sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O valor Compromisso e a sexualidade humana
Matrimonio= umo com uma para sempre
Caracteristicas do amor conyugal:
a) amor plenamente humano ( espiritual e sensível)
b) amor total ( sem reservas, sem cálculos egoistas)
c) fiel e exclusivo= felicidade íntima e duradoura.
d) fecundo= ordenado para a procriação e educação dos filhos.
Dos aspectos inseparáveis:
a) significado unitivo(união)
b) significado procriador (procriação)
Malicia da contracepção: separação que provoca entre o acto sexual e a finalidade natural que lhe é propria, a ordenação intrínseca das faculdades geradoras enquanto tais ê originar a vida, e o fim natural do acto conyugal.
SExo seguro?
-Uganda (A,B,C)
A- Abstinencia
B- Fidelidade
C- Usar condones em caso de fatar a A) o B).
-Preservativo- 10% erro
-O contagio está ligado à conduta, a triviaLIZAÇÃO E PROMISCUIDADE= mais condutas de risco.
Caracteristicas do amor conyugal:
a) amor plenamente humano ( espiritual e sensível)
b) amor total ( sem reservas, sem cálculos egoistas)
c) fiel e exclusivo= felicidade íntima e duradoura.
d) fecundo= ordenado para a procriação e educação dos filhos.
Dos aspectos inseparáveis:
a) significado unitivo(união)
b) significado procriador (procriação)
Malicia da contracepção: separação que provoca entre o acto sexual e a finalidade natural que lhe é propria, a ordenação intrínseca das faculdades geradoras enquanto tais ê originar a vida, e o fim natural do acto conyugal.
SExo seguro?
-Uganda (A,B,C)
A- Abstinencia
B- Fidelidade
C- Usar condones em caso de fatar a A) o B).
-Preservativo- 10% erro
-O contagio está ligado à conduta, a triviaLIZAÇÃO E PROMISCUIDADE= mais condutas de risco.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Positivos mudulo1
TG09- Samuel Lima, Jõao Gonçalves
TETO 09- Pedro dos Santos, Ruben Ramos, Nelson Lima , Jõao Lorenzo
TETO 09- Pedro dos Santos, Ruben Ramos, Nelson Lima , Jõao Lorenzo
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A virtude da fortaleza

A energia de sua juventude te ajudará a se tornar uma mulher forte, capaz de enfrentar e superar os obstáculos que a vida apresenta.
A virtude da fortaleza para uma jovem como você, que começa a caminhar de uma forma mais independente pela vida, é extremamente necessária para se transformar em uma mulher forte e com personalidade autêntica, sem máscaras.
O que é a fortaleza?
A fortaleza, de acordo com David Isaacs, é “a grande virtude: a virtude dos apaixonados, dos que têm convicção e daqueles que, por um verdadeiro ideal, são capazes de enfrentar os maiores riscos”.
É esta maravilhosa amiga da personalidade que dá força nas situações de dificuldade e concede constância e perseverança na busca suprema do bem. Sua amiga fortaleza é a que te ajuda a resistir às tentações (ficar tempo demasiado na cama, deixar o quarto desarrumado, não cumprir as obrigações escolares, ignorar as tarefas domésticas), e a abandonar sua própria comodidade.
Além disso, ela auxilia a superar os obstáculos em sua vida moral. Trata-se, amiga, de ir se exercitando dia-a-dia para aprender a ser você mesma em meio às pressões e expectativas dos outros - especialmente as dos jovens de sua idade - que não te conduzem à felicidade para a qual você foi criada. Defenda a todo custo sua virgindade. Você é capaz de não aderir à moda do “umbigo descoberto”. Tenha cuidado e guarde a visão de tudo que possa te levar a ter desejos impuros.
Quando se aprende a ser forte durante a juventude, os obstáculos que surgirão no seu caminho serão vencidos com muito mais serenidade e maturidade.
Quem é a jovem forte?
É você! Sim, a jovem forte tem a capacidade de escolher e construir uma relação ou projeto de vida. Quando esse não existe, você não leva a vida, mas se deixa levar, se deixa manipular. A fortaleza te dará a valentia para se fazer os seguintes questionamentos: quais são minhas qualidades? Quais são os valores que desejo viver? O que me motiva a fazer isto?
Então, a fortaleza será base para você fazer uma lista das qualidades que você possui, e para você desenvolve-los de modo harmonioso com sua personalidade. Por exemplo:
- Gosto de ser ordenada;
- Sou solícita e ajudo os outros;
- Tenho talento para praticar tênis;
- Gosto de cozinhar;
- Desfruto das leituras;
- Sou bem-humorada.
Quais são os valores que quero viver?
Se você decidiu que a virtude da fortaleza é um alicerce de sua personalidade, então ela se converte em um valor para você. São valores que te sustentam e que te levam a “resistir” contra tudo o que vem de fora, sobretudo nas coisas pequenas:
- Sorrir mesmo que você não esteja de bom humor;
- Vencer-se para não discutir com seus pais ou irmãos;
- Não dar chance ao desânimo, que é o caminho para o fundo do poço, e que te faz ficar fechada em seu próprio mundo;
- Comer moderadamente, porém desfrutando daquilo que come;
- Não se influenciar demasiadamente pela moda.
O que me motiva a fazer isto?
A melhor motivação é que queira ser uma boa filha de Deus e buscar que a motivação para dar o melhor de si seja precisamente o Seu amor. Se Deus é o motor de sua vida, então, amiga, você será uma mulher forte, que honra sua palavra e seus ideais.
Olhe tudo o que você faz!
Com a fortaleza você conseguirá levantar todos os dias muito cedo, estipular uma hora fixa para estudar, voltar a pôr as coisas que usou em seus devidos lugares e fazer exercícios para manter seu corpo saudável. Com a fortaleza, também poderá proteger sua virgindade, dizer não ao álcool e cigarro, ser uma amiga sincera que não fala pelas costas dos outros e, sobretudo, poderá trilhar um caminho que conduz ao bem.
Com a fortaleza em mente, a vontade nos braços e com a ajuda da graça, você vencerá todos os obstáculos; e experimentará a conseqüência tão maravilhosa que provém do fato de você lutar com prudência, paciência e perseverança, enquanto você se torna mais mulher a cada dia: a alegria
A virtude da fortaleza para uma jovem como você, que começa a caminhar de uma forma mais independente pela vida, é extremamente necessária para se transformar em uma mulher forte e com personalidade autêntica, sem máscaras.
O que é a fortaleza?
A fortaleza, de acordo com David Isaacs, é “a grande virtude: a virtude dos apaixonados, dos que têm convicção e daqueles que, por um verdadeiro ideal, são capazes de enfrentar os maiores riscos”.
É esta maravilhosa amiga da personalidade que dá força nas situações de dificuldade e concede constância e perseverança na busca suprema do bem. Sua amiga fortaleza é a que te ajuda a resistir às tentações (ficar tempo demasiado na cama, deixar o quarto desarrumado, não cumprir as obrigações escolares, ignorar as tarefas domésticas), e a abandonar sua própria comodidade.
Além disso, ela auxilia a superar os obstáculos em sua vida moral. Trata-se, amiga, de ir se exercitando dia-a-dia para aprender a ser você mesma em meio às pressões e expectativas dos outros - especialmente as dos jovens de sua idade - que não te conduzem à felicidade para a qual você foi criada. Defenda a todo custo sua virgindade. Você é capaz de não aderir à moda do “umbigo descoberto”. Tenha cuidado e guarde a visão de tudo que possa te levar a ter desejos impuros.
Quando se aprende a ser forte durante a juventude, os obstáculos que surgirão no seu caminho serão vencidos com muito mais serenidade e maturidade.
Quem é a jovem forte?
É você! Sim, a jovem forte tem a capacidade de escolher e construir uma relação ou projeto de vida. Quando esse não existe, você não leva a vida, mas se deixa levar, se deixa manipular. A fortaleza te dará a valentia para se fazer os seguintes questionamentos: quais são minhas qualidades? Quais são os valores que desejo viver? O que me motiva a fazer isto?
Então, a fortaleza será base para você fazer uma lista das qualidades que você possui, e para você desenvolve-los de modo harmonioso com sua personalidade. Por exemplo:
- Gosto de ser ordenada;
- Sou solícita e ajudo os outros;
- Tenho talento para praticar tênis;
- Gosto de cozinhar;
- Desfruto das leituras;
- Sou bem-humorada.
Quais são os valores que quero viver?
Se você decidiu que a virtude da fortaleza é um alicerce de sua personalidade, então ela se converte em um valor para você. São valores que te sustentam e que te levam a “resistir” contra tudo o que vem de fora, sobretudo nas coisas pequenas:
- Sorrir mesmo que você não esteja de bom humor;
- Vencer-se para não discutir com seus pais ou irmãos;
- Não dar chance ao desânimo, que é o caminho para o fundo do poço, e que te faz ficar fechada em seu próprio mundo;
- Comer moderadamente, porém desfrutando daquilo que come;
- Não se influenciar demasiadamente pela moda.
O que me motiva a fazer isto?
A melhor motivação é que queira ser uma boa filha de Deus e buscar que a motivação para dar o melhor de si seja precisamente o Seu amor. Se Deus é o motor de sua vida, então, amiga, você será uma mulher forte, que honra sua palavra e seus ideais.
Olhe tudo o que você faz!
Com a fortaleza você conseguirá levantar todos os dias muito cedo, estipular uma hora fixa para estudar, voltar a pôr as coisas que usou em seus devidos lugares e fazer exercícios para manter seu corpo saudável. Com a fortaleza, também poderá proteger sua virgindade, dizer não ao álcool e cigarro, ser uma amiga sincera que não fala pelas costas dos outros e, sobretudo, poderá trilhar um caminho que conduz ao bem.
Com a fortaleza em mente, a vontade nos braços e com a ajuda da graça, você vencerá todos os obstáculos; e experimentará a conseqüência tão maravilhosa que provém do fato de você lutar com prudência, paciência e perseverança, enquanto você se torna mais mulher a cada dia: a alegria
A maturidade e o bem comum
A maturidade e o bem comum
Se sabemos valorizar tudo o que recebemos da comunidade humana onde temos as nossas raízes, surge o dever moral de gratidão.
Tanto mais que normalmente não é possível devolver o equivalente ao que recebemos. Só podemos apreciá-los e orientar o agradecimento no sentido de ajudar os que vêm atrás de nós.
Chegar à maturidade humana significa superar a mentalidade de criança, que sempre espera receber dos mais velhos, e adquirir consciência das responsabilidades próprias.
Chegar à idade adulta significa assumir os trabalhos que a manutenção da vida social traz consigo, isto é, preocupar-se dos outros. Isto significa contribuir para o bem comum.
O bem comum é um imenso conjunto de bens materiais e espirituais que formam o património de uma sociedade. Por exemplo, a geografia e as paisagens de um país, as águas e riquezas naturais, o seu nível de vida, capacidade de produção, infra-estruturas de transportes e comunicações, edifícios, sistema de educação e de saúde, património artístico, etc.
E ainda outras coisas menos visíveis, mas importantes, como a ordem pública, a eficiência e a honestidade das instituições, a moralidade pública e familiar, etc. Também faz parte do bem comum que este esteja bem repartido por todos os membros da sociedade.
Todos os membros da sociedade têm o direito de gozar dos bens comuns e os membros adultos têm o dever de contribuir para esse bem comum de acordo com as suas possibilidades. Além disso, os adultos têm de contribuir proporcionalmente com mais do que recebem, porque os outros mais débeis (crianças, anciãos, doentes) podem contribuir com menos. Não é uma injustiça, mas precisamente o contrário!
O modo normal de contribuir para o bem comum é desempenhar bem o trabalho que lhe corresponde, seja ele qual for. Depois, cuidar das pessoas que de nós dependem. E também ajudar a conservar e fazer crescer todos os bens, materiais e espirituais, que o constituem. Contribui-se par o bem comum promovendo ou sustentando associações culturais, desportivas, de assistência, etc. Quanto mais iniciativas deste género houver, mais rica é uma sociedade.
Há assim três planos distintos de desenvolver os talentos pessoais: 1) desenvolvendo os próprios talentos a nível pessoal; 2) através dos laços familiares e de amizade; 3) assumir com entusiasmo as tarefas relativas ao bem comum da sociedade.
O homem deve cuidar e servir-se das coisas criadas por Deus. O homem é unicamente administrador, e prestará contas.
Mentalidade criada pela revolução industrial: avidez sem medida e considerar a natureza como "propriedade de ninguém". Dois graves inconvenientes: 1) muitos dos recursos são limitados; 2) os meios poderosíssimos que hoje dispomos para explorar a natureza.
As coisas têm uma dignidade (reflexo da beleza, da bondade e do poder de Deus) e a nossa inteligência diz-nos que temos a obrigação de respeitá-la: 1) evitar destruí-la; 2) não desperdiçar os recursos; 3) minorar os efeitos destrutivos da acção do homem ou da própria natureza; 4) acrescentar a beleza da criação.
Superar o consumismo, desenvolvendo um estilo de vida sóbrio: 1) não desejar coisas supérfluas ou desnecessárias; 2) procurar que durem as coisas; diminuir a produção do "lixo".
Entre iguais
Os outros são nossos iguais: são diferentes em muitos aspectos, mas são seres humanos como nós, todos temos os mesmos direitos (é a base da justiça).
Mas também há o preceito de que os "amemos como a nós mesmos". É uma opção. Também podíamos pensar que "somos concorrentes", pois gostamos dos mesmos bens que muitas vezes são escassos. Seria a lei da selva, a lei do mais forte. Como com os ratos: os mais fortes comem primeiro e os outros comem o que podem.
Neste caso, para que os homens não se destruam uns aos outros, estabelecem-se umas regras, umas normas legais, uns direitos fundamentais, e cria-se uma autoridade que corrija os abusos. Esta é a função que se costuma atribuir ao Estado. Assim acontece nas sociedades desenvolvidas.
Mas a "lei da selva" não se pode corrigir à força das leis e da repressão. A caridade não se impõe por decreto. É uma questão moral, que pertence ao exercício da liberdade de cada um. O preceito moral vai muito além do mero respeitar o quadro legal.
Quando se fala do próximo, não basta o respeito, pede-se amor, que é o único modo de respeitar o homem. Amor significa doação, querer o bem do outro, disposição de dar o bem ao outro, dar-se ao outro.
E devemos amá-los porque são homens, não porque sejam altos ou baixos, pobres ou ricos, etc. e portanto, é preciso amar especialmente aqueles que, por alguma razão, são menos amáveis: importunos, fracos, doentes, necessitados, até os perversos.
Se sabemos valorizar tudo o que recebemos da comunidade humana onde temos as nossas raízes, surge o dever moral de gratidão.
Tanto mais que normalmente não é possível devolver o equivalente ao que recebemos. Só podemos apreciá-los e orientar o agradecimento no sentido de ajudar os que vêm atrás de nós.
Chegar à maturidade humana significa superar a mentalidade de criança, que sempre espera receber dos mais velhos, e adquirir consciência das responsabilidades próprias.
Chegar à idade adulta significa assumir os trabalhos que a manutenção da vida social traz consigo, isto é, preocupar-se dos outros. Isto significa contribuir para o bem comum.
O bem comum é um imenso conjunto de bens materiais e espirituais que formam o património de uma sociedade. Por exemplo, a geografia e as paisagens de um país, as águas e riquezas naturais, o seu nível de vida, capacidade de produção, infra-estruturas de transportes e comunicações, edifícios, sistema de educação e de saúde, património artístico, etc.
E ainda outras coisas menos visíveis, mas importantes, como a ordem pública, a eficiência e a honestidade das instituições, a moralidade pública e familiar, etc. Também faz parte do bem comum que este esteja bem repartido por todos os membros da sociedade.
Todos os membros da sociedade têm o direito de gozar dos bens comuns e os membros adultos têm o dever de contribuir para esse bem comum de acordo com as suas possibilidades. Além disso, os adultos têm de contribuir proporcionalmente com mais do que recebem, porque os outros mais débeis (crianças, anciãos, doentes) podem contribuir com menos. Não é uma injustiça, mas precisamente o contrário!
O modo normal de contribuir para o bem comum é desempenhar bem o trabalho que lhe corresponde, seja ele qual for. Depois, cuidar das pessoas que de nós dependem. E também ajudar a conservar e fazer crescer todos os bens, materiais e espirituais, que o constituem. Contribui-se par o bem comum promovendo ou sustentando associações culturais, desportivas, de assistência, etc. Quanto mais iniciativas deste género houver, mais rica é uma sociedade.
Há assim três planos distintos de desenvolver os talentos pessoais: 1) desenvolvendo os próprios talentos a nível pessoal; 2) através dos laços familiares e de amizade; 3) assumir com entusiasmo as tarefas relativas ao bem comum da sociedade.
O homem deve cuidar e servir-se das coisas criadas por Deus. O homem é unicamente administrador, e prestará contas.
Mentalidade criada pela revolução industrial: avidez sem medida e considerar a natureza como "propriedade de ninguém". Dois graves inconvenientes: 1) muitos dos recursos são limitados; 2) os meios poderosíssimos que hoje dispomos para explorar a natureza.
As coisas têm uma dignidade (reflexo da beleza, da bondade e do poder de Deus) e a nossa inteligência diz-nos que temos a obrigação de respeitá-la: 1) evitar destruí-la; 2) não desperdiçar os recursos; 3) minorar os efeitos destrutivos da acção do homem ou da própria natureza; 4) acrescentar a beleza da criação.
Superar o consumismo, desenvolvendo um estilo de vida sóbrio: 1) não desejar coisas supérfluas ou desnecessárias; 2) procurar que durem as coisas; diminuir a produção do "lixo".
Entre iguais
Os outros são nossos iguais: são diferentes em muitos aspectos, mas são seres humanos como nós, todos temos os mesmos direitos (é a base da justiça).
Mas também há o preceito de que os "amemos como a nós mesmos". É uma opção. Também podíamos pensar que "somos concorrentes", pois gostamos dos mesmos bens que muitas vezes são escassos. Seria a lei da selva, a lei do mais forte. Como com os ratos: os mais fortes comem primeiro e os outros comem o que podem.
Neste caso, para que os homens não se destruam uns aos outros, estabelecem-se umas regras, umas normas legais, uns direitos fundamentais, e cria-se uma autoridade que corrija os abusos. Esta é a função que se costuma atribuir ao Estado. Assim acontece nas sociedades desenvolvidas.
Mas a "lei da selva" não se pode corrigir à força das leis e da repressão. A caridade não se impõe por decreto. É uma questão moral, que pertence ao exercício da liberdade de cada um. O preceito moral vai muito além do mero respeitar o quadro legal.
Quando se fala do próximo, não basta o respeito, pede-se amor, que é o único modo de respeitar o homem. Amor significa doação, querer o bem do outro, disposição de dar o bem ao outro, dar-se ao outro.
E devemos amá-los porque são homens, não porque sejam altos ou baixos, pobres ou ricos, etc. e portanto, é preciso amar especialmente aqueles que, por alguma razão, são menos amáveis: importunos, fracos, doentes, necessitados, até os perversos.
