sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Justiça


Quem tem a virtude da Justiça esforça-se continuamente para dar aos demais o que lhes é devido, de acordo com o cumprimento de seus deveres e de acordo com seus direitos - como pessoas (à vida, aos bens culturais e morais, aos bens materiais), como pais, como filhos, como cidadãos, como profissionais, como governantes, etc.


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Ser justo significa dar a cada um o que lhe é devido. Isto diz respeito aos bens temporais de natureza material. O melhor exemplo disso que podemos dar é a retribuição do trabalho ou o chamado direito ao fruto do próprio trabalho e da própria terra. Mas também se deve ao homem a reputação, o respeito, a consideração e a fama que merece.





A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A JUSTIÇA
. Reconheço os direitos das pessoas com as quais me relaciono. ?

(A justiça se baseia nos direitos e nos deveres das pessoas. Cada pessoa necessita receber o que lhe é devido: o cônjuge, o filho, o aluno, o professor, o pai, a autoridade local, etc.).

Tento conhecer cada situação com objetividade com o fim de adotar a atuação mais justa em cada caso. ?

(A justiça não supõe atuar sempre da mesma maneira quando concorrem as mesmas circunstâncias, já que cada pessoa é diferente).

Ainda reconhecendo o que seria uma atuação de justiça por minha parte, estou disposto a superá-la com a caridade quando creio que pode beneficiar ao outro. ?

(A vida de família, em especial, seria enormemente dura se os pais atuassem com justiça total sempre. É necessário o carinho).

. Reconheço os direitos dos outros membros da família. ?

(Por exemplo: o direito à intimidade, o direito a participar, o direito a conviver com ordem, o direito a receber ajuda para melhorar).

Reconheço e vivo os direitos dos demais em meu lugar de trabalho, na cidade, em meu país?

(Aqui aparecem outras virtudes como a honradez, a lealdade ou o patriotismo).





Reconheço o compromisso que adquiri com meus amigos. Reconheço que houve um pacto entre nós que devo cumprir?

(Devo a meus amigos. Adquiri o compromisso de ajudar-lhes a melhorar durante toda a vida e de aprender deles).

Me informo adequadamente com o fim de saber quais são os direitos que devo respeitar, porque se referem ao direito natural?

(Neste campo existem princípios absolutamente básicos: o direito a nascer, o direito a comer e a um teto, o direito a um trabalho digno ou o direito a adquirir e possuir bens).

Sei cumprir com minhas promessas, com os pactos e com os acordos que estabeleço.?

(Apesar de existir a possibilidade de estabelecer pactos ou acordos solenes mediante a assinatura de papéis frente a uma autoridade, não devemos desprezar a palavra dada).

Reconheço que opor-se, criticar por princípio ou censurar a outro é por si próprio uma falta de justiça.

(As pessoas têm o direito à verdade e também ao bom nome).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Fortaleza; Generosidade;Perseverança;Otimismo



A FORTALEZA


Descrição operativa (como funciona)
Em situações ambientais prejudiciais a uma melhora pessoal, resiste às influências nocivas, suporta os incômodos e se entrega com a valentia em caso de poder influir positivamente para vencer as dificuldades e para acometer grandes empreendimentos.


A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A FORTALEZA

1. Habitualmente tento esclarecer-me com respeito ao que pode ser considerado "bom" em cada circunstância.
(Não é correto tomar decisões, ou simplesmente reagir, sem pensar nos critérios adequados ou deixando-se levar pelo impulso do momento).
2. Tento superar a preguiça, a rotina e a imitação cega dos demais com o fim de centrar minha atenção no bem.
(Conhecer o bem requer esforço, um esforço para superar toda uma série de tendências básicas. Por exemplo centrar a atenção no bem significa "estudar').
3. Habitualmente centro minha atenção no que é bom para os demais ainda que custe um esforço ou tenha que sofrer.
(Com certa frequência alguns colocam como valor superior "a paz", entendida como "ausência de guerra". Se sentem satisfeitos contanto que não haja confrontos ou enfados. O bem requer esforço, e portanto sofrimento. Nem sempre é compatível com `ausência de guerra')
4. Me esforço habitualmente em realizar as pequenas coisas de cada dia com cuidado e com carinho.
(Ainda que se possa entender a virtude da fortaleza como a virtude do cavaleiro andante que está disposto a correr qualquer risco, habitualmente a fortaleza traduzir-se-á em pequenos esforços em fazer bem as coisas normais).
5. Resisto as tentações que invadem a vida como conseqüência da sociedade de consumo.
(Isto requer superar os caprichos, não deixar-se levar pelo que fazem os demais, não ler de tudo nem comprar de tudo, nem ver tudo na televisão, por exemplo).
6. Aguento as moléstias físicas sem queixar-me.
(A comodidade e o desejo de não sofrer são duas influências notórias no ambiente atual. Mas a fortaleza significa usar a vontade para superar estas fraquezas).
7. Tomo decisões com iniciativa para fazer coisas de autêntico valor para os filhos/alunos ou para os demais.
(O ideal e o entusiasmo pela vida ajudarão a sair da rotina, a pensar, organizar e motivar aos demais para fins interessantes e valiosos sem se conformar com a mediocridade).
8. Me esforço habitualmente em não deixar-me acostumar ao que está mal, simplesmente como consequência da frequência com que este mal se repete
(É muito fácil acostumar-se ao mal e, assim, perder a luta na busca do bem. Nos contentamos com pouco).
9. Tento não queixar-me das coisas más que vejo ao meu redor e, em troca, me esforço em fazer algo positivo para neutralizar a influência negativa
(Um exercício interessante é pensar nas ocasiões em que nos queixamos na última semana, por exemplo. Quanto mais queixas menos fortaleza).
10. Supero o medo, a indiferença ou a insegurança com o fim de realizar ações de autêntico valor.
(A fortaleza requer arriscar-se, ser magnânimo, pensar em valores elevados, entusiasmar-se com a vida. E incompatível com a mediocridade, tão associada à segurança exagerada).


