo aos pequenos a respeitar a intimidade dos demais. (Se trata de um conjunto de detalhes. Por exemplo: bater à porta antes de entrar no dormitório de outro; não contar coisas íntimas de membros da família ou de seus amigos a outros; saber desligar a tevê quando há programas que podem prejudicar a intimidade, não andar pela casa despidos).3. Acostumo aos filhos/alunos a fazer perguntas em particular que se referem a aspectos do pudor. (Cada menino/a tem necessidades diferentes e , portanto, necessita de respostas diferentes).4. Pais: Dou uma educação sexual a meus filhos, adaptada às necessidades de cada um, de uma forma natural, e com delicadeza. Professores: Tento conseguir que os pais se ocupem da educação sexual de seus próprios filhos, e como mal menor atender a determinados alunos a título pessoal.(É necessário dispor de vocabulário técnico adequado, tratar o tema como um processo contínuo, e relacionar o tema com o amor e com a fé).5. Ajudo aos jovens a dar-se conta das influências que há na televisão, nas revistas, no cinema, que vão contra o pudor e a aprender a guardar os sentidos. (Necessitam reconhecer a importância de proteger sua intimidade. Se não, não terá sentido guardar os sentidos).6. Dialogo com os jovens para que se dêem conta de que não é adequado bisbilhotar aspectos da intimidade dos demais e nem incentivo-os a vestir-se ou comportar-se contrariamente ao seu próprio pudor. (As vezes isto acontece nas relações com pessoas do mesmo sexo, mas também nas relações sociais com membros do outro sexo. Chegar a respeitar aos demais requer dar-se conta da dignidade de cada um como filho/a de Deus).7. Insisto no uso adequado da linguagem evitando que os jovens utilizem expressões grosseiras ou vulgares que vão contra o pudor. (Convém insistir desde pequenos na família e chamar a atenção sobre a linguagem inadequada usada com freqüência na televisão, etc.).8. Explico aos jovens como podem compartilhar seus pensamentos ou seus sentimentos próprios com outros quando acreditam que, assim, lhes podem ajudar. (O pudor ajuda a guardar e proteger a própria intimidade mas não tira o dever de ajudar aos demais prudentemente, compartilhando algum aspecto).9. Acostumo aos filhos/alunos a recorrer à pessoa adequada para ajudar-lhes a crescer em questões íntimas. (Isto pode significar: apresentar-lhes a algum sacerdote que lhes pode dirigir em sua vida espiritual; animar-lhes a falar com algum jovem mais velho que eles mas com bom critério; ou, simplesmente, que falem com o cônjuge ou com seu pai ou com sua mãe).10. Ajudo aos jovens a reconhecer quais são os lugares que convém não freqüentar se querem cuidar do pudor. (O ambiente do "o que estão fazendo os demais" pode influir muito, inclusive naqueles jovens que inicialmente tenham critérios corretos).Como proceder à auto-avaliaçãoNo texto encontram-se uma série de questões para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.Com respeito a cada questão, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.