A ética aplicada às organizações
A ética aplicada às organizações
Na medida em que tem como objectivo a edificação de uma sociedade mais justa, a ética não se encerra no âmbito individual. Desta forma, a ética social tem como enfoque a reflexão crítica sobre as estruturas sociais existentes, sobre a sua reforma e sobre a instauração de novas instituições. Sendo a empresa uma das instituições mais importantes da nossa era, a sua mutabilidade – própria de todas as organizações – é uma constante. Há, contudo, que integrar três perspectivas imprescindíveis quando falamos da empresa, enquanto organização:
· As organizações são produtos humanos
· As organizações são realidades objectivas
· Os homens são produto das organizações
Embora com uma história tão antiga quanto a sua génese, o conceito de “ética nos negócios” tem o seu início, no sentido de como o conhecemos hoje, nos Estados Unidos, na década de 70, com a denominação de Business Ethics (BE), num contexto de contracultura apoiado no questionar e na reflexão das práticas empresariais, nomeadamente no que respeitava aos seus impactos ambientais e a um convite desmesurado ao consumismo. Para compreendermos melhor esta emergência, existem três pontos essenciais a ter em conta:
1. A BE não é uma proposta moral concreta (ou seja, não induz a um determinado modo de vida) para a gestão das organizações mas sim uma reflexão racional ética aplicada que respeita a pluralidade moral dos indivíduos dentro dos limites da empresa. De maneira alguma poderá a BE apresentar-se como um estandarte da reconquista de uma moral única. Pelo contrário, deverá ter em atenção os diversos contextos empresariais existentes, assentes numa ética mínima que assuma, de forma séria, o pluralismo das opções morais.
2. A BE é uma ética aplicada e centrada em questões concretas e práticas e não em especulações abstractas. E é de relçar que a união entre teoria e prática é imprescindível quando se aborda e implementa uma estratégia ética para qualquer organização. A BE não é uma mera aplicação de princípios abstractos “descobertos” por uma mente “iluminada” que depois são impostos à realidade concreta da empresa. A BE implica a integração da perspectiva indutiva e dedutiva, a integração de pensadores e empresários, do normativo e do empírico e da ética e do negócio.
3. A BE articula as três esferas imprescindíveis de toda a ética profissional: individual (dimensão micro), organizativa e sistema de mercado (macro). A dimensão macro deve superar a tentação de legitimar o sistema como a divisão entre o ético e económico. A esfera organizativa, que deve ser a principal, deve ter em linha de conta não só a diversidade das práticas empresariais, como também outras organizações não empresariais (como sindicatos, associações de consumidores, etc) para não reduzir a sua legitimação ao tipo de empresa mais adequado às suas intenções. A dimensão micro deverá realizar uma reflexão ética das relações e actuações individuais, a par dos valores pessoais e profissionais dos colaboradores da empresa.
Estas três perspectivas têm de se articular mantendo-se, contudo, o enfoque na esfera organizacional para que esta não se dissolva no indivíduo nem se deixe absorver pelo sistema.
Em suma, a BE terá de integrar, de forma inter-relacionada, quatro dimensões e responsabilidades da empresa
· A responsabilidade económica: que a empresa produza bens e serviços de forma eficaz e rentável, mas que vá mais além dos meros benefícios de lucro
· A responsabilidade legal: a empresa deverá cumprir as leis dentro do contexto do pacto social, mas que vá mais além dos requisitos legais
· A responsabilidade social (ética dos mínimos): a empresa deverá actuar tendo em conta a partilha de determinados valores
· A responsabilidade discricionária (ética dos máximos): a empresa deverá comprometer-se com acções que beneficiem a sociedade
Na medida em que tem como objectivo a edificação de uma sociedade mais justa, a ética não se encerra no âmbito individual. Desta forma, a ética social tem como enfoque a reflexão crítica sobre as estruturas sociais existentes, sobre a sua reforma e sobre a instauração de novas instituições. Sendo a empresa uma das instituições mais importantes da nossa era, a sua mutabilidade – própria de todas as organizações – é uma constante. Há, contudo, que integrar três perspectivas imprescindíveis quando falamos da empresa, enquanto organização:
· As organizações são produtos humanos
· As organizações são realidades objectivas
· Os homens são produto das organizações
Embora com uma história tão antiga quanto a sua génese, o conceito de “ética nos negócios” tem o seu início, no sentido de como o conhecemos hoje, nos Estados Unidos, na década de 70, com a denominação de Business Ethics (BE), num contexto de contracultura apoiado no questionar e na reflexão das práticas empresariais, nomeadamente no que respeitava aos seus impactos ambientais e a um convite desmesurado ao consumismo. Para compreendermos melhor esta emergência, existem três pontos essenciais a ter em conta:
1. A BE não é uma proposta moral concreta (ou seja, não induz a um determinado modo de vida) para a gestão das organizações mas sim uma reflexão racional ética aplicada que respeita a pluralidade moral dos indivíduos dentro dos limites da empresa. De maneira alguma poderá a BE apresentar-se como um estandarte da reconquista de uma moral única. Pelo contrário, deverá ter em atenção os diversos contextos empresariais existentes, assentes numa ética mínima que assuma, de forma séria, o pluralismo das opções morais.
2. A BE é uma ética aplicada e centrada em questões concretas e práticas e não em especulações abstractas. E é de relçar que a união entre teoria e prática é imprescindível quando se aborda e implementa uma estratégia ética para qualquer organização. A BE não é uma mera aplicação de princípios abstractos “descobertos” por uma mente “iluminada” que depois são impostos à realidade concreta da empresa. A BE implica a integração da perspectiva indutiva e dedutiva, a integração de pensadores e empresários, do normativo e do empírico e da ética e do negócio.
3. A BE articula as três esferas imprescindíveis de toda a ética profissional: individual (dimensão micro), organizativa e sistema de mercado (macro). A dimensão macro deve superar a tentação de legitimar o sistema como a divisão entre o ético e económico. A esfera organizativa, que deve ser a principal, deve ter em linha de conta não só a diversidade das práticas empresariais, como também outras organizações não empresariais (como sindicatos, associações de consumidores, etc) para não reduzir a sua legitimação ao tipo de empresa mais adequado às suas intenções. A dimensão micro deverá realizar uma reflexão ética das relações e actuações individuais, a par dos valores pessoais e profissionais dos colaboradores da empresa.
Estas três perspectivas têm de se articular mantendo-se, contudo, o enfoque na esfera organizacional para que esta não se dissolva no indivíduo nem se deixe absorver pelo sistema.
Em suma, a BE terá de integrar, de forma inter-relacionada, quatro dimensões e responsabilidades da empresa
· A responsabilidade económica: que a empresa produza bens e serviços de forma eficaz e rentável, mas que vá mais além dos meros benefícios de lucro
· A responsabilidade legal: a empresa deverá cumprir as leis dentro do contexto do pacto social, mas que vá mais além dos requisitos legais
· A responsabilidade social (ética dos mínimos): a empresa deverá actuar tendo em conta a partilha de determinados valores
· A responsabilidade discricionária (ética dos máximos): a empresa deverá comprometer-se com acções que beneficiem a sociedade
Etica no contexto empresarial
A Ética no contexto empresarial
A ética empresarial poderá ser definida genericamente como o ramo da ética que “se relaciona com a categorização valorativa1dos comportamentos, decisões ou acções dos indivíduos que trabalham nas organizações”.Ético será, na mesma definição, todo o “comportamento, decisão ou acção que esteja alinhado com as normas ou padrões da sociedade em que se insere”(Carroll, 1989)
Para Walton, a ética empresarial distingue-se pela inclusão nos critérios valorativos das acções, de aspectos como as expectativas sociais, o tipo ou estilo de competição empresarial, os conteúdos das mensagens publicitárias, o nível de responsabilidade social da empresa, a importância dada ao consumidor ou o estilo de comunicação com o exterior (Walton, 1977). Mercier, por seu lado, defende ser a ética uma disciplina transversal à humanidade que, por isso mesmo, também poderá ser enquadrada em termos da empresa, tocando todos os domínios da gestão (Mercier, 2003).
Esta reflexão é paradigmática da posição que defende a existência de uma ética dos negócios e da empresa, fenómeno indissociável da condição moral do Homem e deste como principal agente das organizações: se o ser humano é portador histórico de um conceito e de uma prática moral, essa sua prática estender-se-á às suas obras e manifestações, entre as quais as empresas. Em cenário empresarial, a moral de um só indivíduo será transformada em possibilidade individual de comportamento ético; da conjugação de todos os indivíduos, em interacção com o contexto da organização, resultará a possibilidade empresarial de comportamento ético.
Havendo a aceitação de uma ética empresarial, cumpre identificar os diferentes estados éticos existentes no panorama empresarial. Partindo do modelo de desenvolvimento moral, construído por Lawrence Kohlberg, Reidenbach e Robin (1991) estabeleceram cinco níveis na escala de desenvolvimento ético de uma empresa:
Empresa Amoral – não existe qualquer tipo de preocupação ética, estabelecendo-se o limite da acção conforme os custos das diferentes opções;
Empresa Legalista – as preocupações a nível ético já são existentes, contudo limitadas à observação da lei;
Empresa Responsável – alguma preocupação ética, reflectida na adopção de práticas externas como o mecenato cultural, social e ambiental ou de políticas internas como a construção de creches ou a atribuição de horários especiais para apoio social;
Empresa Eticamente Emergente – consciencialização da importância da ética nos negócios e adopção de uma postura ética em termos operacionais, o que é geralmente traduzido pela sua formalização em códigos ou manuais de procedimentos éticos;
Empresa Eticamente Desenvolvida – a ética é adoptada como a única forma de estar e agir no mundo empresarial, sendo a actividade das empresa neste nível totalmente regida por princípios éticos.
Os dois últimos níveis revelam uma maior maturidade ética e implicam uma aceitação do problema ético como um fenómeno que transcende o plano pessoal, estendendo-se até ao plano internacional: os indivíduos nestas organizações agem de acordo com padrões éticos a nível pessoal, transportando esses hábitos para o nível organizacional ao mesmo tempo que procuram impor regras de comportamento ético também ao nível da indústria, conjugando adicionalmente as suas acções corporativas com os interesses da sociedade em geral e com os padrões éticos por si adoptados, independentemente da cultura e dos hábitos dos interlocutores, no caso internacional (Carroll, 1978).
A ética empresarial poderá ser definida genericamente como o ramo da ética que “se relaciona com a categorização valorativa1dos comportamentos, decisões ou acções dos indivíduos que trabalham nas organizações”.Ético será, na mesma definição, todo o “comportamento, decisão ou acção que esteja alinhado com as normas ou padrões da sociedade em que se insere”(Carroll, 1989)
Para Walton, a ética empresarial distingue-se pela inclusão nos critérios valorativos das acções, de aspectos como as expectativas sociais, o tipo ou estilo de competição empresarial, os conteúdos das mensagens publicitárias, o nível de responsabilidade social da empresa, a importância dada ao consumidor ou o estilo de comunicação com o exterior (Walton, 1977). Mercier, por seu lado, defende ser a ética uma disciplina transversal à humanidade que, por isso mesmo, também poderá ser enquadrada em termos da empresa, tocando todos os domínios da gestão (Mercier, 2003).
Esta reflexão é paradigmática da posição que defende a existência de uma ética dos negócios e da empresa, fenómeno indissociável da condição moral do Homem e deste como principal agente das organizações: se o ser humano é portador histórico de um conceito e de uma prática moral, essa sua prática estender-se-á às suas obras e manifestações, entre as quais as empresas. Em cenário empresarial, a moral de um só indivíduo será transformada em possibilidade individual de comportamento ético; da conjugação de todos os indivíduos, em interacção com o contexto da organização, resultará a possibilidade empresarial de comportamento ético.
Havendo a aceitação de uma ética empresarial, cumpre identificar os diferentes estados éticos existentes no panorama empresarial. Partindo do modelo de desenvolvimento moral, construído por Lawrence Kohlberg, Reidenbach e Robin (1991) estabeleceram cinco níveis na escala de desenvolvimento ético de uma empresa:
Empresa Amoral – não existe qualquer tipo de preocupação ética, estabelecendo-se o limite da acção conforme os custos das diferentes opções;
Empresa Legalista – as preocupações a nível ético já são existentes, contudo limitadas à observação da lei;
Empresa Responsável – alguma preocupação ética, reflectida na adopção de práticas externas como o mecenato cultural, social e ambiental ou de políticas internas como a construção de creches ou a atribuição de horários especiais para apoio social;
Empresa Eticamente Emergente – consciencialização da importância da ética nos negócios e adopção de uma postura ética em termos operacionais, o que é geralmente traduzido pela sua formalização em códigos ou manuais de procedimentos éticos;
Empresa Eticamente Desenvolvida – a ética é adoptada como a única forma de estar e agir no mundo empresarial, sendo a actividade das empresa neste nível totalmente regida por princípios éticos.
Os dois últimos níveis revelam uma maior maturidade ética e implicam uma aceitação do problema ético como um fenómeno que transcende o plano pessoal, estendendo-se até ao plano internacional: os indivíduos nestas organizações agem de acordo com padrões éticos a nível pessoal, transportando esses hábitos para o nível organizacional ao mesmo tempo que procuram impor regras de comportamento ético também ao nível da indústria, conjugando adicionalmente as suas acções corporativas com os interesses da sociedade em geral e com os padrões éticos por si adoptados, independentemente da cultura e dos hábitos dos interlocutores, no caso internacional (Carroll, 1978).
Ser ético na empresa
A Ética Empresarial
“Ser ético é fazer algo que me beneficie e que, no mínimo, não prejudique o próximo”.
Longe vai o tempo em que as empresas apenas eram orientadas para o lucro, tentando maximizá-lo sem restrições e em que a sua eficiência produtiva se avaliava somente em função do volume de riqueza que conseguissem acumular.
Nos últimos anos alterou-se profundamente a visão citada anteriormente, passando as empresas, primeiramente, por uma fase de compromisso ético directamente relacionado com o cumprimento da lei, não simplesmente para evitar a imposição de alguma sanção, mas também como um dever.
Actualmente a ética empresarial evoluiu, baseando-se na definição de regras e princípios genericamente aceites no mundo dos negócios. As empresas tornaram-se mais conscientes das suas actividades e das suas responsabilidades, adoptando posturas que visam maximizar os lucros sem prejudicar os restantes agentes económicos e reforçando a ideia de que as empresas possam contribuir positivamente para a sociedade e, nomeadamente, para todos os seus stakeholders.
Em suma, a ética empresarial fornece linhas mestras para um comportamento adequado tanto em termos de formulação estratégica como para as suas operações diárias. Uma abordagem ética é cada vez mais necessária tanto para o sucesso empresarial como para a imagem positiva de uma empresa. No seguimento das pressões exercidas pelos consumidores que clamam por práticas de negócio eticamente responsáveis, são muitas as organizações que estão a optar por fazer um compromisso público através da formulação de códigos de conduta e práticas responsáveis. E, ao se comprometerem, são obrigadas a traduzir em acções os seus conceitos de responsabilização pessoal e empresarial.
A ética na vida das empresas tem de ser compreendida, vivida e difundida em dois níveis:
Como uma reflexão crítica das estratégias e tácticas de uma organização em termos do contexto moral e do sistema de valores da sociedade que a circunda
Como uma reflexão crítica do comportamento interno e da cultura de uma organização e do relacionamento entre os valores dos seus colaboradores relativamente ao sistema de valores dessa mesma organização.
A ética como elemento crucial para a edificação dos relacionamentos humanos
O pensamento subjacente a uma empresa é representado pelos seus princípios. Os princípios éticos reflectem os valores da empresa, determinados a partir do contexto de valores dos seus stakeholders e da sociedade em que está inserida.
Gerar lucro não significa, simplesmente, fazer dinheiro a curto prazo, mas sim e de uma forma crescente, estabelecer relacionamentos sustentáveis com a sociedade para assegurar o retorno a longo prazo.
Cada empresa é feita de pessoas, depende de pessoas e serve pessoas e a ética deve constituir um elemento crucial na edificação dos relacionamentos humanos. Ao estabelecer valores claros e princípios para o negócio, cada decisão tomada pela empresa pode (e deve) estar alinhada com os seus propósitos estratégicos.
Princípios éticos na tomada de decisão
A ética empresarial pode ser definida como o estudo e avaliação do processo de tomada de decisão de acordo com conceitos morais e de bom senso. A ética organizacional tanto pode incluir questões práticas e bem definidas como a obrigação de uma empresa ser honesta para com os seus clientes como assuntos socialmente mais latos e filosóficos, como a responsabilidade de preservar o ambiente e proteger os direitos dos seus empregados.
Muitos conflitos éticos derivam dos interesses divergentes dos accionistas das empresas relativamente aos seus trabalhadores, clientes e comunidade envolvente.
Os gestores têm de ser capazes de encontrar um equilíbrio entre o idealismo e o pragmatismo – ou seja, a necessidade de produzir um lucro razoável para os seus accionistas a partir de práticas de negócio honestas, segurança no local de trabalho, sem esquecer questões de dimensão mais ampla como o ambiente e a sociedade.
Os dilemas éticos nos negócios têm vindo a adquirir uma complexidade crescente devido à natureza global e diversificada de empresas de grande dimensão a par das crescentes regulamentações governamentais que definem os limites do comportamento criminoso.
Por exemplo, são muitas as multinacionais que operam em países nos quais o suborno, o assédio sexual, a discriminação racial e a ausência de preocupações ambientais não são consideradas ilegais, mas sim práticas comuns.
Nestes casos, a empresa terá de decidir se se mantém fiel aos seus princípios éticos ou se se limita a ajustar-se às regras locais para maximizar os seus lucros.
Como os crimes organizacionais podem ter um preço demasiado elevado, tanto para a sociedade como para as próprias empresas, muitas organizações e associações comerciais estabeleceram códigos de ética para as empresas, gestores e empregados.
“Ser ético é fazer algo que me beneficie e que, no mínimo, não prejudique o próximo”.
Longe vai o tempo em que as empresas apenas eram orientadas para o lucro, tentando maximizá-lo sem restrições e em que a sua eficiência produtiva se avaliava somente em função do volume de riqueza que conseguissem acumular.
Nos últimos anos alterou-se profundamente a visão citada anteriormente, passando as empresas, primeiramente, por uma fase de compromisso ético directamente relacionado com o cumprimento da lei, não simplesmente para evitar a imposição de alguma sanção, mas também como um dever.
Actualmente a ética empresarial evoluiu, baseando-se na definição de regras e princípios genericamente aceites no mundo dos negócios. As empresas tornaram-se mais conscientes das suas actividades e das suas responsabilidades, adoptando posturas que visam maximizar os lucros sem prejudicar os restantes agentes económicos e reforçando a ideia de que as empresas possam contribuir positivamente para a sociedade e, nomeadamente, para todos os seus stakeholders.
Em suma, a ética empresarial fornece linhas mestras para um comportamento adequado tanto em termos de formulação estratégica como para as suas operações diárias. Uma abordagem ética é cada vez mais necessária tanto para o sucesso empresarial como para a imagem positiva de uma empresa. No seguimento das pressões exercidas pelos consumidores que clamam por práticas de negócio eticamente responsáveis, são muitas as organizações que estão a optar por fazer um compromisso público através da formulação de códigos de conduta e práticas responsáveis. E, ao se comprometerem, são obrigadas a traduzir em acções os seus conceitos de responsabilização pessoal e empresarial.
A ética na vida das empresas tem de ser compreendida, vivida e difundida em dois níveis:
Como uma reflexão crítica das estratégias e tácticas de uma organização em termos do contexto moral e do sistema de valores da sociedade que a circunda
Como uma reflexão crítica do comportamento interno e da cultura de uma organização e do relacionamento entre os valores dos seus colaboradores relativamente ao sistema de valores dessa mesma organização.
A ética como elemento crucial para a edificação dos relacionamentos humanos
O pensamento subjacente a uma empresa é representado pelos seus princípios. Os princípios éticos reflectem os valores da empresa, determinados a partir do contexto de valores dos seus stakeholders e da sociedade em que está inserida.
Gerar lucro não significa, simplesmente, fazer dinheiro a curto prazo, mas sim e de uma forma crescente, estabelecer relacionamentos sustentáveis com a sociedade para assegurar o retorno a longo prazo.