EDUCAÇÃO DA FORTALEZA


11. Debato com os alunos/filhos com o fim de que descubram o que significa o bem em cada coisa.
(Se um jovem tem muita vontade mas não sabe o que é bom, pode terminar fazendo o mal com grande eficácia).
12. Busco ou crio situações em que as crianças possam entusiasmar-se com algo que valha a pena.
(A educação da fortaleza requer iniciativa por parte dos educadores com o fim de oferecer atividades em que os meninos/meninas podem entusiasmar-se. Muitas vezes serão atividades nas quais se realizem ações a favor dos demais)
13. Tento conseguir que os meninos/meninas superem suas próprias dificuldades ou problemas.
(Uma tendência é não querer que os filhos/alunos sofram, e assim os educadores lhes substituem e não lhes deixam aprender a assumir a responsabilidade por sua própria vida).
14. Animo aos pequenos para que resistam a diferentes tipos de dificuldades.
(Por exemplo, não parar de correr em caso de não estar em condições de ganhar a corrida, chegar ao topo do monte apesar do calor e do cansaço, não pedir água imediatamente ainda que sinta um pouco de sede).
15. Consigo que os pequenos se enfrentem razoavelmente com as coisas que lhes produzem medo.
(Por exemplo, o medo à escuridão, o medo de ficar sozinho, o medo de alguns colegas do colégio).
16. Organizo ou promovo atividades que supõem algum tipo de esforço físico por parte dos meninos/meninas com bastante freqüência.
(Por exemplo, saídas ao campo, jogos organizados, colaboração na realização de trabalhos próprios - lavar o carro -).
17. Exijo aos filhos/alunos regularmente nas regras estabelecidas com o fim de que desenvolvam sua vontade.
(Como consequência da repetição dos atos acaba sendo mais fácil cumprir nossos deveres, de tal forma que os meninos/meninas podem dedicar seus esforços a outras coisas de maior importância.
18. Busco maneiras para que os jovens tenham iniciativas, para que se entusiasmem com algum projeto e para que realizem as ações correspondentes até terminá-los.
(Não se pode pedir aos educadores que estejam realizando este tipo de ação todos os dias. Mas se queremos que os jovens desenvolvam a virtude da fortaleza, algum esforço deste tipo deverá ser feito de vez em quando).
19. Ajudo aos jovens a tomar uma postura com respeito a temas importantes na vida e a defender sua opinião com seus colegas apesar "do que possam pensar".
(Não apenas se trata de ter critério, mas também de influir sobre os demais).
20. Ajudo-lhes a dizer que "sim" e a dizer que "não" com valentia.
(A pressão dos amigos é muito forte e é necessário ajudar aos meninos/meninas a ter esta firmeza desde cedo).


GENEROSIDADE

1 - A maneira pessoal de viver a Generosidade
1. Me esforço por reconhecer as necessidades reais dos demais.
(Trata-se de fazer algo para outro quando coincide com uma necessidade real sua. Se não é assim, podemos terminar satisfazendo caprichos ou entregando o que nos sobra).
2. Reconheço meus próprios talentos (capacidades, qualidades, conhecimentos) e os coloco a serviço dos demais.
(Às vezes temos capacidades ou qualidades "escondidas" que nunca aproveitamos por não fazer um esforço, por preguiça, ou por timidez, por exemplo).
3. Reconheço o que valem minhas próprias posses, meu tempo, meu esforço, etc.
(Há muitas coisas que são nossas e não as apreciamos devidamente. Não lhes damos importância porque nos acostumamos a elas. Por exemplo, nosso lar, ou o dinheiro ou nossa fé. Outras pessoas carecem delas).
4. Realizo ações buscando o autêntico bem dos demais com bastante freqüência.
(Às vezes alguém se sente generoso por haver feito um esforço especial em algum momento concreto. Entretanto, a generosidade requer que haja continuidade nas ações, que se repitam, que sejam freqüentes).
5. Realizo as seguintes ações com bastante freqüência: emprestar coisas próprias, dar algo meu, estar disponível, escutar aos demais, exigir aos demais razoavelmente.
(Cada pessoa costuma achar que lhe custa menos atuar a favor dos demais de algumas maneiras determinadas. Em troca lhe custam muito mais outros tipos de ação. Por exemplo, a uma pessoa não lhe custa dar dinheiro a uma causa justa e, entretanto, não está disposto a sacrificar o tempo que dedica a alguma atividade pessoal).
6. Permito aos demais realizar ações em meu favor.
(Se somos auto-suficientes ou simplesmente impacientes é possível que não deixemos aos demais fazer coisas em nosso favor e, com isso, lhes tiramos a possibilidade de ser generosos conosco).
7. Perdôo.
(É talvez a maneira mais difícil de ser generoso).
8.Faço esforços para superar o cansaço, a doença, a preguiça como fim de atender aos demais
(Há pessoas que estão dispostas a atuar em favor dos demais somente se dormiram bem, se sintam descansadas e de bom humor. É bom pensar em que momentos do dia, ou em que circunstâncias, tendemos a ser mais ou menos generosos).
9. Atuo a favor dos demais buscando seu bem mais que a própria satisfação e sem pensar no que posso pedir em troca.
(Ao atuar em favor de alguém, se pode fazer pensando no bem para esta pessoa mas também no que se vai pedir em troca ou pensando que o outro agora nos deve um favor).
10. Esforço-me em atender às pessoas que mais necessitam de minha atenção.
(Muitas vezes é fácil atuar de uma maneira generosa com algumas pessoas e nem tanto com outras. Por exemplo, com o cônjuge e com os filhos, mas não com os vizinhos. Ou com algum colega que achamos simpático mas não com outro, mais necessitado, mas um pouco antipático).
2 - A educação da Generosidade
11. Ajudo aos meninos/meninas a concretizar suas preocupações para ajudar aos demais.
(Por exemplo visitando a um amigo doente, perdoando a um irmão, colaborando em tarefas em casa ou em classe).
12. Busco e ofereço oportunidades para que os alunos/filhos possam decidir livremente se estão dispostos a realizar ações em favor dos demais.
(Não se trata de obrigar-lhes a realizar algo em favor dos demais. Isto não lhes ajuda a ser generosos. Trata-se de convidar. Por exemplo: você já pensou que seu colega gostaria que você lhe ajudasse a colocar seus estudos em dia?).
13. Ajudo-lhes a descobrir as necessidades reais dos demais.
(Isto requer ajudar a pensar. Por exemplo perguntas tais como: Percebeu que mamãe está muito cansada? Que poderia fazer para ajudar-lhe?).
14. Ajudo-lhes a distinguir entre o que são caprichos dos demais e o que são necessidades reais.
(Quando os demais pedem coisas, convém pensar se realmente convém dá-las ou não. É um capricho? Ou é uma necessidade? Outra vez se trata de raciocinar com as crianças).
15. Ajudo-lhes a reconhecer o valor de suas próprias posses, de seu tempo etc.
(É freqüente que os filhos/alunos não se dêem conta do que possuem. Necessitam de ajuda para descobrir as possibilidades reais que dispõem para atuar em favor dos demais).
16. Ajudo-lhes a reconhecer quais são os motivos que realmente têm quando atuam em favor dos demais.
(Isto é uma questão tão simples como perguntar. Por que vai fazer isto?).
17. Ajudo aos jovens não apenas a dar mas também a receber.
(É possível que alguns recebem quase sempre e dão muito pouco. Mas com as crianças "boas", um pouco mais maduras, devemos também ensinar-lhes a receber).
18. Consigo que os jovens realizem ações em favor dos demais por motivos elevados.
(Nunca saberemos os motivos que têm os jovens para atuar de uma maneira ou outra, mas podemos tentar semear a inquietude de fazer as coisas por um sentido correto do dever, ou por amor).
19. Busco maneiras de conseguir que os alunos/filhos superem a comodidade, a preguiça e a inércia com o fim de centrar sua atenção nos demais.
(Em grande parte isto depende do exemplo entusiasta do educador).
20. Falo com os meninos/meninas para que aprendam a relacionar a generosidade com o amor e especialmente com o amor a Deus e com o amor de Deus.
(Devemos falar destes temas com naturalidade, na família ou no colégio. E mais à medida que os meninos/meninas vão crescendo). Como proceder à auto-avaliação