Cada empresa é feita de pessoas, depende de pessoas e serve pessoas e a ética deve constituir um elemento crucial na edificação dos relacionamentos humanos. Ao estabelecer valores claros e princípios para o negócio, cada decisão tomada pela empresa pode (e deve) estar alinhada com os seus propósitos estratégicos.
Princípios éticos na tomada de decisão
A ética empresarial pode ser definida como o estudo e avaliação do processo de tomada de decisão de acordo com conceitos morais e de bom senso. A ética organizacional tanto pode incluir questões práticas e bem definidas como a obrigação de uma empresa ser honesta para com os seus clientes como assuntos socialmente mais latos e filosóficos, como a responsabilidade de preservar o ambiente e proteger os direitos dos seus empregados.
Muitos conflitos éticos derivam dos interesses divergentes dos accionistas das empresas relativamente aos seus trabalhadores, clientes e comunidade envolvente.
Os gestores têm de ser capazes de encontrar um equilíbrio entre o idealismo e o pragmatismo – ou seja, a necessidade de produzir um lucro razoável para os seus accionistas a partir de práticas de negócio honestas, segurança no local de trabalho, sem esquecer questões de dimensão mais ampla como o ambiente e a sociedade.
Os dilemas éticos nos negócios têm vindo a adquirir uma complexidade crescente devido à natureza global e diversificada de empresas de grande dimensão a par das crescentes regulamentações governamentais que definem os limites do comportamento criminoso.
Por exemplo, são muitas as multinacionais que operam em países nos quais o suborno, o assédio sexual, a discriminação racial e a ausência de preocupações ambientais não são consideradas ilegais, mas sim práticas comuns.
Nestes casos, a empresa terá de decidir se se mantém fiel aos seus princípios éticos ou se se limita a ajustar-se às regras locais para maximizar os seus lucros.
Como os crimes organizacionais podem ter um preço demasiado elevado, tanto para a sociedade como para as próprias empresas, muitas organizações e associações comerciais estabeleceram códigos de ética para as empresas, gestores e empregados.
Alumnos com + Módulo 1
O respeito pela vida humana
O respeito pela vida humana não se impõe apenas aos cristãos; a razão basta de per si para o exigir, baseando-se na análise daquilo que é e deve ser uma pessoa. Constituído por uma natureza racional, o homem é um sujeito pessoal, capaz de reflectir sobre si próprio e de decidir dos seus actos e, portanto, do seu próprio destino; é livre. É, por consequência, senhor de si; ou melhor dito — porque ele se perfaz a si mesmo no tempo — ele dispõe dos meios para se tornar tal e nisso está o seu dever. Imediatamente criada por Deus, a sua alma é espiritual e, por isso, imortal. Mais: ele está aberto para Deus e não encontrará senão n'Ele a sua plena realização. No entanto, ele vive na comunidade dos seus semelhantes e nutre-se da comunicação interpessoal com eles, no indispensável meio social. Em face da sociedade e dos outros homens, cada pessoa humana se possui a si mesma, possui a sua vida e os seus diversos bens, à maneira de direito; e isso exige-o da parte de todos os outros em relação a si uma estrita justiça.
9. Contudo, a vida temporal que se leva neste mundo não se identifica com a pessoa; esta tem como seu próprio um nível de vida mais profundo, que não poderá acabar. Sim, a vida temporal é um bem fundamental, aqui na terra condição de todos os demais bens; mas existem valores mais altos, pelos quais poderá ser lícito e mesmo até necessário expor-se ao perigo de a perder. Numa sociedade de pessoas, o bem comum é para cada uma delas uma finalidade que deve servir, à qual há-de saber subordinar o seu interesse particular. Mas esse bem comum não constitui o seu fim último; e, neste sentido, é a sociedade que está ao serviço da pessoa, porque esta não consumará o seu destino senão em Deus. Ela não pode ser subordinada definitivamente senão a Deus. Nunca se pode tratar um homem como simples meio de que porventura se dispusesse para alcançar um fim mais elevado.
10. Sobre os direitos e os deveres recíprocos da pessoa e da sociedade, compete à moral esclarecer as consciências e ao direito determinar e organizar os encargos. Ora existe um conjunto de direitos que a sociedade não tem que conceder, porque eles lhe são anteriores; mas que ela tem por dever preservar a fazer valer: tais são a maior parte daqueles que hoje em dia se denominam os « direitos do homem » e que a nossa época se gloria de ter formulado.
11. O primeiro direito de uma pessoa humana é a sua vida. Ela tem outros bens e alguns deles são mais preciosos; mas este — da vida — é fundamental, condição de todos os demais. Por isso, deve ele, mais do que qualquer outro, ser protegido. Não compete à sociedade, nem compete à autoridade pública, seja qual for a sua forma, reconhecer este direito a alguns somente e não a outros: toda a discriminação aqui é iníqua, quer se fundamente na raça, quer no sexo, quer na cor, quer, enfim, na religião. Não é o reconhecimento por outrem que constitui este direito: ele precede tal reconhecimento; mais: ele exige ser reconhecido e é estritamente injusto recusar reconhecê-lo.
12. Uma discriminação fundada sobre os diversos períodos da vida não será pois mais justificável do que outra qualquer. O direito à vida permanece na sua inteireza num velhinho, mesmo que este se ache muito debilitado; permanece num doente incurável, este não o perdeu. Não é menos legítimo numa criança que acaba de nascer do que num homem feito. Na realidade, o respeito pela vida humana impõe-se desde o momento em que começou o processo da geração. Desde quando o óvulo foi fecundado, encontra-se inaugurada uma vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano, que se desenvolve por si mesmo. Ele não virá jamais a tornar-se humano, se o não for desde logo.
13. A esta evidência de sempre (absolutamente independente das discussões acerca do momento da animação),[19] a ciência genética moderna traz preciosas confirmações. Ela demonstrou, com efeito, que desde o primeiro instante se encontra traçado o programa daquilo que virá a ser este novo vivente: um homem, este homem indivíduo com as suas notas características já bem determinadas. A partir da fecundação, começou a aventura de uma vida humana, na qual cada uma das suas capacidades requer tempo, mesmo um tempo bastante longo, para eclodir e para se achar em condições de agir. O mínimo que se pode dizer é que a ciência actual, no seu estado mais evoluído, não dá apoio algum substancial aos defensores do aborto. De resto, não pertence às ciências biológicas dar um juízo decisivo sobre questões propriamente filosóficas e morais, como são a do momento em que se constitui a pessoa humana e a da legitimidade do aborto. Ora, sob o ponto de vista moral, isto é certo mesmo que porventura subsistisse uma dúvida concernente ao facto de o fruto da concepção ser já uma pessoa humana: é objectivamente um pecado grave ousar correr o risco de um homicídio. « É já um homem aquele que o virá a ser » [20] .
O ERRO DA EUTANÁSIA
Tenho impressão que a eutanásia — a idéia, senão a prática — está lentamente a ganhar aceitação na nossa sociedade. Os cínicos podem atribuir esse fato a uma tendência crescente de desvalorização da vida humana, mas não creio que esta seja a razão central. Bem publicitadas, histórias como a de Karen Quinlan, provocam em nós profundos sentimentos de compaixão. Pensamos para nós próprios, "Ela e a sua família ficariam melhor se ela morresse". É uma conseqüência simples desta resposta humana, verificar que se for melhor para uma pessoa (ou pessoas) que esteja morta, então deve ser correto matá-la.[1] Ainda que respeite a compaixão que conduz a esta conclusão, acredito que é errada. Pretendo mostrar que a eutanásia é errada. É intrinsecamente errada, mas também o é considerada a partir do interesse próprio e dos efeitos práticos.
Antes de apresentar os meus argumentos a favor desta posição, devo definir "eutanásia". Um aspecto essencial da eutanásia é implicar tirar uma vida humana, a própria ou a de outrem. Também a pessoa a quem é tirada a vida deve ser alguém que acredita estar a sofrer de alguma doença ou mal do qual se suspeita não ser razoavelmente possível esperar recuperação. Finalmente, a ação deve ser deliberada e intencional. Assim, eutanásia significa tirar intencionalmente a vida a alguém presumivelmente sem qualquer esperança de recuperação. Independentemente de se tratar da própria vida ou não, tirá-la significa igualmente eutanásia.
É importante ser claro acerca do caráter intencional ou deliberado do matar. Se, por engano, é dada uma injeção com uma droga errada a uma pessoa sem esperança e provoca a sua morte, será matar alguém por engano mas não será eutanásia. A morte não pode ser o resultado de um acidente. Além do mais, se é dada uma injeção com uma droga a uma pessoa, mas que se crê ser necessária para tratar a sua doença ou melhorar a sua condição e se morre, então não é nem morte por engano nem eutanásia. A intenção era melhorar a saúde da pessoa, não matá-la. Do mesmo modo, quando a condição de um doente é tal que não é razoável esperar que procedimentos médicos e tratamentos o possam salvar, uma falha na implantação destes procedimentos ou tratamentos não é eutanásia. Se uma pessoa morre, será como resultado dos seus males ou doença e não porque falhou o tratamento.
O ato de interromper o tratamento de uma pessoa depois de compreender que esta tem poucas possibilidades de beneficiar dele, tem sido caracterizado por alguns como "eutanásia passiva". Esta afirmação é enganadora e errada.[2] Nestes casos, a pessoa envolvida não é morta (primeiro aspecto essencial da eutanásia), nem a sua morte resulta da recusa de um tratamento adicional (terceiro aspecto essencial da eutanásia). O objetivo pode ser o de poupar a pessoa a um sofrimento adicional e injustificável, salvá-la de manipulações indignas, e evitar aumento o fardo financeiro e emocional à família. Quando compro um lápis é para usá-lo para escrever, não para aumentar o produto interno bruto (PIB). Esta pode ser uma conseqüência inesperada da minha ação, mas não é o seu objetivo. O mesmo se passa com a interrupção do tratamento de um doente terminal. Quis a sua morte tanto quanto quis reduzir a despesa pública ao não usar os medicamentos. Trata-se de morte não intencional, pelo que a chamada "eutanásia passiva" não é de todo eutanásia.
1. O argumento da natureza
Todo o ser humano tem uma inclinação natural para continuar a viver. Os nossos reflexos e respostas habilitam-nos para lutar contra atacantes, afugentar animais selvagens e afastar-nos do trajeto dos caminhões. No nosso dia-a-dia exercitamos a cautela e o cuidado necessários para nos protegermos. Os nossos corpos estão similarmente estruturados para sobreviver até ao nível molecular. Quanto nos cortamos, os nossos vasos capilares fecham-se, o nosso sangue coagula, e produz-se plasma para iniciar o processo de cura da ferida. Quando somos invadidos por bactérias, produzem-se anticorpos para combater os organismos invasores, e os seus restos são expulsos por células especializadas em trabalho de limpeza.
A eutanásia violenta o objetivo natural da sobrevivência. Significa literalmente agir contra a natureza, porque todos os seus processos estão inclinados para a sobrevivência. A eutanásia derrota estes mecanismos subtis de uma forma que, num caso particular, a doença ou os ferimentos não o fazem.
É possível, embora não seja necessário, apelar à religião revelada para sustentar esta conexão.[3] O ser humano enquanto tutor do seu corpo age contra Deus, que é o seu real proprietário, quando termina com a sua vida. Também viola os mandamentos divinos que declaram a santidade da vida e impedem que dela possamos dispor sem uma razão verdadeiramente irresistível. Mas porque este apelo persuade apenas aqueles que estão preparados para aceitar que a religião tenha acesso a verdades reveladas, não seguirei esta linha argumentativa.
É suficiente, acredito, reconhecer que a organização do corpo humano e os padrões das nossas respostas comportamentais mostram que a manutenção da vida é um objetivo natural. Podemos, por isso, e com base apenas na razão, reconhecer que a eutanásia nos coloca contra a nossa própria natureza.[4] Além de que, ao fazê-lo, a prática da eutanásia violenta a nossa dignidade, já que esta decorre da procura dos nossos fins. Considerando que um dos nossos objectivos é a sobrevivência, e que, no entanto, agimos para o eliminar, então é a nossa própria dignidade que sofre. Ao contrário dos animais, temos consciência através da razão da nossa natureza e dos nossos fins. A eutanásia implica agir como se esta dupla natureza — inclinação para a sobrevivência e consciência dela como um fim — não existisse. Logo, nega a nossa natureza humana básica e requer que nos olhemos a nós e aos outros como algo menos do que totalmente humanos.
2. O argumento do interesse próprio
Os argumentos supra referidos são, acredito, suficientes para mostrar que a eutanásia é intrinsecamente errada. Mas há razões para a considerar errada quando avaliada de acordo com parâmetros que não os da razão. Uma vez que a morte é final e irreversível, a eutanásia implica que as nossas ações ocorram contra os nossos interesses se a praticarmos ou permitirmos que outros a pratiquem em nós.
A medicina atual possui elevados padrões de excelência e um recorde provado de sucesso, mas não possui um conhecimento perfeito e completo. É possível um diagnóstico errado, do mesmo modo que é possível um prognóstico errado. Como conseqüência, pode dar-se o caso de acreditarmos que estamos a morrer de uma doença, quando na realidade e de fato, podemos não estar. Podemos pensar não haver hipóteses possíveis de recuperação, quando na realidade e de fato, até podem ser bastante boas. Nestas circunstâncias, se a eutanásia fosse permitida, morreríamos desnecessariamente. A morte é final e a hipótese de erro é demasiado grande para aprovar a prática da eutanásia.
De igual modo, é sempre possível que um procedimento experimental ainda não testado permita a recuperação. Devemos manter esta opção em aberto, o que a eutanásia impede. Além de que acontecem em muitos casos remissões espontâneas. Sem razão aparente, um doente simplesmente recupera quando todos à sua volta, incluindo os seus médicos, esperavam que morresse. A eutanásia apenas garantiria as suas expectativas não deixando lugar para recuperações "miraculosas" que acontecem frequentemente.
Finalmente, sabendo que podemos dispor da nossa vida em qualquer altura (ou pedir a outros que o façam) pode levar-nos facilmente a desistir. A vontade de viver é forte em todos nós, mas pode ser enfraquecida pela dor, pelo sofrimento e por sentimentos de impotência. Se permitirmos que sejamos mortos num período difícil, não teremos mais hipóteses de reconsiderar. Recuperar de uma doença grave implica que a possamos combater, e tudo o que possa enfraquecer a nossa determinação sugerindo que não há saídas fáceis é, em última análise, contrário aos nossos interesses. Podemos ainda estar inclinados a aceitar a eutanásia por causa das nossas preocupações com os outros. Se encaramos a nossa doença e o nosso sofrimento como um fardo financeiro e emocional para a nossa família, podemos sentir que morrer tornará as suas vidas melhores.[5] A simples presença desta possibilidade pode impedir-nos de sobreviver quando tal é possível.
3. O argumento dos efeitos práticos
Os médicos e as enfermeiras estão, na sua grande maioria, empenhados em salvar vidas. Uma vida perdida é, para eles, quase um fracasso pessoal, um insulto às suas capacidades e ao seu conhecimento. A eutanásia como prática pode alterar isto e exercer uma influência corruptora sobre os médicos e as enfermeiras, de tal forma que pode levar a que não se empenhem o suficiente. Podem decidir que o doente "estaria melhor morto" e desencadear o processo necessário para que tal acontecesse. Esta atitude pode conduzir a uma triagem de tal forma que tratariam apenas os casos menos graves. O resultado seria um decréscimo global da qualidade dos cuidados médicos prestados.
Finalmente, a eutanásia enquanto política seria como um declive ardiloso. Um doente aparentemente sem esperança poderia ser autorizado a terminar com a sua própria vida. Depois seria permitido a outros que o fizessem se não fosse capaz. O juízo dos outros passaria a ser o fator dominante. Nesta altura, a eutanásia já não seria pessoal e voluntária, uma vez que outros estariam a agir "em nome" do doente de uma forma que considerassem adequada. Este fato poderia conduzir a que se achassem no direito de agir em nome de outros doentes sem a sua permissão. Como se vê, então, um pequeno passo separa a eutanásia voluntária (auto-inflingida ou autorizada), da eutanásia administrada a um doente que não deu o seu consentimento, e da eutanásia involuntária conduzida como parte de uma política social.[6] Ainda recentemente psiquiatras e sociólogos defenderam que definimos como "doença mental" aquelas formas de comportamento que desaprovamos.[7] Isto permite que fechemos todos aqueles que exibam este tipo de comportamentos. A categoria do "doente sem esperança" fornece-nos a possibilidade de um abuso ainda maior. Justificado por uma política social, daria à sociedade e aos seus representantes, a autoridade necessária para eliminar todos aqueles que pudessem ser considerados demasiado "doentes" para funcionar normalmente. Os perigos da eutanásia são demasiado grandes para que possamos correr o risco de a aprovar sob qualquer forma. O primeiro passo escorregadio poderia conduzir a uma queda séria e aparentemente inofensiva.
Espero que tenha sido bem sucedido na tentativa de mostrar que a benevolência que nos inclina a aprovar a eutanásia é despropositada. A eutanásia é intrinsecamente errada porque viola a natureza e a dignidade dos seres humanos. Mas mesmo aqueles que estão convencidos disto podem ser persuadidos de que os perigos pessoais e sociais potenciais e inerentes à eutanásia são suficientes para proibir a sua aprovação seja como prática individual, seja como política social.
O sofrimento é sem dúvida algo terrível e temos um dever claro de confortar aqueles que precisam e atenuar o seu sofrimento tanto quanto nos for possível. Mas o sofrimento é um aspecto natural da vida humana que não deve ser ignorado. Podemos procurar para nós e para os outros uma morte mais fácil, como defende Arthur Dyck.[8] Mas a eutanásia não é, contudo, apenas uma morte fácil. É uma morte errada. A eutanásia não é apenas morrer. É assassínio.
9. Contudo, a vida temporal que se leva neste mundo não se identifica com a pessoa; esta tem como seu próprio um nível de vida mais profundo, que não poderá acabar. Sim, a vida temporal é um bem fundamental, aqui na terra condição de todos os demais bens; mas existem valores mais altos, pelos quais poderá ser lícito e mesmo até necessário expor-se ao perigo de a perder. Numa sociedade de pessoas, o bem comum é para cada uma delas uma finalidade que deve servir, à qual há-de saber subordinar o seu interesse particular. Mas esse bem comum não constitui o seu fim último; e, neste sentido, é a sociedade que está ao serviço da pessoa, porque esta não consumará o seu destino senão em Deus. Ela não pode ser subordinada definitivamente senão a Deus. Nunca se pode tratar um homem como simples meio de que porventura se dispusesse para alcançar um fim mais elevado.
10. Sobre os direitos e os deveres recíprocos da pessoa e da sociedade, compete à moral esclarecer as consciências e ao direito determinar e organizar os encargos. Ora existe um conjunto de direitos que a sociedade não tem que conceder, porque eles lhe são anteriores; mas que ela tem por dever preservar a fazer valer: tais são a maior parte daqueles que hoje em dia se denominam os « direitos do homem » e que a nossa época se gloria de ter formulado.
11. O primeiro direito de uma pessoa humana é a sua vida. Ela tem outros bens e alguns deles são mais preciosos; mas este — da vida — é fundamental, condição de todos os demais. Por isso, deve ele, mais do que qualquer outro, ser protegido. Não compete à sociedade, nem compete à autoridade pública, seja qual for a sua forma, reconhecer este direito a alguns somente e não a outros: toda a discriminação aqui é iníqua, quer se fundamente na raça, quer no sexo, quer na cor, quer, enfim, na religião. Não é o reconhecimento por outrem que constitui este direito: ele precede tal reconhecimento; mais: ele exige ser reconhecido e é estritamente injusto recusar reconhecê-lo.