No texto encontram-se uma série de afirmações para reflexão, divididas em duas partes:

1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .

2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.
Com respeito a cada afirmação, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:
5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.
4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.
3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".
2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.
1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.
Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.
As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

Extraído do livro "Auto-avaliação das virtudes humanas", de David Isaacs.

PERSEVERANÇA


Descrição operativa (como funciona)
Para quem tem essa virtude, uma vez tomada uma decisão, realiza as atividades necessárias para alcançar o que foi decidido, mesmo que surjam dificuldades internas ou externas, ou que diminua a motivação pessoal através do tempo transcorrido.
A EDUCAÇÃO DA PERSEVERANÇA
1. Ao concretizar metas de melhora para os filhos/alunos, exijo perseverantemente até conseguir os resultados desejados.
(Seguramente um dos maiores problemas para os educadores é o de ser perseverante na exigência dos educandos).
2. Exijo aos meninos/as primeiro naquelas coisas em que lhes é mais fácil cumprir.
(Convém começar pedindo perseverança naquelas coisas que custam menos esforço, possivelmente relacionadas com algum interesse da criança ou com alguma capacidade que tem desenvolvida).
3. Seleciono bem os objetivos que quero conseguir na educação, de tal maneira que posso prestar-lhes a atenção adequada.
(Se se estabelecem muitas metas, o educador termina exigindo pouco em muitas coisas, e assim não se conseguem resultados).
4. Exijo em condutas que são adequadas para a idade do menino/a.
(Com as crianças pequenas se pode exigir para que cumpram uma promessa, para que acabem a comida, para que terminem uma corrida ou para que subam a montanha até alcançar o topo. Com os maiores se tratará de exigir-lhes para que pensem antes de tomar suas próprias decisões. Isto é, haverá que exigir-lhes muito menos nas condutas).
5. Distingo claramente que tipo de ajuda devo prestar aos jovens para que sejam perseverantes em cada ação.
(Segundo a situação se tratará de mandar o que há que fazer, obrigar-lhes a pensar para que decidam eles ou simplesmente deixar fazer sem intervir).
6. Introduzo objetivos claros na vida dos filhos/alunos para que se acostumem a esforçar-se na perseverança.
(Estes objetivos podem estar relacionados com alguma virtude concreta; serem ações que se deve desenvolver regularmente - recolher a roupa do banheiro, manter o quarto ordenado, etc. - ou estar relacionados com uma pessoa - a atenção a um avô ou a um irmão pequeno por um período de tempo -).

7. Ajudo aos jovens a prever problemas que podem surgir em seus planos e a quem convém recorrer para pedir a ajuda adequada.
(Se sabem quais são os possíveis problemas, podem prever possíveis maneiras de superá-los. Por exemplo, um jovem pode pensar em aproveitar as férias para estudar sem ter em conta a dinâmica real deste período de férias. Também necessita saber a quem recorrer quando surgem dificuldades, a um amigo, ao professor, ou a outro conhecido por exemplo).
8. Ajudo aos jovens a selecionar as metas que proponham para que estejem adequadamente relacionadas com suas capacidades reais.
(Os adolescentes tendem a ser pouco realistas e necessitam deste tipo de ajuda).
9. Ajudo aos meninos/as para que se proponham metas que não estejam muito distantes no tempo.
(Pode-se animar os filhos/alunos a se proporem metas mais distantes ou menos distantes, de acordo com sua idade e com suas características pessoais. Em todos os casos convirá dividir a meta em partes).
10. Raciocino com os jovens para que descubram a importância do que estão propondo e para que compreendam a necessidade do esforço.
(Parece que custa cada vez mais conseguir que os jovens sejam perseverantes. A sociedade do bem estar e comodismo em que vivemos se contrapõe à necessidade de perseverança no esforço. É necessário que os jovens compreendam o porquê do esforço que lhes estamos solicitando).

A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A PERSEVERANÇA


11. Me proponho metas interessantes para o futuro.
(A perseverança não é necessária se não se propõem metas. A melhora pessoal e a educação requerem estabelecer metas importantes algo distantes no tempo).
12. Divido essas grandes metas em uma série de "etapas" com a finalidade de saber que estou progredindo para a meta proposta.
(A experiência mostra que é necessário marcar pontos concretos de melhora, mais próximos que a meta final, principalmente para que sigamos a motivação e para que superaremos o desânimo).
13. Quando me proponho metas para o futuro, prevejo possíveis problemas, com o fim de ter previsto sistemas para superá-los quando aparecerem.
(A previsão também é parte da virtude da perseverança. Os problemas imprevistos sempre são mais difíceis de superar que os que levamos em conta ao estabelecer o projeto).
14. Coloco os meios para obter o desejado, mas reconheço também quando convém desistir.
(Não é sempre um fracasso deixar de buscar uma meta. Se alguém se dá conta de que se equivocou no estabelecimento de uma meta, ou que realmente não existem meios para alcançá-la, e continuasse empenhando-se no esforço, não seria perseverança. Seria teimosia).
15. Uma vez que decidi alcançar uma meta, uso minha vontade para colocar os meios para alcançá-la.
(Há pessoas que estabelecem muitas metas, mas que desistem depois de um momento de entusiasmo inicial. Mudam de empenho de acordo com o capricho do momento).
16. Peço a ajuda adequada no momento oportuno para continuar até o fim.
(Normalmente não se pode seguir uma meta importante sem a ajuda de outros e especialmente no momento de desânimo, que costuma chegar depois de um período inicial de entusiasmo).