12. Uma discriminação fundada sobre os diversos períodos da vida não será pois mais justificável do que outra qualquer. O direito à vida permanece na sua inteireza num velhinho, mesmo que este se ache muito debilitado; permanece num doente incurável, este não o perdeu. Não é menos legítimo numa criança que acaba de nascer do que num homem feito. Na realidade, o respeito pela vida humana impõe-se desde o momento em que começou o processo da geração. Desde quando o óvulo foi fecundado, encontra-se inaugurada uma vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano, que se desenvolve por si mesmo. Ele não virá jamais a tornar-se humano, se o não for desde logo.
13. A esta evidência de sempre (absolutamente independente das discussões acerca do momento da animação),[19] a ciência genética moderna traz preciosas confirmações. Ela demonstrou, com efeito, que desde o primeiro instante se encontra traçado o programa daquilo que virá a ser este novo vivente: um homem, este homem indivíduo com as suas notas características já bem determinadas. A partir da fecundação, começou a aventura de uma vida humana, na qual cada uma das suas capacidades requer tempo, mesmo um tempo bastante longo, para eclodir e para se achar em condições de agir. O mínimo que se pode dizer é que a ciência actual, no seu estado mais evoluído, não dá apoio algum substancial aos defensores do aborto. De resto, não pertence às ciências biológicas dar um juízo decisivo sobre questões propriamente filosóficas e morais, como são a do momento em que se constitui a pessoa humana e a da legitimidade do aborto. Ora, sob o ponto de vista moral, isto é certo mesmo que porventura subsistisse uma dúvida concernente ao facto de o fruto da concepção ser já uma pessoa humana: é objectivamente um pecado grave ousar correr o risco de um homicídio. « É já um homem aquele que o virá a ser » [20] .
O ERRO DA EUTANÁSIA
Tenho impressão que a eutanásia — a idéia, senão a prática — está lentamente a ganhar aceitação na nossa sociedade. Os cínicos podem atribuir esse fato a uma tendência crescente de desvalorização da vida humana, mas não creio que esta seja a razão central. Bem publicitadas, histórias como a de Karen Quinlan, provocam em nós profundos sentimentos de compaixão. Pensamos para nós próprios, "Ela e a sua família ficariam melhor se ela morresse". É uma conseqüência simples desta resposta humana, verificar que se for melhor para uma pessoa (ou pessoas) que esteja morta, então deve ser correto matá-la.[1] Ainda que respeite a compaixão que conduz a esta conclusão, acredito que é errada. Pretendo mostrar que a eutanásia é errada. É intrinsecamente errada, mas também o é considerada a partir do interesse próprio e dos efeitos práticos.
Antes de apresentar os meus argumentos a favor desta posição, devo definir "eutanásia". Um aspecto essencial da eutanásia é implicar tirar uma vida humana, a própria ou a de outrem. Também a pessoa a quem é tirada a vida deve ser alguém que acredita estar a sofrer de alguma doença ou mal do qual se suspeita não ser razoavelmente possível esperar recuperação. Finalmente, a ação deve ser deliberada e intencional. Assim, eutanásia significa tirar intencionalmente a vida a alguém presumivelmente sem qualquer esperança de recuperação. Independentemente de se tratar da própria vida ou não, tirá-la significa igualmente eutanásia.
É importante ser claro acerca do caráter intencional ou deliberado do matar. Se, por engano, é dada uma injeção com uma droga errada a uma pessoa sem esperança e provoca a sua morte, será matar alguém por engano mas não será eutanásia. A morte não pode ser o resultado de um acidente. Além do mais, se é dada uma injeção com uma droga a uma pessoa, mas que se crê ser necessária para tratar a sua doença ou melhorar a sua condição e se morre, então não é nem morte por engano nem eutanásia. A intenção era melhorar a saúde da pessoa, não matá-la. Do mesmo modo, quando a condição de um doente é tal que não é razoável esperar que procedimentos médicos e tratamentos o possam salvar, uma falha na implantação destes procedimentos ou tratamentos não é eutanásia. Se uma pessoa morre, será como resultado dos seus males ou doença e não porque falhou o tratamento.
O ato de interromper o tratamento de uma pessoa depois de compreender que esta tem poucas possibilidades de beneficiar dele, tem sido caracterizado por alguns como "eutanásia passiva". Esta afirmação é enganadora e errada.[2] Nestes casos, a pessoa envolvida não é morta (primeiro aspecto essencial da eutanásia), nem a sua morte resulta da recusa de um tratamento adicional (terceiro aspecto essencial da eutanásia). O objetivo pode ser o de poupar a pessoa a um sofrimento adicional e injustificável, salvá-la de manipulações indignas, e evitar aumento o fardo financeiro e emocional à família. Quando compro um lápis é para usá-lo para escrever, não para aumentar o produto interno bruto (PIB). Esta pode ser uma conseqüência inesperada da minha ação, mas não é o seu objetivo. O mesmo se passa com a interrupção do tratamento de um doente terminal. Quis a sua morte tanto quanto quis reduzir a despesa pública ao não usar os medicamentos. Trata-se de morte não intencional, pelo que a chamada "eutanásia passiva" não é de todo eutanásia.
1. O argumento da natureza
Todo o ser humano tem uma inclinação natural para continuar a viver. Os nossos reflexos e respostas habilitam-nos para lutar contra atacantes, afugentar animais selvagens e afastar-nos do trajeto dos caminhões. No nosso dia-a-dia exercitamos a cautela e o cuidado necessários para nos protegermos. Os nossos corpos estão similarmente estruturados para sobreviver até ao nível molecular. Quanto nos cortamos, os nossos vasos capilares fecham-se, o nosso sangue coagula, e produz-se plasma para iniciar o processo de cura da ferida. Quando somos invadidos por bactérias, produzem-se anticorpos para combater os organismos invasores, e os seus restos são expulsos por células especializadas em trabalho de limpeza.
A eutanásia violenta o objetivo natural da sobrevivência. Significa literalmente agir contra a natureza, porque todos os seus processos estão inclinados para a sobrevivência. A eutanásia derrota estes mecanismos subtis de uma forma que, num caso particular, a doença ou os ferimentos não o fazem.
É possível, embora não seja necessário, apelar à religião revelada para sustentar esta conexão.[3] O ser humano enquanto tutor do seu corpo age contra Deus, que é o seu real proprietário, quando termina com a sua vida. Também viola os mandamentos divinos que declaram a santidade da vida e impedem que dela possamos dispor sem uma razão verdadeiramente irresistível. Mas porque este apelo persuade apenas aqueles que estão preparados para aceitar que a religião tenha acesso a verdades reveladas, não seguirei esta linha argumentativa.
É suficiente, acredito, reconhecer que a organização do corpo humano e os padrões das nossas respostas comportamentais mostram que a manutenção da vida é um objetivo natural. Podemos, por isso, e com base apenas na razão, reconhecer que a eutanásia nos coloca contra a nossa própria natureza.[4] Além de que, ao fazê-lo, a prática da eutanásia violenta a nossa dignidade, já que esta decorre da procura dos nossos fins. Considerando que um dos nossos objectivos é a sobrevivência, e que, no entanto, agimos para o eliminar, então é a nossa própria dignidade que sofre. Ao contrário dos animais, temos consciência através da razão da nossa natureza e dos nossos fins. A eutanásia implica agir como se esta dupla natureza — inclinação para a sobrevivência e consciência dela como um fim — não existisse. Logo, nega a nossa natureza humana básica e requer que nos olhemos a nós e aos outros como algo menos do que totalmente humanos.
2. O argumento do interesse próprio
Os argumentos supra referidos são, acredito, suficientes para mostrar que a eutanásia é intrinsecamente errada. Mas há razões para a considerar errada quando avaliada de acordo com parâmetros que não os da razão. Uma vez que a morte é final e irreversível, a eutanásia implica que as nossas ações ocorram contra os nossos interesses se a praticarmos ou permitirmos que outros a pratiquem em nós.
A medicina atual possui elevados padrões de excelência e um recorde provado de sucesso, mas não possui um conhecimento perfeito e completo. É possível um diagnóstico errado, do mesmo modo que é possível um prognóstico errado. Como conseqüência, pode dar-se o caso de acreditarmos que estamos a morrer de uma doença, quando na realidade e de fato, podemos não estar. Podemos pensar não haver hipóteses possíveis de recuperação, quando na realidade e de fato, até podem ser bastante boas. Nestas circunstâncias, se a eutanásia fosse permitida, morreríamos desnecessariamente. A morte é final e a hipótese de erro é demasiado grande para aprovar a prática da eutanásia.
De igual modo, é sempre possível que um procedimento experimental ainda não testado permita a recuperação. Devemos manter esta opção em aberto, o que a eutanásia impede. Além de que acontecem em muitos casos remissões espontâneas. Sem razão aparente, um doente simplesmente recupera quando todos à sua volta, incluindo os seus médicos, esperavam que morresse. A eutanásia apenas garantiria as suas expectativas não deixando lugar para recuperações "miraculosas" que acontecem frequentemente.
Finalmente, sabendo que podemos dispor da nossa vida em qualquer altura (ou pedir a outros que o façam) pode levar-nos facilmente a desistir. A vontade de viver é forte em todos nós, mas pode ser enfraquecida pela dor, pelo sofrimento e por sentimentos de impotência. Se permitirmos que sejamos mortos num período difícil, não teremos mais hipóteses de reconsiderar. Recuperar de uma doença grave implica que a possamos combater, e tudo o que possa enfraquecer a nossa determinação sugerindo que não há saídas fáceis é, em última análise, contrário aos nossos interesses. Podemos ainda estar inclinados a aceitar a eutanásia por causa das nossas preocupações com os outros. Se encaramos a nossa doença e o nosso sofrimento como um fardo financeiro e emocional para a nossa família, podemos sentir que morrer tornará as suas vidas melhores.[5] A simples presença desta possibilidade pode impedir-nos de sobreviver quando tal é possível.
3. O argumento dos efeitos práticos
Os médicos e as enfermeiras estão, na sua grande maioria, empenhados em salvar vidas. Uma vida perdida é, para eles, quase um fracasso pessoal, um insulto às suas capacidades e ao seu conhecimento. A eutanásia como prática pode alterar isto e exercer uma influência corruptora sobre os médicos e as enfermeiras, de tal forma que pode levar a que não se empenhem o suficiente. Podem decidir que o doente "estaria melhor morto" e desencadear o processo necessário para que tal acontecesse. Esta atitude pode conduzir a uma triagem de tal forma que tratariam apenas os casos menos graves. O resultado seria um decréscimo global da qualidade dos cuidados médicos prestados.
Finalmente, a eutanásia enquanto política seria como um declive ardiloso. Um doente aparentemente sem esperança poderia ser autorizado a terminar com a sua própria vida. Depois seria permitido a outros que o fizessem se não fosse capaz. O juízo dos outros passaria a ser o fator dominante. Nesta altura, a eutanásia já não seria pessoal e voluntária, uma vez que outros estariam a agir "em nome" do doente de uma forma que considerassem adequada. Este fato poderia conduzir a que se achassem no direito de agir em nome de outros doentes sem a sua permissão. Como se vê, então, um pequeno passo separa a eutanásia voluntária (auto-inflingida ou autorizada), da eutanásia administrada a um doente que não deu o seu consentimento, e da eutanásia involuntária conduzida como parte de uma política social.[6] Ainda recentemente psiquiatras e sociólogos defenderam que definimos como "doença mental" aquelas formas de comportamento que desaprovamos.[7] Isto permite que fechemos todos aqueles que exibam este tipo de comportamentos. A categoria do "doente sem esperança" fornece-nos a possibilidade de um abuso ainda maior. Justificado por uma política social, daria à sociedade e aos seus representantes, a autoridade necessária para eliminar todos aqueles que pudessem ser considerados demasiado "doentes" para funcionar normalmente. Os perigos da eutanásia são demasiado grandes para que possamos correr o risco de a aprovar sob qualquer forma. O primeiro passo escorregadio poderia conduzir a uma queda séria e aparentemente inofensiva.
Espero que tenha sido bem sucedido na tentativa de mostrar que a benevolência que nos inclina a aprovar a eutanásia é despropositada. A eutanásia é intrinsecamente errada porque viola a natureza e a dignidade dos seres humanos. Mas mesmo aqueles que estão convencidos disto podem ser persuadidos de que os perigos pessoais e sociais potenciais e inerentes à eutanásia são suficientes para proibir a sua aprovação seja como prática individual, seja como política social.
O sofrimento é sem dúvida algo terrível e temos um dever claro de confortar aqueles que precisam e atenuar o seu sofrimento tanto quanto nos for possível. Mas o sofrimento é um aspecto natural da vida humana que não deve ser ignorado. Podemos procurar para nós e para os outros uma morte mais fácil, como defende Arthur Dyck.[8] Mas a eutanásia não é, contudo, apenas uma morte fácil. É uma morte errada. A eutanásia não é apenas morrer. É assassínio.
trabalho e virtudes humanas( valores)
trabalho e virtudes humanas
Em Busca de Sentido: Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transfomarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felcidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.
E ainda, no mesmo prefácio da edição de 1984 de Em Busca de Sentido: Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira posível. E então voces verão que a longo prazo - estou dizendo a longo prazo! - o sucesso vai perseguí-los, precisamente porque voces esqueceram de pensar nele.
Finalmente: Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.
três categorias de valores:
1. Criativos – dar algo ao mundo, uma tarefa, uma
obra, um trabalho;
2. Vivenciais – receber algo do mundo, a expe-
riência do amor, por exemplo;
3. De atitude – posicionar-se diante de sofrimen-
tos inevitáveis.
A busca de sentido
O sentido do sofrimento
Diante das adversidades impostas, haverá o homem que dotar a vida
de sentido nas situações mais difíceis, onde o que importa é dar testemunho da
melhor e exclusiva potencialidade humana: transformar a tragédia, a doença, a
deficiência ou o fracasso em um triunfo pessoal, em um sucesso humano
(FRANKL, 2000). A vida cobra mais sentido quanto mais difícil se faz. Se a vida
tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Aflição e morte
fazem parte da vida como um todo (FRANKL, 1989). O sentido do sofrimento só
pode ser encontrado e dado por cada pessoa particularmente e dependerá da
atitude que a pessoa tomar. Se realizar os valores que lhe são oferecidos pela
situação sofrida e pelo seu pesado destino, ela encontrará dignidade em seu
sofrimento (FRANKL, 1978).
Para Frankl (2000, p. 57):
O homem não está autorizado a perguntar qual o sentido
da vida, senão que é a própria vida que lhe coloca
continuamente perguntas, as quais deve responder. E é
ele que responde ou que deve responder. Não responde
com palavras, senão com ações, com ações
responsáveis.
Diante das situações-limite impostas pela vida, o homem experimenta
a tensão ao ter que tomar iniciativas para responder ao sofrimento e para
desenvolver as capacidades que tem. Isto chega a ele como um desafio, uma
tarefa, uma responsabilidade. A ignorância, manipulação ou negação desta
realidade faz com que ele caia num vazio existencial, uma frustração que vem
da falta de sentido. A capacidade de buscar um sentido que ele tem que encontrar
por conta própria e, apesar das dificuldades, saber que há algo valioso na vida,
possibilita dar coerência e orientação a esta.
Frankl (1978, p. 241) diz que:
O homem não se destrói por sofrer, o homem se destrói
por sofrer sem sentido. Sofrer significa agir e significa
crescer. Significa igualmente amadurecer. O indivíduo
que se eleva acima de si mesmo avança para a
maturidade... e a maturidade pressupõe, todavia, que o
indivíduo tenha alcançado uma liberdade interior,
malgrado sua dependência exterior.
O desenvolvimento de condutas resilientes, ao invés de resignação,
leva o homem a uma mudança de si e, conseqüentemente, do contexto em que
está. A resiliência está em encontrar um sentido à vida em qualquer circunstância.
Valores
“Para além do sentido vinculado a uma situação irrepetível e única, há
ainda universais de sentido que se prendem à condition humaine enquanto tal, e
é a estas possibilidades gerais de sentido, que se chamam valores”, diz Frankl
(1989, p. 79). Os valores são, por definição, abstratos gerais de sentido, que nos
permite compreender o valioso da vida, independente da estreiteza das suas
circunstâncias. Os valores podem ser vivenciais, criativos e de atitude.
Valores vivenciais
Os valores vivenciais são os que se realizam na experiência vital ao
viver a vida plenamente. Está relacionado ao amor, ao que o indivíduo sente ou
recebe do mundo, experimentando algo ou encontrando alguém (FRANKL, 1989).
Para o indivíduo especial, a importância da família e de vínculos afetivos representa
os meios pelos quais se abrem as portas da aceitação para que ele possa viver
o que vida lhe oferece em plenitude. “O elemento básico de todo apoio e
necessidade humana e de toda resiliência é a confiança. No que se refere à
família, a melhor definição de tal elemento básico é relações de confiança e
amor”, destaca Grotberg (2004, p. 188).
A resiliência se constrói a partir de apoio externo definido em termos
de Eu tenho: pessoas em quem confio e me querem incondicionalmente, que
me impõem limites para que possa evitar perigos e problemas, que me mostram
por meio de sua conduta a maneira correta de proceder, que querem que eu
aprenda a desenvolver-me sozinho e que me ajudam quando estou enfermo, em
perigo ou quando necessito aprender. A família é, geralmente, a principal
responsável pelos cuidados do indivíduo especial. Em termos de resiliência,
toda a família sofre uma adversidade importante e deve aprender a enfrentá-la,
fortalecer-se e tornar-se mais competente. Quando a família encara o trabalho
que terá pela frente como um desafio, uma tarefa com sentido, conserva mais
sua saúde física e mental (GROTBERG, 2004).
Valores criativos
Os valores criativos referem-se à capacidade de criar condições
satisfatórias em qualquer situação. São atos de realização que dizem respeito
ao trabalho, ao que o indivíduo faz e que pode oferecer ao mundo (FRANKL,
1989). A criatividade é uma possibilidade de dar respostas originais à solução
de problemas e, neste aspecto, funciona junto com a resiliência, pois a
criatividade é o potencial que todo ser humano tem para transformar e inovar
sua realidade, gerar idéias ou novidades, criando ordem, beleza e finalidade
através do caos e da desordem. No indivíduo especial, podem-se mobilizar as
potencialidades criativas por meio da intensificação da ação cultural. Pelos canais
culturais, o ser humano pode ser capaz de atravessar bloqueios parciais de si
mesmo (CYRULNIK, 2002).
Valores de atitude
Os valores de atitude são aqueles que se realizam em cada instante
da vida e referem-se à forma com se age diante de situações-limites, oferecendo
a possibilidade de enriquecer a vida daquele que os vivencia. Uma existência,
por muito empobrecida que pareça, pode oferecer ainda uma ultima oportunidade
e decerto a maior para, apesar de tudo, realizar valores. Trata-se de atitudes,
tais como, a valentia no sofrimento ou a dignidade na ruína e no malogro. Refere-
se à capacidade de transformação, pois mesmo uma pessoa desamparada é
capaz de não se identificar com seu sofrimento, podendo erguer-se acima de si
mesma, crescer para além de si mesma e assim, mudar-se a si mesma,
transformando sua tragédia pessoal em triunfo (FRANKL, 1989).
Em Busca de Sentido: Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transfomarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felcidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.
E ainda, no mesmo prefácio da edição de 1984 de Em Busca de Sentido: Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira posível. E então voces verão que a longo prazo - estou dizendo a longo prazo! - o sucesso vai perseguí-los, precisamente porque voces esqueceram de pensar nele.
Finalmente: Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.
três categorias de valores:
1. Criativos – dar algo ao mundo, uma tarefa, uma
obra, um trabalho;
2. Vivenciais – receber algo do mundo, a expe-
riência do amor, por exemplo;
3. De atitude – posicionar-se diante de sofrimen-
tos inevitáveis.
A busca de sentido
O sentido do sofrimento
Diante das adversidades impostas, haverá o homem que dotar a vida
de sentido nas situações mais difíceis, onde o que importa é dar testemunho da
melhor e exclusiva potencialidade humana: transformar a tragédia, a doença, a
deficiência ou o fracasso em um triunfo pessoal, em um sucesso humano
(FRANKL, 2000). A vida cobra mais sentido quanto mais difícil se faz. Se a vida
tem sentido, também o sofrimento necessariamente o terá. Aflição e morte
fazem parte da vida como um todo (FRANKL, 1989). O sentido do sofrimento só
pode ser encontrado e dado por cada pessoa particularmente e dependerá da
atitude que a pessoa tomar. Se realizar os valores que lhe são oferecidos pela
situação sofrida e pelo seu pesado destino, ela encontrará dignidade em seu
sofrimento (FRANKL, 1978).
Para Frankl (2000, p. 57):
O homem não está autorizado a perguntar qual o sentido
da vida, senão que é a própria vida que lhe coloca
continuamente perguntas, as quais deve responder. E é
ele que responde ou que deve responder. Não responde
com palavras, senão com ações, com ações
responsáveis.
Diante das situações-limite impostas pela vida, o homem experimenta
a tensão ao ter que tomar iniciativas para responder ao sofrimento e para
desenvolver as capacidades que tem. Isto chega a ele como um desafio, uma
tarefa, uma responsabilidade. A ignorância, manipulação ou negação desta
realidade faz com que ele caia num vazio existencial, uma frustração que vem
da falta de sentido. A capacidade de buscar um sentido que ele tem que encontrar
por conta própria e, apesar das dificuldades, saber que há algo valioso na vida,
possibilita dar coerência e orientação a esta.
Frankl (1978, p. 241) diz que:
O homem não se destrói por sofrer, o homem se destrói
por sofrer sem sentido. Sofrer significa agir e significa
crescer. Significa igualmente amadurecer. O indivíduo
que se eleva acima de si mesmo avança para a
maturidade... e a maturidade pressupõe, todavia, que o
indivíduo tenha alcançado uma liberdade interior,
malgrado sua dependência exterior.
O desenvolvimento de condutas resilientes, ao invés de resignação,
leva o homem a uma mudança de si e, conseqüentemente, do contexto em que
está. A resiliência está em encontrar um sentido à vida em qualquer circunstância.
Valores
“Para além do sentido vinculado a uma situação irrepetível e única, há
ainda universais de sentido que se prendem à condition humaine enquanto tal, e
é a estas possibilidades gerais de sentido, que se chamam valores”, diz Frankl
(1989, p. 79). Os valores são, por definição, abstratos gerais de sentido, que nos
permite compreender o valioso da vida, independente da estreiteza das suas
circunstâncias. Os valores podem ser vivenciais, criativos e de atitude.
Valores vivenciais
Os valores vivenciais são os que se realizam na experiência vital ao
viver a vida plenamente. Está relacionado ao amor, ao que o indivíduo sente ou
recebe do mundo, experimentando algo ou encontrando alguém (FRANKL, 1989).
Para o indivíduo especial, a importância da família e de vínculos afetivos representa
os meios pelos quais se abrem as portas da aceitação para que ele possa viver
o que vida lhe oferece em plenitude. “O elemento básico de todo apoio e
necessidade humana e de toda resiliência é a confiança. No que se refere à
família, a melhor definição de tal elemento básico é relações de confiança e
amor”, destaca Grotberg (2004, p. 188).
A resiliência se constrói a partir de apoio externo definido em termos
de Eu tenho: pessoas em quem confio e me querem incondicionalmente, que
me impõem limites para que possa evitar perigos e problemas, que me mostram
por meio de sua conduta a maneira correta de proceder, que querem que eu
aprenda a desenvolver-me sozinho e que me ajudam quando estou enfermo, em
perigo ou quando necessito aprender. A família é, geralmente, a principal
responsável pelos cuidados do indivíduo especial. Em termos de resiliência,
toda a família sofre uma adversidade importante e deve aprender a enfrentá-la,
fortalecer-se e tornar-se mais competente. Quando a família encara o trabalho
que terá pela frente como um desafio, uma tarefa com sentido, conserva mais
sua saúde física e mental (GROTBERG, 2004).
Valores criativos
Os valores criativos referem-se à capacidade de criar condições
satisfatórias em qualquer situação. São atos de realização que dizem respeito
ao trabalho, ao que o indivíduo faz e que pode oferecer ao mundo (FRANKL,
1989). A criatividade é uma possibilidade de dar respostas originais à solução
de problemas e, neste aspecto, funciona junto com a resiliência, pois a
criatividade é o potencial que todo ser humano tem para transformar e inovar
sua realidade, gerar idéias ou novidades, criando ordem, beleza e finalidade
através do caos e da desordem. No indivíduo especial, podem-se mobilizar as
potencialidades criativas por meio da intensificação da ação cultural. Pelos canais
culturais, o ser humano pode ser capaz de atravessar bloqueios parciais de si
mesmo (CYRULNIK, 2002).
Valores de atitude
Os valores de atitude são aqueles que se realizam em cada instante
da vida e referem-se à forma com se age diante de situações-limites, oferecendo
a possibilidade de enriquecer a vida daquele que os vivencia. Uma existência,
por muito empobrecida que pareça, pode oferecer ainda uma ultima oportunidade
e decerto a maior para, apesar de tudo, realizar valores. Trata-se de atitudes,
tais como, a valentia no sofrimento ou a dignidade na ruína e no malogro. Refere-
se à capacidade de transformação, pois mesmo uma pessoa desamparada é
capaz de não se identificar com seu sofrimento, podendo erguer-se acima de si
mesma, crescer para além de si mesma e assim, mudar-se a si mesma,
transformando sua tragédia pessoal em triunfo (FRANKL, 1989).
O TRABALHO COMO LUGAR DE VIDA

O TRABALHO COMO LUGAR DE VIDA
Acreditamos que o entusiasmo pelo trabalho, a energia, a capacidade operativa não nascem apenas de uma correspondência com a própria sensibilidade, da busca de uma atividade prazerosa, mas do reconhecimento de que é através de circunstâncias concretas que se joga todo o desejo e a possibilidade de realização da própria natureza humana.
Desta forma, o trabalho adquire seu pleno significado, deixando de ser apenas um “pedágio” a ser pago, assim como a ética deixa de ser algo que deve ser acrescentado ao homem, tornando-se conteúdo de sua consciência.
O trabalho como fonte de realização pessoal, de estímulo permanente para a ação, que molda a realidade e ao mesmo tempo expressa e constrói a pessoa humana, perde seu valor intrínseco e torna-se um meio para alcançar uma situação de bem estar.
O trabalho não é somente uma maneira de viver com dignidade, mas uma atividade cultural, o espaço onde pode ser expressa a originalidade pessoal, a criatividade, a iniciativa livre e o conhecimento de cada um. É um instrumento da participação na vida da comunidade.
Victor Frankl, caracteriza o trabalho como o modo do homem responder de forma original e ativa às circunstâncias concretas da vida tendo uma meta a ser atingida.
Quando esta meta está obscurecida, a tendência é a paralisia e poderíamos acrescentar, a luta pela recompensa material ou social.
É através do trabalho que o homem expressa seu caráter único, advindo daí o seu sentido e valor.
Na contramão da mentalidade dominante o autor afirma que a profissão em si não traz consigo a plena satisfação, não tem a capacidade de realizar o homem:
Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão o que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão, em si, não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para vir a sê-lo. (...) Só a partir do momento em que se move para além das fronteiras dos preceitos puramente profissionais, para além do que está ‘regulado’ pela profissão, — só a partir desse momento é que o médico, por exemplo, começa um trabalho verdadeiramente profissional, que só ele pode levar a cabo plenamente (Brandão:2000, 83).
Isto não menospreza o desejo de crescer profissionalmente, mas modifica substancialmente a quase “obsessão” dos jovens pela rápida ascensão profissional, pois o que realmente importa é o modo como o homem realiza sua tarefa, imprimindo a ela uma marca pessoal e insubstituível.
Ao entrarmos em diálogo com Luigi Giussani, a relação entre educação, trabalho e ética torna-se mais explícita.
Para o autor o trabalho é essencial na vida do homem inicialmente porque o homem conhece a si mesmo somente na ação e no trabalho. Além disto, é na esfera do trabalho que o homem se constitui, porque se empenha numa a tarefa, utiliza sua criatividade para solucionar problemas, dedica-se aos outros, enfim, torna-se protagonista de sua vida e gerador de obras.
Aqui se encontra o grande valor do trabalho como atitude diante do real: o estímulo para que a pessoa observe a si mesma, examine o significado pessoal e social de seu projeto, analise todas as variáveis envolvidas, aprenda a utilizá-las adequadamente, enfrente os desafios, reoriente sua ação tendo em tendo em vista um objetivo, enfim, que possa imprimir uma marca pessoal no mundo, através de sua ação.
Estando diante deste significado, sempre misterioso, o sacrifício, o sofrimento que o trabalho exige faz sentido, serve para alcançar a realização de si.
Assim fica evidente porque é necessário considerar o homem como pessoa e não apenas como recurso, “recurso humano” ou pior, como “capital humano” numa imagem “coisificante” (reificante). Também seria profundamente ambíguo encarar o trabalho humano usando o aspecto “espiritual” do trabalhador em sentido instrumental, isto é, apenas para aumentar o seu rendimento. Pelo contrário o homem é desejo de felicidade (Valentini:2004, 9)
Aqui aparece a outra face do trabalho: a colaboração e a solidariedade - trabalha-se cada vez mais com e para os outros, sendo esta uma ocasião de crescimento mútuo e geração de frutos para toda a sociedade.
A raiz da unidade não é “instrumental”, isto é meramente funcional à produção, mas intrínseca ao próprio ser humano. O trabalho em equipe, a colaboração, o fato de estar diante do outro com a capacidade de valorizar seus aspectos construtivos e redimensionando seus limites, isto quer dizer ver-ser e tratar-se como “seres espirituais”. (Valentini:2004, 9)
O trabalho, portanto, é um aspecto parcial da realidade que conduz ao todo, através do qual se afirma a razão pela qual se existe e deve ser o resultado de uma ação educativa porque reconduz o homem à razão última de seu agir.
Só assim o homem torna-s sujeito criador, idealizador e realizador de obras.
Acreditamos que o entusiasmo pelo trabalho, a energia, a capacidade operativa não nascem apenas de uma correspondência com a própria sensibilidade, da busca de uma atividade prazerosa, mas do reconhecimento de que é através de circunstâncias concretas que se joga todo o desejo e a possibilidade de realização da própria natureza humana.
Desta forma, o trabalho adquire seu pleno significado, deixando de ser apenas um “pedágio” a ser pago, assim como a ética deixa de ser algo que deve ser acrescentado ao homem, tornando-se conteúdo de sua consciência.
O trabalho como fonte de realização pessoal, de estímulo permanente para a ação, que molda a realidade e ao mesmo tempo expressa e constrói a pessoa humana, perde seu valor intrínseco e torna-se um meio para alcançar uma situação de bem estar.
O trabalho não é somente uma maneira de viver com dignidade, mas uma atividade cultural, o espaço onde pode ser expressa a originalidade pessoal, a criatividade, a iniciativa livre e o conhecimento de cada um. É um instrumento da participação na vida da comunidade.
Victor Frankl, caracteriza o trabalho como o modo do homem responder de forma original e ativa às circunstâncias concretas da vida tendo uma meta a ser atingida.
Quando esta meta está obscurecida, a tendência é a paralisia e poderíamos acrescentar, a luta pela recompensa material ou social.
É através do trabalho que o homem expressa seu caráter único, advindo daí o seu sentido e valor.
Na contramão da mentalidade dominante o autor afirma que a profissão em si não traz consigo a plena satisfação, não tem a capacidade de realizar o homem:
Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão o que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão, em si, não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para vir a sê-lo. (...) Só a partir do momento em que se move para além das fronteiras dos preceitos puramente profissionais, para além do que está ‘regulado’ pela profissão, — só a partir desse momento é que o médico, por exemplo, começa um trabalho verdadeiramente profissional, que só ele pode levar a cabo plenamente (Brandão:2000, 83).
Isto não menospreza o desejo de crescer profissionalmente, mas modifica substancialmente a quase “obsessão” dos jovens pela rápida ascensão profissional, pois o que realmente importa é o modo como o homem realiza sua tarefa, imprimindo a ela uma marca pessoal e insubstituível.
Ao entrarmos em diálogo com Luigi Giussani, a relação entre educação, trabalho e ética torna-se mais explícita.
Para o autor o trabalho é essencial na vida do homem inicialmente porque o homem conhece a si mesmo somente na ação e no trabalho. Além disto, é na esfera do trabalho que o homem se constitui, porque se empenha numa a tarefa, utiliza sua criatividade para solucionar problemas, dedica-se aos outros, enfim, torna-se protagonista de sua vida e gerador de obras.
Aqui se encontra o grande valor do trabalho como atitude diante do real: o estímulo para que a pessoa observe a si mesma, examine o significado pessoal e social de seu projeto, analise todas as variáveis envolvidas, aprenda a utilizá-las adequadamente, enfrente os desafios, reoriente sua ação tendo em tendo em vista um objetivo, enfim, que possa imprimir uma marca pessoal no mundo, através de sua ação.
Estando diante deste significado, sempre misterioso, o sacrifício, o sofrimento que o trabalho exige faz sentido, serve para alcançar a realização de si.
Assim fica evidente porque é necessário considerar o homem como pessoa e não apenas como recurso, “recurso humano” ou pior, como “capital humano” numa imagem “coisificante” (reificante). Também seria profundamente ambíguo encarar o trabalho humano usando o aspecto “espiritual” do trabalhador em sentido instrumental, isto é, apenas para aumentar o seu rendimento. Pelo contrário o homem é desejo de felicidade (Valentini:2004, 9)
Aqui aparece a outra face do trabalho: a colaboração e a solidariedade - trabalha-se cada vez mais com e para os outros, sendo esta uma ocasião de crescimento mútuo e geração de frutos para toda a sociedade.
A raiz da unidade não é “instrumental”, isto é meramente funcional à produção, mas intrínseca ao próprio ser humano. O trabalho em equipe, a colaboração, o fato de estar diante do outro com a capacidade de valorizar seus aspectos construtivos e redimensionando seus limites, isto quer dizer ver-ser e tratar-se como “seres espirituais”. (Valentini:2004, 9)
O trabalho, portanto, é um aspecto parcial da realidade que conduz ao todo, através do qual se afirma a razão pela qual se existe e deve ser o resultado de uma ação educativa porque reconduz o homem à razão última de seu agir.
Só assim o homem torna-s sujeito criador, idealizador e realizador de obras.
Etica e responsabilidade social
.Etica e responsabilidade social
Sucesso depende de negócios sustentáveis
O sucesso dos negócios depende cada vez mais de uma sociedade económica, social e ambientalmente sustentável, mas as empresas por si só não podem resolver as questões emergentes, defendeu Samuel DiPiazza na 8ª conferência anual do BCSD. Alterações climáticas, energia, gestão da água potável, crescimento populacional, pobreza e ecossistemas são as grandes preocupações da actualidade .
A respeito de pobreza, “as empresas, a par dos governos e Organizações Não Governamentais, são um elemento-chave e um parceiro importante na luta para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, defende o BCSD: “as empresas não podem eliminar a pobreza, mas esta nunca poderá ser resolvida sem elas”.
O papel das empresas na sociedade
1) Calidade do produto
2) Atendimento ao cliente
3) Comunicação
4) procura do bem comum(exemplo clinica na India)
Sucesso depende de negócios sustentáveis
O sucesso dos negócios depende cada vez mais de uma sociedade económica, social e ambientalmente sustentável, mas as empresas por si só não podem resolver as questões emergentes, defendeu Samuel DiPiazza na 8ª conferência anual do BCSD. Alterações climáticas, energia, gestão da água potável, crescimento populacional, pobreza e ecossistemas são as grandes preocupações da actualidade .
A respeito de pobreza, “as empresas, a par dos governos e Organizações Não Governamentais, são um elemento-chave e um parceiro importante na luta para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, defende o BCSD: “as empresas não podem eliminar a pobreza, mas esta nunca poderá ser resolvida sem elas”.
O papel das empresas na sociedade
1) Calidade do produto
2) Atendimento ao cliente
3) Comunicação
4) procura do bem comum(exemplo clinica na India)
As virtudes humanas

As virtudes humanas
Duas definições entre outras:
- A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem.
- A virtude é um hábito operativo bom.
- O hábito operativo distingue-se do entitativo.
- A virtude distingue-se também do vício (hábito operativo mau).
Importância da virtude:
1. supõe no sujeito uma disposição consciente e eleita de praticar o bem; 2. é semelhante a uma “segunda natureza”: o homem tem mais facilidade para fazero bem; 3. facilita o exercício da liberdade; 4. impede que a pessoa se deixe levar pela espontaneidade, que por vezes a faz actuar como os animais; 5. ajuda a pessoa a adquirir a perfeição que lhe corresponde; 6. no virtuoso o pecado tem muito de fraqueza (não de malícia como no vicioso).
I
“As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições
estáveis, perfeições habituais do entendimento e da
vontade que regulam os nossos actos, ordenam as nossas
paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé.
Proporcionam facilidade, domínio e gozo para levar uma
vida moralmente boa. O homem virtuoso é o que pratica
livremente o bem” Essas virtudes sãoadquiridas.
II
As virtudes cardeais aparecem enumeradas assim:
temperança, prudência, justiça e fortaleza. Chamam-se
cardeais porque são como o “cardo” ou eixo sobre o qual
assenta o actuar moral.
1
Prudência: “auriga virtutum” porque indica às outras
virtudes a regra e a medida em que devem praticar-se.
“A prudência é a virtude que dispõe a
razão prática para discernir em qualquer circunstância
o nosso verdadeiro bem e a escolher os meios rectos para
o levar a cabo”.
=> facilita ao sujeito a aplicação aos actos concretos dos
princípios morais que hão-de reger a sua conduta.
2
Justiça: é a constante e firme vontade de dar acada uno o que é seu.
=> referida a Deus denomina-se “virtude da religião”,
que não cumpre propriamente uma das características
essenciais da justiça, a saber a equidade, porque a
criatura não pode devolver a Deus o que d’Ele recebeu.
=> referida aos homens contempla as relações dos
homens na convivência, em ordem a alcançar o
bem comum.
3
Fortaleza: é a virtude moral que, no meio das difi-
cultades, assegura a firmeza e a constância na
busca do bem.
•É una virtude em si mesma, mas além disso possibilita
o exercício das outras virtudes (a prática virtuosa é
tarefa árdua e custosa).
=> Não existe vida moral sem fortaleza.
4
Temperança: “modera a atracção dos prazeres e
procura o equilíbrio no uso dos bens criados”
A pessoa há-de ter um domínio das
tendências que a inclinam ao mal.
5
1. As virtudes morais estão unidas entre si: se uma
cresce, também acontece o mesmo às outras; se uma
falta, nenhuma outra é perfeita.