17. Reflito regularmente sobre o sentido de meus esforços habituais com o fim de assegurar que o esforço não está sendo realizado sem sentido, baseado numa rotina vazia.
(Convém ver em que grau os esforços habituais têm sentido. Alguns servirão, mas outros já haverão perdido seu sentido. Por exemplo, na adolescência seguramente será mais importante insistir que os filhos pensem antes de tomar suas decisões do que insistir para que arrumem seus dormitórios).
18. Quando estabeleço alguma meta nova que é objetivamente importante, procuro algo que me ocupa tempo na atualidade, mas que não é tão importante, com o fim de deixar de fazê-lo e, assim, ganhar este tempo para o novo projeto.
(As pessoas que pretendem ser perseverantes já terão seu tempo muito ocupado e não é possível seguir somando uma tarefa encima da outra, um esforço encima de outro esforço. Por isso, há que pensar no que vai deixar de fazer para a seguir poder dedicar esse tempo ao novo projeto. Por exemplo, se poderia deixar de ler o jornal diário ou ver as notícias na tevê com o fim de estudar).
19. Aproveito os Sacramentos regularmente com o fim de ser perseverante em minha vida de fé.
(A vida de fé também necessita da perseverança e desde cedo é necessário ajuda para crescer como filho responsável de Deus).
20. Peço ajuda a Deus incessantemente para cumprir bem pessoalmente e para que os que dependem de mim façam o mesmo.
(A perseverança na vida de fé também requer o estudo para saber cada vez mais sobre as verdades da fé e a direção espiritual para assegurar que as metas que nos propomos sejam adequadas).


OTIMISMO


Descrição operativa (como funciona)
"Confia razoavelmente em suas próprias possibilidades, e na ajuda que lhe podem prestar os demais, e confia nas possibilidades dos demais, de tal modo que, em qualquer situação, distingue, em primeiro lugar, o que é positivo em si e as possibilidades de melhora que existem e, a seguir, as dificuldades que se opõem a essa melhora, e os obstáculos, aproveitando o que se pode e enfrentando os demais com esportividade e alegria".


A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O OTIMISMO

1. Confio razoavelmente em minhas próprias capacidades, qualidades e possibilidades de tal maneira que aproveito muitas delas.

(O otimismo se baseia na confiança. A pessoa desconfiada, em qualquer sentido da palavra, tende a não aproveitar suas possibilidades. Não vê mais que as limitações).
2. Confio razoavelmente nos demais. Habitualmente descubro o que há neles de positivo.

(É possível ser otimista com respeito a si próprio mas não com respeito aos demais. Sempre se pode descobrir algo positivo nas pessoas com as quais nos relacionamos).
3. Confio em Deus de tal maneira que, mesmo que não entenda o sentido de algum acontecimento a nível humano, habitualmente compreendo que tudo é para o bem.

(Surgem na vida da maioria das pessoas situações em que não seria razoável continuar sendo otimista a nível humano. Por exemplo, ao morrer uma criança, uma doença grave, uma desgraça econômica. Unicamente a fé sobrenatural permite descobrir algo bom nelas).
4. Em situações difíceis, faço um esforço para buscar soluções positivas, tentando superar a tendência de queixar-me.

(É fácil ser otimista em situações positivas. Em troca, quando as coisas vão mal é possível que passemos queixar-nos e lamentar-nos ou a acusar a outros de serem os responsáveis pela situação).
5. Em qualquer situação busco o positivo em primeiro lugar.

(Não se trata de falsificar a realidade, mas sim de saber buscar o positivo em primeiro lugar. É um hábito que se pode desenvolver).
6. Sou realista e habitualmente sei enfrentar-me com as dificuldades esportivamente.

(Mesmo que tentemos descobrir o positivo, objetivamente pode haver muitos problemas. O otimismo leva à pessoa a enfrentar-se com eles esportivamente).
7. Distingo entre o que é aproveitável e o que não o é, e assim chego a otimizar o primeiro.

(O falso otimismo ou um excesso de otimismo levaria à pessoa a tentar aproveitar o que não se pode, a simular, a enganar-se ou a enganar aos demais).
8. Em geral, consigo enfrentar-me com a vida com um positivo sentido do humor.

(O bom humor permite assumir a responsabilidade da própria vida sem sentir-se abatido ou desgraçado).
9. Entendo que se trata de ser otimista com o fim de aproveitar todos os talentos que Deus me deu, com o fim de contagiar a alegria de viver aos demais e com o fim de viver como um autêntico filho de Deus.

(É possível que se tente ser otimista simplesmente para não sofrer, para sentir-se mais à vontade ou por comodidade).
10. Me encontro habitualmente com paz interior, que ajuda a superar o desalento.

(Esta paz interior não é algo que se possa desenvolver como virtude. É, na verdade, um indicador para saber se está vivendo habitualmente a virtude do otimismo).

A EDUCAÇÃO DO OTIMISMO


11. Crio as situações adequadas para que os meninos/as possam viver suas vidas com alegria.

(Se existe um ambiente de alegria é mais provável que os jovens descubram o positivo ao seu redor).
12. Centro minha atenção nos aspectos e condutas positivos dos filhos/alunos de tal maneira que ganham confiança em suas possibilidades.

(É relativamente freqüente encontrar educadores que insistem constantemente no "melhorável" dos educandos, no que fazem mal. Esta atitude não motiva, não ajuda aos jovens a ser otimistas).
13. Ajudo aos jovens a conhecer-se, a ser realistas com respeito a suas próprias qualidades e capacidades, com o fim de aproveitá-las ao máximo.

(Os meninos/as necessitam de ajuda para autoconhecer-se. Podem infravalorizar-se ou supervalorizar-se. Trata-se de ser realista).
14. Aproveito ou crio situações para que os meninos/as possam começar a andar sozinhos sem ajudar-lhes desnecessariamente.

(Uma ajuda desnecessária é uma limitação para a pessoa que a recebe. Se os educadores ajudam muito, o otimismo dos jovens pode ser falso, já que depende exclusivamente da ajuda que recebem dos demais).
15. Mostro minha confiança e meu amor aos filhos/alunos de tal maneira que tenham a segurança necessária para assumir a responsabilidade de suas próprias vidas.

(Não basta querer ou confiar. É necessário manifestá-lo. Unicamente assim muitos meninos/as se lançarão a realizar ações boas, aproveitando seus talentos ao máximo).
16. Quando acontecem coisas que são objetivamente negativas, por exemplo uma doença, a falta de lealdade de um amigo, uma reprovação em um exame, ajudo ao filho/aluno a adotar uma atitude positiva com o fim de tirar algo positivo dessas situações.

(Não é necessário criar situações deste tipo. Logo surgirão. Entretanto, se algum jovem não parece fracassar nunca, ou não ter dificuldades especiais nunca, pode ser bom criar uma situação problemática com o fim de que aprenda a superar dificuldades e a fracassar. Certamente vai encontrar dificuldades em algum momento de sua vida e melhor será que aprenda a superá-las quando ainda é jovem).
17. Falo com os jovens com o fim de que descubram o que significa confiar em Deus.

(Normalmente não se trata de grandes conversações, mas de preferência de pequenas chamadas de atenção, informações breves que ajudam a pensar).

18. Tento criar situações para que aqueles meninos/as que costumam fracassar tenham a oportunidade de ter êxito.

(Assim pode crescer a confiança em si próprios. Se acostumam-se a fracassar em quase tudo, jamais serão otimistas, nem aproveitarão as capacidades e qualidades que possuem).
19. Promovo ações ou situações em que os meninos/as são autenticamente importantes.

(Não se trata de que os jovens "se sintam" importantes, mas que sejam importantes. Enquanto se responsabilizem por tarefas de serviço aos demais, de cumprir com encargos relevantes etc. encontrarão a satisfação do trabalho bem feito e, com isso, crescerá seu otimismo).
20. Ensino aos meninos/as a pedir a ajuda necessária para realizar seus projetos.

(Os jovens necessitam saber quando convém pedir ajuda a seus pais, a seus professores ou a seus companheiros. Também têm que acostumar-se a pedir ajuda a Deus sabendo que assim tudo será para seu bem).

A sinceridade : autenticidade e liberdade


SINCERIDADE
Descrição operativa (como funciona)


Quem tem essa virtude manifesta, se é conveniente, à pessoa idônea e no momento adequado, o que fez, o que viu, o que pensa, o que sente, etc., com clareza, com respeito a sua situação pessoal ou a dos demais.

A EDUCAÇÃO DA SINCERIDADE


1. Ensino aos filhos/alunos a ser sinceros consigo próprios, mediante uma ajuda no descobrimento de suas possibilidades e limitações pessoais.

(Não é possível manifestar a verdade se previamente não se sabe o que há que manifestar).

2. Ensino aos filhos/alunos quais são os valores importantes na vida, de tal maneira que possam fixar-se no importante e não no secundário.

(Por exemplo, se não mostro ao filho/aluno que seus sentimentos são importantes, é possível que não se fixe neles, nem chegue a manifestá-los nunca).

3. Em minha atuação habitual com os meninos/as, tendo a premiar a sinceridade.

(Se se utilizam castigos como conseqüência de que algum menino/a tenha contado a verdade, é possível que não queira continuar sendo sincero no futuro).

4. Me baseio na sinceridade dos filhos/alunos para a seguir orientar-lhes.

(A orientação deve ser personalizada, e portanto necessita de uma informação correta com respeito ao filho/aluno. Não se trata de orientar genericamente sem conhecer a realidade de cada um).

5. Prefiro confiar no que dizem os filhos/alunos sem ser ingênuo, mas sem mostrar desconfiança continuamente.

(Se estimula a sinceridade mediante expressões de confiança. A desconfiança conduz a mentir e a falsificar a realidade).

6. Me preocupo de ajudar aos adolescentes a reconhecer os aspectos mais importantes de suas vidas.

("Importante" significa qualquer coisa que pode influir de uma maneira significativa nos valores que se querem viver na vida).

7. Ajudo às crianças a distinguir entre a realidade e a fantasia.

(É importante que as crianças desenvolvam sua imaginação, mas não convém mesclar a realidade e a fantasia).

8. Estou pendente dos filhos/alunos que contam muito, com o fim de que vão compreendendo que se trata de contar as coisas à pessoa adequada e no momento oportuno.

(Talvez haverá que explicar os resultados, ou os possíveis resultados, de haver contado uma informação inadequada. Por exemplo, o desgosto de um irmão ou a humilhação de um amigo).

9. Crio situações para que os filhos/alunos que têm dificuldades de expressar-se possam fazê-lo com a máxima confiança.

(Muitas vezes isto significa fazer coisas juntos. Assim, a atenção dos dois estará centrada na ação, e se poderá expor o tema e estimular a comunicação).

10. Tento conhecer a causa das mentiras de meus filhos/alunos, se é o caso, com o fim de atuar sobre essa causa.

(Por exemplo, as crianças podem sentir-se com necessidade de mentir para serem iguais a seus colegas, ou querer ser mais, ou podem temer um possível castigo).


A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A SINCERIDADE


11. Tento criar um clima aberto de comunicação e confiança na família ou na classe com o fim de que os filhos/alunos vivam a sinceridade.

(De fato, viver qualquer virtude requer que haja um ambiente de "virtude". Todas estão relacionadas. E é necessário vivê-Ias com naturalidade mais que planificá-las).

12. Reconheço minha própria realidade, minhas qualidades, minhas limitações, e possíveis preconceitos e tenho claro o que é importante.

(Se não se tem claro o que é importante, e como alguém o é, tampouco se poderá ajudar aos filhos/alunos a reconhecer essas coisas em suas próprias vidas. Sem reconhecer a própria realidade não é possível manifestá-la).

13. Reconheço que o mais importante é ser filho de Deus e tentar melhorar de acordo com uma visão objetiva do que é bom.

(É possível reconhecer a própria realidade de uma maneira limitada. Por exemplo, fixando-se nos próprios gostos e caprichos e algo mais. Desta maneira a manifestação da verdade será insuficiente e não conduzirá a uma melhora pessoal).

14. Habitualmente manifesto os diferentes aspectos da realidade que percebi à pessoa idônea.

(Não se trata de contar tudo a qualquer pessoa. Por exemplo, será conveniente compartilhar algumas coisas com o cônjuge ou com um amigo íntimo, outras com os colegas ou com os conhecidos).