2. Costuma-se dizer que “a virtude está no meio”. Mas
“é um equívoco pensar que as expressões ‘termo médio’
ou ‘justo meio’, como algo característico das virtudes
morais, significam mediocridade: algo assim como
metade do que é possível realizar. Esse meio entre o
excesso e o defeito é um cume, um ponto alto: o
melhor que a prudência indica.
trabalho e o sentido da vida

O trabalho e o sentido da vida
Na escolha por uma profissão é importante levarmos em conta a realização pessoal e o serviço ao próximo. Para descobrirmos a nossa vocação precisamos responder a perguntas como: Do que eu gosto? Quais são as minhas aptidões naturais? O que fala mais alto em mim quando penso em uma vocação? Responder essas perguntas é o primeiro passo para a descoberta de nossa vocação.
Entretanto, precisamos salientar que precisamos perceber em que temos uma maior habilidade e adaptar o nosso talento natural à realidade, pois o trabalho também possui uma outra dimensão que é a de prover a subsistência de cada um de nós.
Victor Frankl afirma que: “O trabalho pode representar o campo em que o ‘caráter de algo único’ do indivíduo se relaciona com a comunidade, recebendo assim o seu sentido e o seu valor. Contudo, este sentido e valor é inerente em cada caso, à realização (à realização com que se contribui para a comunidade) e não a profissão concreta como tal. Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão, em si, não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para vir a sê-lo”.
A nossa profissão constitui-se numa possibilidade de nos colocarmos a serviço do outro, e é nessa possibilidade que o nosso trabalho ganha importância e significado, permitindo-nos a descoberta de quem realmente somos. A realização que vem do trabalho tem relação com o que há de mais específico e original em cada um de nós.
No exercício profissional podemos expressar, de forma única, quem somos e, assim, oferecer uma contribuição para a sociedade que somente nós podemos dar. Isso independentemente do que fazemos. Portanto, a questão não está no que fazemos, e sim, em como fazemos. Claro, precisamos estar atentos à realidade em que vivemos e as oportunidades que por um acaso possam surgir para bem aproveitá-las. Mas o mais importante é entendemos que não é uma profissão que faz o homem feliz; uma profissão apenas oferece oportunidade para sermos feliz. A verdadeira felicidade está em servimos ao outro.
Aprender a a lição de que “trabalhar com alegria” é um bom caminho que podemos seguir Façamos tudo com alegria, na certeza de que independente da nossa profissão, independente do que nós fazemos, podemos contribuir para o bem de outros, podemos deixar a marca da nossa singularidade, pois somos “únicos e irrepetíveis” .
Na escolha por uma profissão é importante levarmos em conta a realização pessoal e o serviço ao próximo. Para descobrirmos a nossa vocação precisamos responder a perguntas como: Do que eu gosto? Quais são as minhas aptidões naturais? O que fala mais alto em mim quando penso em uma vocação? Responder essas perguntas é o primeiro passo para a descoberta de nossa vocação.
Entretanto, precisamos salientar que precisamos perceber em que temos uma maior habilidade e adaptar o nosso talento natural à realidade, pois o trabalho também possui uma outra dimensão que é a de prover a subsistência de cada um de nós.
Victor Frankl afirma que: “O trabalho pode representar o campo em que o ‘caráter de algo único’ do indivíduo se relaciona com a comunidade, recebendo assim o seu sentido e o seu valor. Contudo, este sentido e valor é inerente em cada caso, à realização (à realização com que se contribui para a comunidade) e não a profissão concreta como tal. Não é, por conseguinte, um determinado tipo de profissão que oferece ao homem a possibilidade de atingir a plenitude. Neste sentido, pode-se dizer que nenhuma profissão faz o homem feliz. A profissão, em si, não é ainda suficiente para tornar o homem insubstituível; o que a profissão faz é simplesmente dar-lhe a oportunidade para vir a sê-lo”.
A nossa profissão constitui-se numa possibilidade de nos colocarmos a serviço do outro, e é nessa possibilidade que o nosso trabalho ganha importância e significado, permitindo-nos a descoberta de quem realmente somos. A realização que vem do trabalho tem relação com o que há de mais específico e original em cada um de nós.
No exercício profissional podemos expressar, de forma única, quem somos e, assim, oferecer uma contribuição para a sociedade que somente nós podemos dar. Isso independentemente do que fazemos. Portanto, a questão não está no que fazemos, e sim, em como fazemos. Claro, precisamos estar atentos à realidade em que vivemos e as oportunidades que por um acaso possam surgir para bem aproveitá-las. Mas o mais importante é entendemos que não é uma profissão que faz o homem feliz; uma profissão apenas oferece oportunidade para sermos feliz. A verdadeira felicidade está em servimos ao outro.
Aprender a a lição de que “trabalhar com alegria” é um bom caminho que podemos seguir Façamos tudo com alegria, na certeza de que independente da nossa profissão, independente do que nós fazemos, podemos contribuir para o bem de outros, podemos deixar a marca da nossa singularidade, pois somos “únicos e irrepetíveis” .
Motivação e ética

Motivação e ética
Motivação e ética estão diretamente relacionadas
As motivações influem na nossa conduta
Extrínsecas- procuras as consequências externas à acção ( remuneração, reconecimento, elogio,etc…)
Intrínsecas: procura de consequências derivadas da própria acção: aprendizagem, satisfação, segurança;
Trascendentes: procura de consequências que satisfaçam necessidades de otros;ligadas ao relacionamento com os outros; componente afectivo
• O mais importante não é a materialidade daquilo que se faz mas o facto de que é actuação humana; é prioritário o como e a finalidade da actuação. Não se nega o produto nem o rendimento do material do trabalho, mas pretende-se valorizá-los ao máximo pela sua relação com a pessoa.
Motivação e ética estão diretamente relacionadas
As motivações influem na nossa conduta
Extrínsecas- procuras as consequências externas à acção ( remuneração, reconecimento, elogio,etc…)
Intrínsecas: procura de consequências derivadas da própria acção: aprendizagem, satisfação, segurança;
Trascendentes: procura de consequências que satisfaçam necessidades de otros;ligadas ao relacionamento com os outros; componente afectivo
• O mais importante não é a materialidade daquilo que se faz mas o facto de que é actuação humana; é prioritário o como e a finalidade da actuação. Não se nega o produto nem o rendimento do material do trabalho, mas pretende-se valorizá-los ao máximo pela sua relação com a pessoa.
Lei Divina,natural e positiva
Lei Divina, natural e positiva
Definição clássica: “Lei é a ordenação da razão ao bem comum,
promulgada por quem tem de cuidar da comunidade”.
Ordenação da razão: situa-se no “razoável” e não depende
da vontade do legislador.
2. Ordenação ao bem comum: quer dizer, situação que
possibilita a que o conjunto dos indivíduos, das famílias e doutras
instituições intermédias alcancem a devida perfeição.
3. Para ser norma que vincule, deve ser estabelecida por quem tem
autoridade para tal na comunidade.
4. Adquire carácter vinculante quando é “promulgada”, quer dizer
quando se dá a conhecer aos súbditos por meio oficial.
Divisão da lei: - eterna
- divina: natural / divino-positiva
- humana: civil / eclesiástica
Lei eterna: é a mesma Sabedoria
divina, enquanto dirige todos os
movimentos das criaturas.
A Providência (com a que Deus
provê os meios para que as
criaturas alcancem o seu fim)
inclui o plano de governo e a
efectiva execução deste plano.
A lei eterna não é senão o pri-
meiro aspecto da Providência.
Lei natural: é a participação da lei eterna na criatura
racional. É a lei própria do ser humano. Não é a lei física
dos minerais nem a lei biológica das plantas e dos animais,
mas sim, uma lei escrita por Deus na natureza do
homem, que lhe permite conhecer o bem e o mal.
Veritatis splendor 43: “Deus provê aos homens de maneira
diversa à que provê aos outros seres que não são pessoas: não
‘desde fora’, mediante as leis imutáveis de natureza física,
mas ‘desde dentro’, mediante a razão que, conhecendo
com a luz natural a lei eterna de Deus, é por isto mesmo
capaz de indicar ao homem a justa direcção da sua livre
situação”.
Cícero, De Republica, III, 22-23: “Certamente existe uma lei
verdadeira, de acordo com a natureza, conhecida de todos,
constante e sempre eterna... A esta lei não é lícito acrescentar nem
revogar-lhe algo, nem tão pouco eliminá-la por completo. Não
podemos dissolvê-la por meio do Senado ou do povo. Tão pouco
há que buscar outro comentador ou intérprete dela. Não existe
uma lei em Roma, outra em Atenas, outra agora, outra no futuro;
mas uma mesma lei, eterna e imutável, que sujeita toda a huma-
nidade em todo o tempo (...). Quem não a guarda, atraiçoa-se
a si mesmo e ultraja a natureza humana, e por isso sofre
penas máximas, ainda que julgue escapar dos suplícios”.
A lei positiva é a que é promulgada por um legislador concreto
que goza de autoridade para legislar. Pode ser divina ou humana,
e a humana divide-se em eclesiástica e civil.
Princípios morais em relação às leis
1. Todos os homens estão submetidos desde o seu nascimento
às exigências da lei natural. É objectiva, universal e imutável.
2. Na lei natural fundamentam-se os direitos e deveres uni-
versais da pessoa, que devem ser respeitados e protegidos
juridicamente.
3. As normas que se deduzem da lei natural obrigam em
consciência.
4. Na lei natural distinguem-se princípios “primários” (não
assassinar) e “secundários” (o direito de propriedade). Os
“primários” não admitem excepções.
5. A lei moral não significa uma limitação da
liberdade, mas antes, indica ao sujeito o ca-
minho que há-de seguir para fazer uso inte-
ligente e lúcido dela. Do mesmo modo que as
normas de circulação não coarctam a vontade do
condutor, a lei divina não só não limita a liberdade
do homem, mas guia-o para que possa orientar a
sua existência por uma rota que o leve à salvação
A consciência não cria as categorias do bem e do
mal, mas só as constata: descobre na norma o
que é bom ou mau.
CCE 1800: “O ser humano deve obedecer
sempre ao juízo certo da sua consciência”.
Pois é a lei que ajuda o homem a emitir
esse “juízo certo” sobre o que há-de fazer
ou deve omitir, se quer ter uma conduta
digna da pessoa humana.
Definição clássica: “Lei é a ordenação da razão ao bem comum,
promulgada por quem tem de cuidar da comunidade”.
Ordenação da razão: situa-se no “razoável” e não depende
da vontade do legislador.
2. Ordenação ao bem comum: quer dizer, situação que
possibilita a que o conjunto dos indivíduos, das famílias e doutras
instituições intermédias alcancem a devida perfeição.
3. Para ser norma que vincule, deve ser estabelecida por quem tem
autoridade para tal na comunidade.
4. Adquire carácter vinculante quando é “promulgada”, quer dizer
quando se dá a conhecer aos súbditos por meio oficial.
Divisão da lei: - eterna
- divina: natural / divino-positiva
- humana: civil / eclesiástica
Lei eterna: é a mesma Sabedoria
divina, enquanto dirige todos os
movimentos das criaturas.
A Providência (com a que Deus
provê os meios para que as
criaturas alcancem o seu fim)
inclui o plano de governo e a
efectiva execução deste plano.
A lei eterna não é senão o pri-
meiro aspecto da Providência.
Lei natural: é a participação da lei eterna na criatura
racional. É a lei própria do ser humano. Não é a lei física
dos minerais nem a lei biológica das plantas e dos animais,
mas sim, uma lei escrita por Deus na natureza do
homem, que lhe permite conhecer o bem e o mal.
Veritatis splendor 43: “Deus provê aos homens de maneira
diversa à que provê aos outros seres que não são pessoas: não
‘desde fora’, mediante as leis imutáveis de natureza física,
mas ‘desde dentro’, mediante a razão que, conhecendo
com a luz natural a lei eterna de Deus, é por isto mesmo
capaz de indicar ao homem a justa direcção da sua livre
situação”.
Cícero, De Republica, III, 22-23: “Certamente existe uma lei
verdadeira, de acordo com a natureza, conhecida de todos,
constante e sempre eterna... A esta lei não é lícito acrescentar nem
revogar-lhe algo, nem tão pouco eliminá-la por completo. Não
podemos dissolvê-la por meio do Senado ou do povo. Tão pouco
há que buscar outro comentador ou intérprete dela. Não existe
uma lei em Roma, outra em Atenas, outra agora, outra no futuro;
mas uma mesma lei, eterna e imutável, que sujeita toda a huma-
nidade em todo o tempo (...). Quem não a guarda, atraiçoa-se
a si mesmo e ultraja a natureza humana, e por isso sofre
penas máximas, ainda que julgue escapar dos suplícios”.
A lei positiva é a que é promulgada por um legislador concreto
que goza de autoridade para legislar. Pode ser divina ou humana,
e a humana divide-se em eclesiástica e civil.
Princípios morais em relação às leis
1. Todos os homens estão submetidos desde o seu nascimento
às exigências da lei natural. É objectiva, universal e imutável.
2. Na lei natural fundamentam-se os direitos e deveres uni-
versais da pessoa, que devem ser respeitados e protegidos
juridicamente.
3. As normas que se deduzem da lei natural obrigam em
consciência.
4. Na lei natural distinguem-se princípios “primários” (não
assassinar) e “secundários” (o direito de propriedade). Os
“primários” não admitem excepções.
5. A lei moral não significa uma limitação da
liberdade, mas antes, indica ao sujeito o ca-
minho que há-de seguir para fazer uso inte-
ligente e lúcido dela. Do mesmo modo que as
normas de circulação não coarctam a vontade do
condutor, a lei divina não só não limita a liberdade
do homem, mas guia-o para que possa orientar a
sua existência por uma rota que o leve à salvação
A consciência não cria as categorias do bem e do
mal, mas só as constata: descobre na norma o
que é bom ou mau.
CCE 1800: “O ser humano deve obedecer
sempre ao juízo certo da sua consciência”.
Pois é a lei que ajuda o homem a emitir
esse “juízo certo” sobre o que há-de fazer
ou deve omitir, se quer ter uma conduta
digna da pessoa humana.
Etica e deontologia
Etica e deontologia
O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon, déontos” que significa dever e “lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado do dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas adoptadas por um determinado grupo profissional. A deontologia é uma disciplina da ética especial adaptada ao exercício da uma profissão.
Existem inúmeros códigos de deontologia, sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens profissionais. Regra geral, os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas, adaptando-o, no entanto, às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. Para além disso, estes códigos propõem sanções, segundo princípios e procedimentos explícitos, para os infractores do mesmo. Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas, oferecendo apenas uma função reguladora. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses, por exemplo, é exclusivamente um instrumento consultivo. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos, estes podem, por vezes, constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões, relativas a toda a sociedade, por um conjunto de profissionais.
O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon, déontos” que significa dever e “lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado do dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas adoptadas por um determinado grupo profissional. A deontologia é uma disciplina da ética especial adaptada ao exercício da uma profissão.
Existem inúmeros códigos de deontologia, sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens profissionais. Regra geral, os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas, adaptando-o, no entanto, às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. Para além disso, estes códigos propõem sanções, segundo princípios e procedimentos explícitos, para os infractores do mesmo. Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas, oferecendo apenas uma função reguladora. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses, por exemplo, é exclusivamente um instrumento consultivo. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos, estes podem, por vezes, constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões, relativas a toda a sociedade, por um conjunto de profissionais.
chegar ao conhecimento de Deus

Num primeiro momento, Deus revela a sua majestade e omnipotência mediante factos.
O homem pode chegar ao conhecimento de Deus contemplando estes factos.
Toda a criação
é um caminho
até Deus.
O universo
é um sinal
da presença
e da beleza
divinas.
= revelação natural de Deus
“Deus, princípio e fim de todas
as coisas, pode ser conhecido com certeza
pela luz natural da razão humana a partir das
coisas criadas”.
“Desde a criação do mundo as
perfeições invisíveis de Deus – o seu eterno
poder e sua divindade – tornaram-se visíveis
à inteligência através das coisas criadas”.
Revelação natural de Deus
se pode conhecer Deus a partir
do mundo com a ajuda da razão.
a qualquer pessoa se pode falar,
com sentido, de Deus.
Deve ter-se presente que as pessoas que chegam ao conhecimento
de Deus através da natureza, não a entendem como “criada” ao
princípio, mas só ao fim das suas reflexões.
Partem do mundo, não de Deus.
O Deus, que as nossas meras forças naturais alcançam, é o Fun-
damento do mundo, Incondicionado e Absoluto. Mas não alcan-
çam o Deus vivo e pessoal da Sª Escritura. Ao Deus dos filósofos
não se pode rezar!
Pode facilitar vias de compreensão da fé e manifestar que a fé não
é irracional.
1) movimento - o Primeiro Motor;
2) causas eficientes - a Causa primeira;
3) contingência - o Ser Necessário por si mesmo;
4) graus de perfeição - o Ser Perfeito por essência;
5) finalidade - o Ser pelo qual todas as coisas se
ordenam a um fim.
São Tomás de Aquino explica umas vias (não se trata de provas no sentido matemático ou das ciências naturais): com efeito, Deus não é um facto sensível).
As 5 vias:
Não se trata somente de explicar como chegou a ser o mundo (ciência actual),
mas de explicar por que “há” alguma coisa em geral.
Se nos restringimos só à matéria original, nada se explica. A matéria está
submetida à mudança: é imperfeita e não se explica por si mesma.
Quem opta por Deus, opta pelo sentido
do mundo, sentido que nos ultrapassa
com frequência. O mundo está feito de
tal maneira que não é compreensível
sem Deus.
É mais razoável crer que Deus existe
do que crer que Deus não existe.
A fé em Deus nada tem a ver com uma
negação do pensamento: pelo contrário,
é o fundamento último do pensamento
e uma exortação constante a pensar.
- No homem dá-se também a esperança do infinito: temos sempre fome e
sede de mais verdade, mais justiça e mais felicidade.
- Além disso, há algo incondicionado e absoluto no nosso interior.
Exemplo: a voz da consciência que adverte, aprova, repreende.
- Experiência da nossa limitação : sempre nos interrogamos, especialmente
sobre o sentido da vida,
a experiência do sofrimento (doença, preocupação, solidão, fracasso…).
- Experiência da morte: de onde venho, para onde vou?
- Na nossa busca da felicidade, também não podemos alcançar a plenitude:
tudo o que encontramos é finito e limitado, imperfeito e passageiro.
Outro grupo de provas da existência de Deus baseia-se na
realidade humana:
- Só Deus pode encher o coração humano.
- Santo Agostinho, Confissões 1, 1:
“Fizeste-nos…
Inquieto está o nosso coração até que des-
canse em Ti”.
- Só se Deus existe, é que a vida humana tem
sentido.
- A dignidade humana “tem no próprio Deus o
seu fundamento e perfeição” (Gaudium et
spes 21).
- Há injustiças que clamam ao céu, como a morte de um inocente...
- O incondicionado e absoluto revela-se também no amor.
Mas o amor humano pode chegar a decepcionar. É que ansiamos pelo
infinito, o eterno e o absoluto, e não o podemos alcançar nesta vida.
Deus é infinitamente maior do
que as nossas imagens e os
nossos conceitos:
Todos os nossos conceitos
expressam mais o que Deus
não é, do que aquilo que Ele é.
Deus é um mistério profundo: Habita uma luz inacessível” (1 Tim 6, 16).
Como seres finitos, nós não podemos compreender nunca o Ser infinito que tudo abarca.
Concílio Latrão IV (1215): “Entre o Criador e a criatura não se pode
assinalar uma semelhança, sem ver que a dissemelhança é ainda maior”.
De facto o nosso conhecimento de Deus é analógico.
– Validade da analogia.
O sentido da vida

O sentido da vida
A imprescindível busca de significado
O homem não pode deixar de sentir-se envolvido na necessária busca de respostas para várias perguntas fundamentais que brotam naturalmente de sua própria razão: qual a nossa origem?, qual a finalidade da vida?, como explicar a presença do mal, do sofrimento e a inevitabilidade da morte?
Hoje em dia, sem dúvida alguma, há milhões de homens que são tentados a perder a própria razão e esperança de viver por estarem privados das condições materiais mínimas de existência, pela fome, pela indigência imposta pelo condições injustas da vida social, pela falta de trabalho, de recursos indipensáveis da educação, da assistência médica e social etc.
Mas, diante deste quadro, infelizmente hoje tão frequente, tanto em nações pobres como ricas, não se poderá deixar de reconhecer que ainda mais gravemente pesa sobre a pessoa humana, necessitada não apenas dos bens materiais, o fato de não estar conseguindo encontrar, frequentemente, as razões e o significado da própria existência.
Pode-se verificar, e de fato, várias pesquisas têm-no comprovado, que mais angustiante para o homem moderno, especialmente para os jovens, é a crise provocada pela falta de sentido e de significado da vida, o sentimento de vazio, do que a carência ou dificuldades para a consecução de outros bens. O vazio existencial mostrou-se bastante evidente em um levantamento feito entre cem alunos de Harvard, todos eles provenientes de famílias abastadas; uma quarta parte desses alunos duvidava de que suas vidas tivessem algum sentido e as revistas psiquiátricas da Tchecoslováquia informaram que este mesmo fenômeno ocorria em todos os paises comunistas [cf. Joseph B. Fabry, A busca do significado. Viktor Frankl - logoterapia e vida. Ed.ECE, São Paulo, 1984, p.53. Citamos alguns textos e recorremos, frequentemente, a esta obra para apresentar e sintetizar o pensamento de V.Frankl.].
Neste linha de estudo são bem conhecidos hoje os trabalhos do psicanalista de Viena, Victor Frankl e os de sua escola. Para estes, "o homem é fundamentalmente um ser em busca de um significado. Se existe alguma coisa que o possa preservar, mesmo nas mais extremas situações, é a consciência de que a vida tem um sentido, não obstante nem sempre imediato" [cf. Joseph B.Fabry.o.c. p. 35-54.].
Pode-se dizer por isto que a existência humana depende da autotranscendência, a sobrevivência depende de um sentido.E não apenas a sobrevivência dos indivíduos, mas a própria sobrevivência da humanidade.
A profunda experiência de V.Frankl no campo de concentração de Auschwitz levou-o a ter como certo que cada pessoa é um ser único que pode reter uma última reserva de liberdade para tomar uma posição, ao menos, interior, mesmo sob as mais adversas circunstâncias. Nesta profunda dimensão do seu eu, nós sabemos que "não apenas somos, mas a cada momento devemos decidir o que seremos". "Quando somos despojados de tudo o que temos - família, amigos, influência, status e bens - ninguém nos pode tirar a liberdade de tomar a decisão do que nos devemos tornar, porque esta liberdade não é algo que possuímos, mas algo que somos. Por isso mesmo todo homem tem o poder e a liberdade de elevar-se acima do seu próprio eu e tornar-se um ser humano melhor.
É fundamental também para V.Frankl a certeza de ser a básica motivação para viver, não a busca de satisfações, poder ou riquezas materiais, mas o encontro de um significado. Aqueles podem apenas contribuir para o nosso bem estar, mas são simplesmente meios utilizados para atingir um fim, quando usados de forma significativa.
Será esta concepção sobre nós mesmos e sobre o lugar que ocupamos na vida que nos poderá ajudar a dar-lhe sentido, não obstante as tragédias pelas quais devamos passar. Essa concepcão antropológica exige pois que estejamos convictos de que, além de nossas dimensões físicas e psicológicas, possuimos uma dimensão espiritual ou noética, especificamente humana ( espiritual, não no sentido religioso, mas no de vida mental ou intelectual que supõe um princípio de ação transcendente à materialidade do ser). O homem, na sua integralidade, compreende as três dimensões, mas é a dimensão propriamente humana que permitirá à pessoa transcender a si mesma e fazer dos significados e valores uma parte fundamental da sua existência.Neste sentido, cada pessoa é um ser único, vivendo através de infinitos momentos únicos e insubstituíveis, cada um deles oferecendo um significado em potencial (isto é, aberto também para o futuro). Se reconhecermos este potencial e formos capazes de corresponder a eles, nossa vida terá um sentido e a conduziremos de forma responsável.
Para V.Frankl, unicamente quando nos elevamos à dimensão do espírito (mente) tornamo-nos um ser completo. A dimensão humana é a dimensão da liberdade: não a liberdade proveniente das condições, quer sejam elas biológicas, psicológicas ou sociológicas; nem a liberdade de alguma coisa, mas liberdade para alguma coisa, a liberdade de tomar uma atitude concernente às condições. E somente nos tornaremos seres humanos completos quando atingimos esta dimensão de liberdade. Somos prisioneiros da dimensão do corpo; somos conduzidos pela dimensão psiquico-afetiva, mas na dimensão do espírito somos livres. Nós não apenas existimos, mas podemos exercer influência sobre a nossa existência. Podemos não só decidir sobre que espécie de pessoas somos, mas que espécie de pessoa poderemos vir a ser. Dentro da dimensão noética somos nós que fazemos a escolha.
Ignorar a dimensão espiritual é reducionismo, e aí está a origem do nosso mal-estar, da sensação de vazio e de que a vida está desprovida de significado. O perigo de semelhante reducionismo nunca foi tão grande como agora. Frankl não nega que as forças biológicas, sociais e psicológicas exerçam grande influência sobre nós; mas, como declarou, "o homem é determinado, porém jamais pandeterminado". Sob as mais restritas circunstâncias, possuimos uma área na qual podemos determinar nossas ações, nossas experiências, ou no mínimo nossas atitudes, e esta liberdade de auto-determinação repousa em nosso domínio noético.
A liberdade oferece ao homem a oportunidade de mudar, de renunciar ao seu eu e inclusive de enfrentá-lo.
A imprescindível busca de significado
O homem não pode deixar de sentir-se envolvido na necessária busca de respostas para várias perguntas fundamentais que brotam naturalmente de sua própria razão: qual a nossa origem?, qual a finalidade da vida?, como explicar a presença do mal, do sofrimento e a inevitabilidade da morte?
Hoje em dia, sem dúvida alguma, há milhões de homens que são tentados a perder a própria razão e esperança de viver por estarem privados das condições materiais mínimas de existência, pela fome, pela indigência imposta pelo condições injustas da vida social, pela falta de trabalho, de recursos indipensáveis da educação, da assistência médica e social etc.
Mas, diante deste quadro, infelizmente hoje tão frequente, tanto em nações pobres como ricas, não se poderá deixar de reconhecer que ainda mais gravemente pesa sobre a pessoa humana, necessitada não apenas dos bens materiais, o fato de não estar conseguindo encontrar, frequentemente, as razões e o significado da própria existência.
Pode-se verificar, e de fato, várias pesquisas têm-no comprovado, que mais angustiante para o homem moderno, especialmente para os jovens, é a crise provocada pela falta de sentido e de significado da vida, o sentimento de vazio, do que a carência ou dificuldades para a consecução de outros bens. O vazio existencial mostrou-se bastante evidente em um levantamento feito entre cem alunos de Harvard, todos eles provenientes de famílias abastadas; uma quarta parte desses alunos duvidava de que suas vidas tivessem algum sentido e as revistas psiquiátricas da Tchecoslováquia informaram que este mesmo fenômeno ocorria em todos os paises comunistas [cf. Joseph B. Fabry, A busca do significado. Viktor Frankl - logoterapia e vida. Ed.ECE, São Paulo, 1984, p.53. Citamos alguns textos e recorremos, frequentemente, a esta obra para apresentar e sintetizar o pensamento de V.Frankl.].
Neste linha de estudo são bem conhecidos hoje os trabalhos do psicanalista de Viena, Victor Frankl e os de sua escola. Para estes, "o homem é fundamentalmente um ser em busca de um significado. Se existe alguma coisa que o possa preservar, mesmo nas mais extremas situações, é a consciência de que a vida tem um sentido, não obstante nem sempre imediato" [cf. Joseph B.Fabry.o.c. p. 35-54.].
Pode-se dizer por isto que a existência humana depende da autotranscendência, a sobrevivência depende de um sentido.E não apenas a sobrevivência dos indivíduos, mas a própria sobrevivência da humanidade.
A profunda experiência de V.Frankl no campo de concentração de Auschwitz levou-o a ter como certo que cada pessoa é um ser único que pode reter uma última reserva de liberdade para tomar uma posição, ao menos, interior, mesmo sob as mais adversas circunstâncias. Nesta profunda dimensão do seu eu, nós sabemos que "não apenas somos, mas a cada momento devemos decidir o que seremos". "Quando somos despojados de tudo o que temos - família, amigos, influência, status e bens - ninguém nos pode tirar a liberdade de tomar a decisão do que nos devemos tornar, porque esta liberdade não é algo que possuímos, mas algo que somos. Por isso mesmo todo homem tem o poder e a liberdade de elevar-se acima do seu próprio eu e tornar-se um ser humano melhor.
É fundamental também para V.Frankl a certeza de ser a básica motivação para viver, não a busca de satisfações, poder ou riquezas materiais, mas o encontro de um significado. Aqueles podem apenas contribuir para o nosso bem estar, mas são simplesmente meios utilizados para atingir um fim, quando usados de forma significativa.
Será esta concepção sobre nós mesmos e sobre o lugar que ocupamos na vida que nos poderá ajudar a dar-lhe sentido, não obstante as tragédias pelas quais devamos passar. Essa concepcão antropológica exige pois que estejamos convictos de que, além de nossas dimensões físicas e psicológicas, possuimos uma dimensão espiritual ou noética, especificamente humana ( espiritual, não no sentido religioso, mas no de vida mental ou intelectual que supõe um princípio de ação transcendente à materialidade do ser). O homem, na sua integralidade, compreende as três dimensões, mas é a dimensão propriamente humana que permitirá à pessoa transcender a si mesma e fazer dos significados e valores uma parte fundamental da sua existência.Neste sentido, cada pessoa é um ser único, vivendo através de infinitos momentos únicos e insubstituíveis, cada um deles oferecendo um significado em potencial (isto é, aberto também para o futuro). Se reconhecermos este potencial e formos capazes de corresponder a eles, nossa vida terá um sentido e a conduziremos de forma responsável.
Para V.Frankl, unicamente quando nos elevamos à dimensão do espírito (mente) tornamo-nos um ser completo. A dimensão humana é a dimensão da liberdade: não a liberdade proveniente das condições, quer sejam elas biológicas, psicológicas ou sociológicas; nem a liberdade de alguma coisa, mas liberdade para alguma coisa, a liberdade de tomar uma atitude concernente às condições. E somente nos tornaremos seres humanos completos quando atingimos esta dimensão de liberdade. Somos prisioneiros da dimensão do corpo; somos conduzidos pela dimensão psiquico-afetiva, mas na dimensão do espírito somos livres. Nós não apenas existimos, mas podemos exercer influência sobre a nossa existência. Podemos não só decidir sobre que espécie de pessoas somos, mas que espécie de pessoa poderemos vir a ser. Dentro da dimensão noética somos nós que fazemos a escolha.
Ignorar a dimensão espiritual é reducionismo, e aí está a origem do nosso mal-estar, da sensação de vazio e de que a vida está desprovida de significado. O perigo de semelhante reducionismo nunca foi tão grande como agora. Frankl não nega que as forças biológicas, sociais e psicológicas exerçam grande influência sobre nós; mas, como declarou, "o homem é determinado, porém jamais pandeterminado". Sob as mais restritas circunstâncias, possuimos uma área na qual podemos determinar nossas ações, nossas experiências, ou no mínimo nossas atitudes, e esta liberdade de auto-determinação repousa em nosso domínio noético.
A liberdade oferece ao homem a oportunidade de mudar, de renunciar ao seu eu e inclusive de enfrentá-lo.
A Consciência e a lei natural

A Consciência e a lei natural
O suposto conflito entre liberdade e natureza repercute-se também sobre a interpretação de alguns aspectos específicos da lei natural, sobretudo da sua universalidade e imutabilidade. «Onde estão, pois, escritas estas regras — perguntava-se Agostinho de Hipona — a não ser no livro daquela luz que se chama verdade? Daqui, portanto, é ditada toda a lei justa e se transfere directamente ao coração do homem que pratica a justiça, não vivendo aí como estrangeira, mas quase que imprimindo-se nele, à semelhança da imagem que passa do anel à cera, sem abandonar todavia o anel».
Graças precisamente a esta «verdade», a lei natural implica a universalidade. Aquela, enquanto inscrita na natureza racional da pessoa, impõe-se a todo o ser dotado de razão e presente na história. Para se aperfeiçoar na sua ordem específica, a pessoa deve fazer o bem e evitar o mal, deve vigiar pela transmissão e conservação da vida, aperfeiçoar e desenvolver as riquezas do mundo sensível, promover a vida social, procurar o verdadeiro, praticar o bem, contemplar a beleza.
A cisão criada por alguns entre a liberdade dos indivíduos e a natureza comum a todos, como emerge de certas teorias filosóficas de grande repercussão na cultura contemporânea, obscurece a percepção da universalidade da lei moral por parte da razão. Mas, enquanto exprime a dignidade da pessoa humana e põe a base dos seus direitos e deveres fundamentais, a lei natural é universal nos seus preceitos e a sua autoridade estende-se a todos os homens. Esta universalidade não prescinde da individualidade dos seres humanos, nem se opõe à unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa: pelo contrário, abraça pela raiz cada um dos seus actos livres, que devem atestar a universalidade do verdadeiro bem. Submetendo-se à lei comum, os nossos actos edificam a verdadeira comunhão das pessoas e, exercem a caridade, «vínculo da perfeição» . Quando, pelo contrário, desconhecem ou simplesmente ignoram a lei, de forma imputável ou não, os nossos actos ferem a comunhão das pessoas, com prejuízo para todos.
Estas leis universais e permanentes correspondem a conhecimentos da razão prática e são aplicadas aos actos particulares através do juízo da consciência. O sujeito agente assimila pessoalmente a verdade contida na lei: apropria- -se, faz sua esta verdade do seu ser, mediante os actos e as correlativas virtudes. Os preceitos negativos da lei natural são universalmente válidos: obrigam a todos e cada um, sempre e em qualquer circunstância. Trata-se, com efeito, de proibições que vetam uma determinada acção semper et pro semper, sem excepções, porque a escolha de um tal comportamento nunca é compatível com a bondade da vontade da pessoa que age, com a sua vocação para a vida com Deus e para a comunhão com o próximo. É proibido a cada um e sempre infringir preceitos que vinculam, todos e a qualquer preço, a não ofender em ninguém e, antes de mais, em si próprio, a dignidade pessoal e comum a todos.
Por outro lado, o facto de que apenas os mandamentos negativos obrigam sempre e em qualquer circunstância, não significa que na vida moral as proibições sejam mais importantes que o compromisso de praticar o bem indicado pelos mandamentos positivos. O motivo é sobretudo o seguinte. Além disso, o que deve ser feito numa determinada situação depende das circunstâncias, que não se podem prever todas de antemão; pelo contrário, há comportamentos que em nenhuma situação e jamais podem ser uma resposta adequada — isto é, conforme à dignidade da pessoa. Enfim, é sempre possível que o homem, por coacção ou por outras circunstâncias, seja impedido de levar a cabo determinadas acções boas; porém, nunca pode ser impedido de não fazer certas acções, sobretudo se ele está disposto a morrer antes que fazer o mal.
A grande sensibilidade, que o homem contemporâneo testemunha pela historicidade e pela cultura, leva alguns a duvidar da imutabilidade da mesma lei natural, e consequentemente, da existência de «normas objectivas de moralidade» , válidas para todos os homens do presente e do futuro, como o foram já para os do passado: será possível afirmar como válidas universalmente para todos e sempre permanentes certas determinações racionais estabelecidas no passado, quando se ignorava o progresso que a humanidade haveria de fazer posteriormente?
Não se pode negar que o homem sempre existe dentro de uma cultura particular, mas também não se pode negar que o homem não se esgota nesta mesma cultura. De resto, o próprio progresso das culturas demonstra que, no homem, existe algo que transcende as culturas. Este «algo» é precisamente a natureza do homem: esta natureza é exactamente a medida da cultura, e constitui a condição para que o homem não seja prisioneiro de nenhuma das suas culturas, mas afirme a sua dignidade pessoal pelo viver conforme à verdade profunda do seu ser. Ocorre, sem dúvida, procurar e encontrar, para as normas morais universais e permanentes, a formulação mais adequada aos diversos contextos culturais, mais capaz de lhes exprimir incessantemente a actualidade histórica, de fazer compreender e interpretar autenticamente a sua verdade. Esta verdade da lei moral explicita-se ao longo dos séculos: as normas que a exprimem, permanecem válidas em sua substância, mas devem ser precisadas e determinadas «eodem sensu eademque sententia » conforme as circunstâncias históricas
A consciência e a verdade
. A relação que existe entre a liberdade do homem e a lei de Deus tem a sua sede viva no «coração» da pessoa, ou seja, na sua consciência moral: «No fundo da própria consciência homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer; essa voz, que sempre o está a chamar ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do seu coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus: a sua dignidade está em obedecer-lhe. Por isso, o modo como se concebe a relação entre a liberdade e a lei está ligado intimamente com a interpretação que se atribui à consciência moral. Neste sentido, as tendências culturais acima indicadas, que contrapõem e separam entre si a liberdade e a lei, e exaltam idolatricamente a liberdade, conduzem a uma interpretação «criativa» da consciência moral, que se afasta da posição objectiva do bem.
O juízo da consciência
A consciência, de certo modo, põe o homem perante a lei, tornando-se ela mesma «testemunha» para o homem: testemunha da sua fidelidade ou infidelidade relativamente à lei, ou seja, da sua essencial rectidão ou maldade moral. A consciência é a única testemunha: o que acontece na intimidade da pessoa fica velado aos olhos de quem vê de fora. Ela dirige o seu testemunho somente à própria pessoa. E, por sua vez, só esta conhece a própria resposta à voz da consciência.
Jamais se apreciará adequadamente a importância deste íntimo diálogo do homem consigo mesmo. Mas, na verdade, este é o diálogo do homem com Deus, autor da lei, modelo primeiro e fim último do homem. «A consciência — escreve S. Boaventura — é como o arauto de Deus e o seu mensageiro, e o que diz não o ordena de si própria mas como proveniente de Deus, à semelhança de um arauto quando proclama o édito do rei. E disto deriva o facto de a consciência ter a força de obrigar».103 Portanto, pode-se dizer que a consciência dá ao próprio homem o testemunho da sua rectidão ou da sua maldade, mas conjuntamente, e antes mesmo, é testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma, chamando-o fortiter et suaviter à obediência: «A consciência moral não encerra o homem dentro de uma solidão intransponível e impenetrável, mas abre-o à chamada, à voz de Deus. Nisto, e em nada mais, se encontra todo o mistério e dignidade da consciência moral: em ser o lugar, o espaço santo no qual Deus fala ao homem».
. Trata-se de «pensamentos», que acusam ou defendem relativamente aos seus comportamentos (cf. Rm 2, 15). O termo «pensamentos» põe em evidência o carácter próprio da consciência, o de ser um juízo moral sobre o homem e sobre os seus actos: é um juízo de absolvição ou de condenação, segundo os actos humanos são ou não conformes com a lei de Deus inscrita no coração.).