15. Habitualmente manifesto os diferentes aspectos da realidade que percebo no momento oportuno.

(Não se trata de contar as coisas em qualquer momento. A virtude da sinceridade deve ser governada pela prudência).

16. Quando compartilho informação, idéias, sentimentos etc. sobre aspectos da realidade que conheço, o faço buscando a possibilidade de enriquecer a outros ou buscando uma ajuda para meu próprio processo de melhora.

(Não se trata de estar consciente em cada momento da melhora que se pretende mas sim, em troca, convém reconhecer que a sinceridade pretende este tipo de enriquecimento. Não se trata de contar tudo a qualquer pessoa e em qualquer momento).

17. Ao manifestar o que sei, o que penso, o que vi, etc., o faço prudentemente e com clareza.

(A sinceridade requer prudência, mas também a caridade para pensar no bem dos demais).

18. Baseio minha sinceridade na confiança e na naturalidade.

(Não se trata de criar "estratégias" de sinceridade, mas entretanto, relacionar a ação com a simplicidade, a franqueza e a honradez).

19. Cuido de que meu exemplo seja positivo para os filhos/alunos sem mentir nem encobrir a verdade com intenção de induzir ao erro.

(Por exemplo: "Diga-lhes que não estou em casa", "Vou ver o jogo mas ligue ao meu trabalho e diga-lhes que estou doente").

20. Reconheço as ocasiões em que não posso nem devo manifestar a verdade.

(Por exemplo, o segredo profissional, mas também saber guardar um segredo ou não contar algo da intimidade familiar desnecessariamente a outros).




Autenticidade e liberdade

três doenças da liberdade:

1) A falta de conhecimento, de lucidez. Pensamos mal e, por isso, escolhemos mal (Ver «Liberdade: II»).

2) Mesmo pensando bem, quando chega a hora de “fazer o que queremos” (o que é bom, o que verdadeiramente nos vai realizar), não “podemos”, devido à nossa fraqueza, às amarras do egoísmo que nos escravizam (Ver «Liberdade: III»).

3) Em terceiro lugar, pode suceder que, mesmo tendo começado a fazer o que decidimos livremente, porque é bom, porque é mesmo o melhor, não sejamos capazes de chegar até ao final, porque nos faltam as forças necessárias.

Vamos agora meditar sobre essa terceira doença da liberdade: a falta de perseverança. Começaremos, para isso, com um comentário, cheio de admiração, que talvez nos escape, às vezes, ao falar sobre uma pessoa que muito admiramos:

- Que maravilha, Fulano, é genial! Ele tem um domínio! Ele faz o que quer!

É um tipo de comentário que é fácil ouvir quando conversamos sobre a apresentação de um artista excepcional: músico, ator, cantor…, ou de um jogador de futebol fora de série.

Pensemos agora, por exemplo, num grande pianista. Começa a interpretar uma peça de Mozart, e os seus dedos voam, deslizam, dançam, correm, acariciam as teclas, desenvolvem movimentos quase angélicos por cima do teclado, dando uma sensação de facilidade absoluta. Realmente, esse pianista faz o que quer, domina, com absoluta liberdade, segurança, arte e graça, o instrumento musical.

Deve possuir, sem dúvida, a faísca do gênio. Com certeza, está dotado de uma sensibilidade especial para a música, tem uma facilidade particular para captar-lhe os segredos. Mas todas essas predisposições naturais de nada lhe serviriam se não tivesse dedicado, ao longo de anos sem fim – com um preparo duro e infatigável -, horas e mais horas ao estudo da música, ao aprendizado, aos exercícios de solfejo, de piano, ao aprimoramento constante da sua arte. O esforço deu-lhe a facilidade de um hábito adquirido, e esse hábito bom – que continua cultivando sem parar – dá-lhe a liberdade de tocar “como quer”. É um “virtuose” (palavra muito sugestiva do que diremos a seguir).

Do piano às virtudes

Algo de semelhante acontece com a nossa conduta. Somente nos tornamos capazes de fazer livremente o bem que desejaríamos quando – além de pedir a ajuda de Deus – vamos adquirindo os hábitos bons que se chamam virtudes – as virtudes humanas – mediante o esforço, o exercício voluntário e constante: tentando, insistindo, aprendendo, corrigindo.

«A virtude – lemos no Catecismo da Igreja Católica – é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si mesma [...]. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem» (nn. 1803-1804).

Quantas vezes muitos de nós, ao admirarmos as virtudes dos outros, não comentamos, com um suspiro de tristeza: “Eu não seria capaz!” Louvamos, por exemplo, a alegria e a serenidade e otimismo com que um pai, que passa por uma grave tribulação profissional, se comporta com a família; ou elogiamos a paciência de uma mãe; ou a abnegação de um rapaz órfão de pai, que estuda à noite, trabalha o dia inteiro e carrega sem protestos todo o peso familiar. “Eu não seria capaz!”

Por que não seríamos capazes? Não é, certamente, por falta de condições básicas. Para sermos um pianista exímio, um grande ator, um pintor excepcional ou o melhor futebolista do mundo, sim, seria preciso que estivéssemos dotados, que tivéssemos condições especiais. Mas, para adquirirmos as virtudes (prudência, sinceridade, coragem, paciência, perseverança, amizade, ordem, fortaleza, sobriedade, castidade, mansidão, etc., etc.), basta-nos ser humanos.

Quem é um ser humano e, portanto, tem alma, possui a inteligência e a vontade: só com isso, já está dotado das condições básicas suficientes para adquirir todas as virtudes humanas. Algumas delas poderão custar-lhe mais do que a outras pessoas, mas nenhuma cairá fora das suas possibilidades. E, se quiser, ajudado pela graça divina, acabará por conquistá-las. E, então, tornar-se-á capaz.

Não vemos, com isso, a importância da educação nas virtudes, do aprendizado das virtudes, do exercício das virtudes? É um fato lamentável que hoje, à diferença de outras épocas, pouca importância se dá, nos lares e na escola, à formação das virtudes. Parece que basta fornecer uma educação que capacite para exercer uma profissão e ganhar dinheiro. E a personalidade de muitos jovens vai ficando assim imatura e informe – não formada -, justamente porque lhes falta o que forja o caráter: as virtudes.

Chega, depois, o momento da luta pela vida, a hora de constituir uma família e de levar avante as responsabilidades profissionais e sociais, e aquele rapaz ou aquela moça, mesmo tendo um expediente universitário brilhante, encontram-se perante a “ciência da vida” como analfabetos, como combatentes desarmados. Não podem, não conseguem, não são capazes de suportar os sacrifícios e os sofrimentos normais da vida; de dar a volta por cima dos fracassos; de conviver e de colaborar no trabalho com pessoas difíceis… Não “podem” porque tudo isso só se consegue com as virtudes; e eles, ou não as têm, infelizmente, ou as têm tão fracas que se esfarelam ao primeiro choque.

A luta pelas virtudes

Convençamo-nos de que, sem as virtudes, estamos condenados a ser os náufragos da vida, que tentam sustentar-se nas águas do mundo e avançar rumo à terra firme sem jamais consegui-lo. As pessoas afundam-se quando lhes falta esse domínio, essa autêntica liberdade, que só as virtudes podem dar.

É muito importante, por isso, compreender que as virtudes, como ensina o Catecismo da Igreja Católica, só se adquirem «pela educação, por atos deliberados e por uma perseverança retomada com esforço» (n. 1810).

Não vamos entrar agora aqui numa reflexão detalhada sobre as virtudes, mas poderá ser útil que façamos um bom exame de consciência sobre três pontos:

1) Procuro educar-me nas virtudes humanas e cristãs? Sei o que são e como se deve lutar – passo a passo – para consegui-las? Faço leituras que me proporcionem as idéias e a formação necessária para isso? Detecto claramente os meus defeitos, as minhas falhas na prática das virtudes? Procuro aconselhamento espiritual que me ajude a “ver” e “lutar”?

2) Proponho-me, com atos deliberados – ou seja, com resoluções concretas, definidas, conscientes – realizar todos os dias algum esforço para conseguir ou para melhorar alguma virtude? Faço um exame do dia, antes de dormir, para ver como lutei, como tentei levar à prática as minhas resoluções, e programar uma retomada da luta para o dia seguinte?

3) Apesar das dificuldades que possam surgir, persevero nesse esforço de conquista e cultivo das virtudes humanas e cristãs, sem me cansar, sem desistir, sem desanimar, procurando apoio e forças em Deus – na oração, na Confissão, na Comunhão -, sabendo que Ele está sempre disposto a me ajudar, a lutar comigo?

Este é o caminho dos autênticos. Diria – ainda que seja redundância -, dos verdadeiros autênticos. Sem isso, a nossa liberdade não passa de teoria, de palavra vazia. E Deus nos chama para um grande ideal, não para uma “conversa fiada”.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

AS VIRTUDES HUMANAS

As virtudes humanas

As virtudes humanas: Duas definições entre outras:
- A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem.
- A virtude é um hábito operativo bom.
- O hábito operativo distingue-se do entitativo.
- A virtude distingue-se também do vício (hábito operativo mau).

Importância da virtude:
1. supõe no sujeito uma disposição consciente e eleita de praticar o bem;
2. é semelhante a uma “segunda natureza”: o homem tem mais facilidade para fazero bem;
3. facilita o exercício da liberdade;
4. impede que a pessoa se deixe levar pela espontaneidade, que por vezes a faz actuar como os animais;
5. ajuda a pessoa a adquirir a perfeição que lhe corresponde;
6. no virtuoso o pecado tem muito de fraqueza (não de malícia como no vicioso).

I“As virtudes humanas são atitudes firmes, disposiçõesestáveis, perfeições habituais do entendimento e davontade que regulam os nossos actos, ordenam as nossaspaixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé.Proporcionam facilidade, domínio e gozo para levar umavida moralmente boa. O homem virtuoso é o que praticalivremente o bem” Essas virtudes sãoadquiridas.

IIAs virtudes cardeais aparecem enumeradas assim:temperança, prudência, justiça e fortaleza. Chamam-secardeais porque são como o “cardo” ou eixo sobre o qualassenta o actuar moral.

1Prudência: “auriga virtutum” porque indica às outrasvirtudes a regra e a medida em que devem praticar-se.“A prudência é a virtude que dispõe arazão prática para discernir em qualquer circunstânciao nosso verdadeiro bem e a escolher os meios rectos parao levar a cabo”.=> facilita ao sujeito a aplicação aos actos concretos dosprincípios morais que hão-de reger a sua conduta.

2Justiça: é a constante e firme vontade de dar acada uno o que é seu.=> referida a Deus denomina-se “virtude da religião”,que não cumpre propriamente uma das característicasessenciais da justiça, a saber a equidade, porque acriatura não pode devolver a Deus o que d’Ele recebeu.=> referida aos homens contempla as relações doshomens na convivência, em ordem a alcançar obem comum.

3Fortaleza: é a virtude moral que, no meio das difi-cultades, assegura a firmeza e a constância nabusca do bem.•É una virtude em si mesma, mas além disso possibilitao exercício das outras virtudes (a prática virtuosa étarefa árdua e custosa).=> Não existe vida moral sem fortaleza.

4Temperança: “modera a atracção dos prazeres eprocura o equilíbrio no uso dos bens criados”A pessoa há-de ter um domínio dastendências que a inclinam ao mal.


As virtudes morais estão unidas entre si: se umacresce, também acontece o mesmo às outras; se umafalta, nenhuma outra é perfeita.2. Costuma-se dizer que “a virtude está no meio”. Mas“é um equívoco pensar que as expressões ‘termo médio’ou ‘justo meio’, como algo característico das virtudesmorais, significam mediocridade: algo assim comometade do que é possível realizar. Esse meio entre oexcesso e o defeito é um cume, um ponto alto: omelhor que a prudência indica.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Intro:As virtudes humanas/ A preguiça vs laboriosidade


O fim da educação das virtudes humanas è a felicidade. A sua posse e o seu uso são condição essencial para se levar uma vida boa e digna. Sem a presença e o uso das quatro virtudes cardinais não se pode aspirar a uma vida feliz.
O desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece.(Multatuli)

Para que servem os músculos, quando chegar a hora de haver um cancro nesses músculos? Para que serve, sozinha, a inteligência, se ela, como lhe compete, nos mostrar um caminho que, por não termos coragem nem força de vontade, somos incapazes de seguir? Que é feito da beleza quando se envelhece? Sem os valores humanos, sem as virtudes humanas, andamos pela rama. Teremos, apenas, aparências de homens, projectos humanos inacabados, fracassos existenciais comprováveis na hora da verdade.
Se somos fiéis à consciência, crescem as virtudes que, por sua vez, vão dominando as nossas fraquezas e dilata-se a capacidade de actuação da nossa consciência. Por sua vez, esse crescimento das virtudes, ajuda o bom funcionamento da consciência, aumentando a nossa liberdade interior.
A vida moderna ofereceu-nos muitas facilidades: simplificou certas tarefas. No entanto, no que diz respeito aos nossos comportamentos, carácter, virtudes - à nossa qualidade enquanto pessoas - tudo continua a passar-se como com os nossos antepassados. Continua a ser difícil ser-se honesto, trabalhador, bom marido, boa mãe; o amor e a amizade continuam a ser tarefas exigentíssimas
Virtudes humanas são hábitos operativos bons.