O juízo da consciência é um juízo prático, ou seja, um juízo que dita aquilo que o homem deve fazer ou evitar, ou então avalia um acto já realizado por ele. É um juízo que aplica a uma situação concreta a convicção racional de que se deve amar e fazer o bem e evitar o mal. Este primeiro princípio da razão prática pertence à lei natural, mais, constitui o seu próprio fundamento, enquanto exprime aquela luz originária sobre o bem e o mal, reflexo da sabedoria criadora de Deus, que, como uma centelha indelével (scintilla animae), brilha no coração de cada homem. Mas, enquanto a lei natural põe em evidência as exigências objectivas e universais do bem moral, a consciência é a aplicação da lei ao caso particular, a qual se torna assim para o homem um ditame interior, uma chamada a realizar o bem na realidade concreta da situação. A consciência formula assim a obrigação moral à luz da lei natural: é a obrigação de fazer aquilo que o homem, mediante o acto da sua consciência, conhece como um bem que lhe é imposto aqui e agora. O carácter universal da lei e da obrigação não é anulado, antes fica reconhecido, quando a razão determina as suas aplicações na realidade concreta. O juízo da consciência afirma por último a conformidade de um certo comportamento concreto com a lei; ele formula a norma próxima da moralidade de um acto voluntário, realizando «a aplicação da lei objectiva a um caso particular».
Tal como a mesma lei natural e cada conhecimento prático, também o juízo da consciência tem carácter imperativo: o homem deve agir de acordo com ele. Se o homem age contra esse juízo, ou realiza um determinado acto ainda sem a certeza da sua rectidão e bondade, é condenado pela própria consciência, norma próxima da moralidade pessoal. A dignidade desta instância racional e a autoridade da sua voz e dos seus juízos derivam da verdade sobre o bem e o mal moral, que aquela é chamada a escutar e a exprimir.
Esta verdade é indicada pela «lei natural norma universal e objectiva da moralidade. O juízo da consciência não estabelece a lei, mas atesta a autoridade da lei natural e da razão prática face ao bem supremo, do qual a pessoa humana se sente atraída e acolhe os mandamentos: «A consciência não é uma fonte autónoma e exclusiva para decidir o que é bom e o que é mau; pelo contrário, nela está inscrito profundamente um princípio de obediência relacionado com a norma objectiva, que fundamenta e condiciona a conformidade das suas decisões com os mandamentos e as proibições que estão na base do comportamento humano».
. A verdade sobre o bem moral, declarada na lei da razão, é reconhecida prática e concretamente pelo juízo da consciência, o qual leva a assumir a responsabilidade do bem realizado e do mal cometido: se o homem comete o mal, o recto juízo da sua consciência permanece nele testemunha da verdade universal do bem, como também da malícia da sua escolha particular. Mas o veredicto da consciência permanece nele ainda como um penhor de esperança e de misericórdia: enquanto atesta o mal cometido, lembra também o perdão a pedir, o bem a praticar e a virtude a cultivar sempre.
Desta forma, no juízo prático da consciência, que impõe à pessoa a obrigação de cumprir um determinado acto, revela-se o vínculo da liberdade com a verdade. Precisamente por isso a consciência se exprime com actos de «juízo» que reflectem a verdade do bem, e não com «decisões» arbitrárias. E a maturidade e responsabilidade daqueles juízos — e, em definitivo, do homem que é o seu sujeito — medem-se, não pela libertação da consciência da verdade objectiva em favor de uma suposta autonomia das próprias decisões, mas, ao contrário, por uma procura insistente da verdade deixando-se guiar por ela no agir.
Procurar a verdade e o bem
A consciência, como juízo de um acto, não está isenta da possibilidade de erro. «Não raro porém acontece que a consciência erra, por ignorância invencível, sem por isso perder a própria dignidade. Outro tanto não se pode dizer quando o homem se descuida de procurar a verdade e o bem, e quando a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito do mal».
Sem dúvida, o homem, para ter uma «boa consciência» A verdade convida-nos à vigilância, advertindo-nos de que, nos juízos da nossa consciência, sempre se esconde a possibilidade do erro. Ela não é um juiz infalível: pode errar. Todavia o erro da consciência pode ser fruto de uma ignorância invencível, isto é, de uma ignorância de que o sujeito não é consciente e donde não pode sair sozinho.
Quando essa ignorância invencível não é culpável, a consciência não perde a sua dignidade, porque ela, mesmo orientando-nos efectivamente de um modo discordante com a ordem moral objectiva, não deixa de falar em nome daquela verdade do bem que o sujeito é chamado a procurar sinceramente.
De qualquer forma, é sempre da verdade que deriva a dignidade da consciência: no caso da consciência recta, trata-se da verdade objectiva acolhida pelo homem; no da consciência errónea, trata-se daquilo que o homem errando considera subjectivamente verdadeiro. Nunca é aceitável confundir um erro «subjectivo» acerca do bem moral com a verdade «objectiva», racionalmente proposta ao homem em virtude do seu fim, nem equiparar o valor moral do acto cumprido com uma consciência verdadeira e recta, àquele realizado seguindo o juízo de uma consciência errónea. O mal cometido por causa de uma ignorância invencível ou de um erro de juízo não culpável, pode não ser imputado à pessoa que o realiza; mas, também neste caso, aquele não deixa de ser um mal, uma desordem face à verdade do bem. Além disso, o bem não reconhecido não contribui para o crescimento moral da pessoa que o cumpre: não a aperfeiçoa nem serve para encaminhá-la ao supremo bem. Existem faltas que não conseguimos ver e que, não obstante, permanecem culpáveis, porque nos recusamos a caminhar para a luz (cf. Jo 9, 39-41).
A consciência, como juízo último concreto, compromete a sua dignidade quando é culpavelmente errónea, ou seja, «quando o homem não se preocupa de buscar a verdade e o bem, e quando a consciência se torna quase cega em consequência do hábito no mal».
Apelo para formar a consciência, fazendo-a objecto de contínua conversão à verdade e ao bem. E indispensável uma espécie de «conaturalidade» entre o homem e o verdadeiro bem. 110 Esta conaturalidade fundamenta-se e desenvolve-se nos comportamentos virtuosos do mesmo homem: a prudência e as outras virtudes cardeais .
O suposto conflito entre liberdade e natureza repercute-se também sobre a interpretação de alguns aspectos específicos da lei natural, sobretudo da sua universalidade e imutabilidade. «Onde estão, pois, escritas estas regras — perguntava-se Agostinho de Hipona — a não ser no livro daquela luz que se chama verdade? Daqui, portanto, é ditada toda a lei justa e se transfere directamente ao coração do homem que pratica a justiça, não vivendo aí como estrangeira, mas quase que imprimindo-se nele, à semelhança da imagem que passa do anel à cera, sem abandonar todavia o anel».
Graças precisamente a esta «verdade», a lei natural implica a universalidade. Aquela, enquanto inscrita na natureza racional da pessoa, impõe-se a todo o ser dotado de razão e presente na história. Para se aperfeiçoar na sua ordem específica, a pessoa deve fazer o bem e evitar o mal, deve vigiar pela transmissão e conservação da vida, aperfeiçoar e desenvolver as riquezas do mundo sensível, promover a vida social, procurar o verdadeiro, praticar o bem, contemplar a beleza.
A cisão criada por alguns entre a liberdade dos indivíduos e a natureza comum a todos, como emerge de certas teorias filosóficas de grande repercussão na cultura contemporânea, obscurece a percepção da universalidade da lei moral por parte da razão. Mas, enquanto exprime a dignidade da pessoa humana e põe a base dos seus direitos e deveres fundamentais, a lei natural é universal nos seus preceitos e a sua autoridade estende-se a todos os homens. Esta universalidade não prescinde da individualidade dos seres humanos, nem se opõe à unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa: pelo contrário, abraça pela raiz cada um dos seus actos livres, que devem atestar a universalidade do verdadeiro bem. Submetendo-se à lei comum, os nossos actos edificam a verdadeira comunhão das pessoas e, exercem a caridade, «vínculo da perfeição» . Quando, pelo contrário, desconhecem ou simplesmente ignoram a lei, de forma imputável ou não, os nossos actos ferem a comunhão das pessoas, com prejuízo para todos.
Estas leis universais e permanentes correspondem a conhecimentos da razão prática e são aplicadas aos actos particulares através do juízo da consciência. O sujeito agente assimila pessoalmente a verdade contida na lei: apropria- -se, faz sua esta verdade do seu ser, mediante os actos e as correlativas virtudes. Os preceitos negativos da lei natural são universalmente válidos: obrigam a todos e cada um, sempre e em qualquer circunstância. Trata-se, com efeito, de proibições que vetam uma determinada acção semper et pro semper, sem excepções, porque a escolha de um tal comportamento nunca é compatível com a bondade da vontade da pessoa que age, com a sua vocação para a vida com Deus e para a comunhão com o próximo. É proibido a cada um e sempre infringir preceitos que vinculam, todos e a qualquer preço, a não ofender em ninguém e, antes de mais, em si próprio, a dignidade pessoal e comum a todos.
Por outro lado, o facto de que apenas os mandamentos negativos obrigam sempre e em qualquer circunstância, não significa que na vida moral as proibições sejam mais importantes que o compromisso de praticar o bem indicado pelos mandamentos positivos. O motivo é sobretudo o seguinte. Além disso, o que deve ser feito numa determinada situação depende das circunstâncias, que não se podem prever todas de antemão; pelo contrário, há comportamentos que em nenhuma situação e jamais podem ser uma resposta adequada — isto é, conforme à dignidade da pessoa. Enfim, é sempre possível que o homem, por coacção ou por outras circunstâncias, seja impedido de levar a cabo determinadas acções boas; porém, nunca pode ser impedido de não fazer certas acções, sobretudo se ele está disposto a morrer antes que fazer o mal.
A grande sensibilidade, que o homem contemporâneo testemunha pela historicidade e pela cultura, leva alguns a duvidar da imutabilidade da mesma lei natural, e consequentemente, da existência de «normas objectivas de moralidade» , válidas para todos os homens do presente e do futuro, como o foram já para os do passado: será possível afirmar como válidas universalmente para todos e sempre permanentes certas determinações racionais estabelecidas no passado, quando se ignorava o progresso que a humanidade haveria de fazer posteriormente?
Não se pode negar que o homem sempre existe dentro de uma cultura particular, mas também não se pode negar que o homem não se esgota nesta mesma cultura. De resto, o próprio progresso das culturas demonstra que, no homem, existe algo que transcende as culturas. Este «algo» é precisamente a natureza do homem: esta natureza é exactamente a medida da cultura, e constitui a condição para que o homem não seja prisioneiro de nenhuma das suas culturas, mas afirme a sua dignidade pessoal pelo viver conforme à verdade profunda do seu ser. Ocorre, sem dúvida, procurar e encontrar, para as normas morais universais e permanentes, a formulação mais adequada aos diversos contextos culturais, mais capaz de lhes exprimir incessantemente a actualidade histórica, de fazer compreender e interpretar autenticamente a sua verdade. Esta verdade da lei moral explicita-se ao longo dos séculos: as normas que a exprimem, permanecem válidas em sua substância, mas devem ser precisadas e determinadas «eodem sensu eademque sententia » conforme as circunstâncias históricas
A consciência e a verdade
. A relação que existe entre a liberdade do homem e a lei de Deus tem a sua sede viva no «coração» da pessoa, ou seja, na sua consciência moral: «No fundo da própria consciência homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas à qual deve obedecer; essa voz, que sempre o está a chamar ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do seu coração: faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus: a sua dignidade está em obedecer-lhe. Por isso, o modo como se concebe a relação entre a liberdade e a lei está ligado intimamente com a interpretação que se atribui à consciência moral. Neste sentido, as tendências culturais acima indicadas, que contrapõem e separam entre si a liberdade e a lei, e exaltam idolatricamente a liberdade, conduzem a uma interpretação «criativa» da consciência moral, que se afasta da posição objectiva do bem.
O juízo da consciência
A consciência, de certo modo, põe o homem perante a lei, tornando-se ela mesma «testemunha» para o homem: testemunha da sua fidelidade ou infidelidade relativamente à lei, ou seja, da sua essencial rectidão ou maldade moral. A consciência é a única testemunha: o que acontece na intimidade da pessoa fica velado aos olhos de quem vê de fora. Ela dirige o seu testemunho somente à própria pessoa. E, por sua vez, só esta conhece a própria resposta à voz da consciência.
Jamais se apreciará adequadamente a importância deste íntimo diálogo do homem consigo mesmo. Mas, na verdade, este é o diálogo do homem com Deus, autor da lei, modelo primeiro e fim último do homem. «A consciência — escreve S. Boaventura — é como o arauto de Deus e o seu mensageiro, e o que diz não o ordena de si própria mas como proveniente de Deus, à semelhança de um arauto quando proclama o édito do rei. E disto deriva o facto de a consciência ter a força de obrigar».103 Portanto, pode-se dizer que a consciência dá ao próprio homem o testemunho da sua rectidão ou da sua maldade, mas conjuntamente, e antes mesmo, é testemunho do próprio Deus, cuja voz e juízo penetram no íntimo do homem até às raízes da sua alma, chamando-o fortiter et suaviter à obediência: «A consciência moral não encerra o homem dentro de uma solidão intransponível e impenetrável, mas abre-o à chamada, à voz de Deus. Nisto, e em nada mais, se encontra todo o mistério e dignidade da consciência moral: em ser o lugar, o espaço santo no qual Deus fala ao homem».
. Trata-se de «pensamentos», que acusam ou defendem relativamente aos seus comportamentos (cf. Rm 2, 15). O termo «pensamentos» põe em evidência o carácter próprio da consciência, o de ser um juízo moral sobre o homem e sobre os seus actos: é um juízo de absolvição ou de condenação, segundo os actos humanos são ou não conformes com a lei de Deus inscrita no coração.).
O juízo da consciência é um juízo prático, ou seja, um juízo que dita aquilo que o homem deve fazer ou evitar, ou então avalia um acto já realizado por ele. É um juízo que aplica a uma situação concreta a convicção racional de que se deve amar e fazer o bem e evitar o mal. Este primeiro princípio da razão prática pertence à lei natural, mais, constitui o seu próprio fundamento, enquanto exprime aquela luz originária sobre o bem e o mal, reflexo da sabedoria criadora de Deus, que, como uma centelha indelével (scintilla animae), brilha no coração de cada homem. Mas, enquanto a lei natural põe em evidência as exigências objectivas e universais do bem moral, a consciência é a aplicação da lei ao caso particular, a qual se torna assim para o homem um ditame interior, uma chamada a realizar o bem na realidade concreta da situação. A consciência formula assim a obrigação moral à luz da lei natural: é a obrigação de fazer aquilo que o homem, mediante o acto da sua consciência, conhece como um bem que lhe é imposto aqui e agora. O carácter universal da lei e da obrigação não é anulado, antes fica reconhecido, quando a razão determina as suas aplicações na realidade concreta. O juízo da consciência afirma por último a conformidade de um certo comportamento concreto com a lei; ele formula a norma próxima da moralidade de um acto voluntário, realizando «a aplicação da lei objectiva a um caso particular».
Tal como a mesma lei natural e cada conhecimento prático, também o juízo da consciência tem carácter imperativo: o homem deve agir de acordo com ele. Se o homem age contra esse juízo, ou realiza um determinado acto ainda sem a certeza da sua rectidão e bondade, é condenado pela própria consciência, norma próxima da moralidade pessoal. A dignidade desta instância racional e a autoridade da sua voz e dos seus juízos derivam da verdade sobre o bem e o mal moral, que aquela é chamada a escutar e a exprimir.
Esta verdade é indicada pela «lei natural norma universal e objectiva da moralidade. O juízo da consciência não estabelece a lei, mas atesta a autoridade da lei natural e da razão prática face ao bem supremo, do qual a pessoa humana se sente atraída e acolhe os mandamentos: «A consciência não é uma fonte autónoma e exclusiva para decidir o que é bom e o que é mau; pelo contrário, nela está inscrito profundamente um princípio de obediência relacionado com a norma objectiva, que fundamenta e condiciona a conformidade das suas decisões com os mandamentos e as proibições que estão na base do comportamento humano».
. A verdade sobre o bem moral, declarada na lei da razão, é reconhecida prática e concretamente pelo juízo da consciência, o qual leva a assumir a responsabilidade do bem realizado e do mal cometido: se o homem comete o mal, o recto juízo da sua consciência permanece nele testemunha da verdade universal do bem, como também da malícia da sua escolha particular. Mas o veredicto da consciência permanece nele ainda como um penhor de esperança e de misericórdia: enquanto atesta o mal cometido, lembra também o perdão a pedir, o bem a praticar e a virtude a cultivar sempre.
Desta forma, no juízo prático da consciência, que impõe à pessoa a obrigação de cumprir um determinado acto, revela-se o vínculo da liberdade com a verdade. Precisamente por isso a consciência se exprime com actos de «juízo» que reflectem a verdade do bem, e não com «decisões» arbitrárias. E a maturidade e responsabilidade daqueles juízos — e, em definitivo, do homem que é o seu sujeito — medem-se, não pela libertação da consciência da verdade objectiva em favor de uma suposta autonomia das próprias decisões, mas, ao contrário, por uma procura insistente da verdade deixando-se guiar por ela no agir.
Procurar a verdade e o bem
A consciência, como juízo de um acto, não está isenta da possibilidade de erro. «Não raro porém acontece que a consciência erra, por ignorância invencível, sem por isso perder a própria dignidade. Outro tanto não se pode dizer quando o homem se descuida de procurar a verdade e o bem, e quando a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito do mal».
Sem dúvida, o homem, para ter uma «boa consciência» A verdade convida-nos à vigilância, advertindo-nos de que, nos juízos da nossa consciência, sempre se esconde a possibilidade do erro. Ela não é um juiz infalível: pode errar. Todavia o erro da consciência pode ser fruto de uma ignorância invencível, isto é, de uma ignorância de que o sujeito não é consciente e donde não pode sair sozinho.
Quando essa ignorância invencível não é culpável, a consciência não perde a sua dignidade, porque ela, mesmo orientando-nos efectivamente de um modo discordante com a ordem moral objectiva, não deixa de falar em nome daquela verdade do bem que o sujeito é chamado a procurar sinceramente.
De qualquer forma, é sempre da verdade que deriva a dignidade da consciência: no caso da consciência recta, trata-se da verdade objectiva acolhida pelo homem; no da consciência errónea, trata-se daquilo que o homem errando considera subjectivamente verdadeiro. Nunca é aceitável confundir um erro «subjectivo» acerca do bem moral com a verdade «objectiva», racionalmente proposta ao homem em virtude do seu fim, nem equiparar o valor moral do acto cumprido com uma consciência verdadeira e recta, àquele realizado seguindo o juízo de uma consciência errónea. O mal cometido por causa de uma ignorância invencível ou de um erro de juízo não culpável, pode não ser imputado à pessoa que o realiza; mas, também neste caso, aquele não deixa de ser um mal, uma desordem face à verdade do bem. Além disso, o bem não reconhecido não contribui para o crescimento moral da pessoa que o cumpre: não a aperfeiçoa nem serve para encaminhá-la ao supremo bem. Existem faltas que não conseguimos ver e que, não obstante, permanecem culpáveis, porque nos recusamos a caminhar para a luz (cf. Jo 9, 39-41).
A consciência, como juízo último concreto, compromete a sua dignidade quando é culpavelmente errónea, ou seja, «quando o homem não se preocupa de buscar a verdade e o bem, e quando a consciência se torna quase cega em consequência do hábito no mal».
Apelo para formar a consciência, fazendo-a objecto de contínua conversão à verdade e ao bem. E indispensável uma espécie de «conaturalidade» entre o homem e o verdadeiro bem. 110 Esta conaturalidade fundamenta-se e desenvolve-se nos comportamentos virtuosos do mesmo homem: a prudência e as outras virtudes cardeais .
Subscrever:
Comentários (Atom)