VIRTUDES: O QUE SÃO E COMO SE ADQUIREM?

Neste texto, vamos passar em revista as quatro virtudes cardinais: prudência, justiça, coragem e temperança.
A prudência é a virtude da boa deliberação. Sem ela, perdemo-nos com facilidade no complexo processo de tomada de decisões. Como sabemos, o processo de tomada de decisões compreende várias fases: contacto com o problema, compreensão do problema, cálculo racional sobre as opções, estratégias e consequências, deliberação e, por fim, passagem à acção. Em muitos casos, o sujeito não chega ao fim do processo, ou seja, não passa à acção. Há várias razões para isso: vontade fraca, ausência da virtude da coragem ou simplesmente adiamento da passagem à acção por efeito do cálculo racional. Outras vezes, o sujeito passa à acção mas age mal. Há várias explicações para isso: vontade deficiente, falta de informação e, portanto, incapacidade para compreender o problema, mau uso do cálculo racional ou, simplesmente, a posse de um mau carácter. O sujeito com um mau carácter age mal porque tem uma inclinação para apreciar as acções incorrectas. O hábito de praticar acções incorrectas reforça o mau carácter. Por outro lado, um sujeito que cresce e vive numa comunidade onde as virtudes não estão presentes ou não são apreciadas, tem mais probabilidades de desenvolver um mau carácter. Por vezes, acontece outra situação: o sujeito opta por não passar à acção. Pode acontecer que o sujeito, após a fase de cálculo racional, conclua que as consequências negativas previsíveis de uma determinada acção aconselhem a que a acção não seja tomada ou que a mesma seja adiada para melhor oportunidade. A prudência compreende várias qualidades e exige a presença de várias condições: respeito pela aprendizagem e pela realização intelectual; compreensão da natureza humana; respeito pela experiência de vida; análise das prioridades de vida; hábito de considerar as causas passadas e as implicações futuras dos acontecimentos presentes e das circunstâncias; habilidade para conhecer a verdade, a beleza e o bem; capacidade para distinguir entre a verdade e a mentira, o verdadeiro e o falso e o bem e o mal. A capacidade de distinguir constitui uma propriedade essencial na virtude da prudência. Mas distinguir o quê? Eis uma pequena lista de coisas importantes: distinguir os heróis das celebridades, a regra da lei das regras pessoais, a consciência dos sentimentos, as opiniões racionais dos sentimentos, o respeito por si mesmo do orgulho, o risco calculado da impulsividade, a competição honrada da ambição desmedida, a colaboração em equipa do individualismo egoísta…
A justiça é a virtude da responsabilidade e da equidade. No fundo, é ser capaz de dar a cada um aquilo que lhe pertence e aquilo que lhe é devido. A justiça compreende várias qualidades e exige a presença de várias condições: compreender e respeitar os direitos dos outros; hábito de cumprir as nossas obrigações; obrigação de procurar fazer o melhor que nos for possível; respeito pela autoridade legítima; saber viver com as consequências das nossas acções e erros; hábito de honrar as nossas promessas e compromissos; hábito de evitar a intromissão em assuntos alheios; dar aos outros o benefício da dúvida e respeitar o direito à presunção de inocência.
A coragem é a virtude da fortaleza. Ser corajoso exige que se aguente e pressupõe que se seja persistente. É ser capaz de reagir às adversidades e não desistir mesmo quando tudo parece perdido. Não é o mesmo que temeridade. A coragem pressupõe determinadas qualidades e exige a presença de algumas condições: habilidade para ultrapassar as dificuldades; hábito de ultrapassar o medo e a ansiedade através da acção correcta; confiança na capacidade para resolver problemas; determinação para ultrapassar as derrotas.
A temperança é a virtude do autodomínio. Exige ser capaz de escolher e de fazer nas proporções certas, evitando os excessos e os defeitos. Implica ser capaz de optar pelo justo meio. Pressupõe

determinadas qualidades e exige a presença de algumas condições: capacidade para dizer não quando é preciso dizer não; hábito de esperar pelas recompensas e de ser capaz de as merecer; capacidade para usufruir dos prazeres (comida, bebida e sexo) com moderação; ser capaz de pedir desculpa quando se comete um erro ou uma ofensa; hábito de usar as boas maneiras; capacidade para se preocupar com a dignidade e as necessidades dos que nos rodeiam.
As quatro virtudes cardinais são autênticas lições de vida. A sua posse e o seu uso são condição essencial para se levar uma vida boa e digna. Sem a presença e o uso das quatro virtudes cardinais não se pode aspirar a uma vida feliz.

Em primeiro lugar o exemplo: o exemplo de luta para se superar.(exemplaridade do líder)
A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita.(Mahatma Gandhi)A honra de uma pessoa é o reconhecimento de que essa pessoa é íntegra e digna de confiança. Não como consequência de uma campanha artificial, como agora se consegue através da publicidade e da propaganda, mas como resultado de um longo e constante esforço por ter um comportamento correcto

1. A PREGUIÇA vs A LABORIOSIDADE
Quando não estamos dispostos ao esforço necessário para nos tornarmos fortes, belos, sérios, credíveis, podemos chegar a parecê-lo. Mas isso de pouco nos adianta, porque a mentira é estéril, e tudo o que com ela se consegue é fugaz, é ar e vento. E dói por dentro com dor verdadeira.
A preguiça = “ a resistência ao esforço e ao sacrifício”
O preguiçoso:


-Mais do que o bem, move-o a vantagem.
-contetentar-se-á com despachar as tarefas e responsabilidades, sem se importar em deixá-las acabadas….dar um jeito.
-Nunca é por ter-se dado o sacrificado que um homem se esvazia, mas por ter-se poupado.
-A preguiça começa por não querer pensar por medo do sacrifício: pensar é muito perigoso.
-A máscara do cansaço: o cansaço é uma coisa muito especializada.
-Os desejos matam o preguiçoso: somente deseja e negligencia o presente.
-o prreguiçoso foge do trabalho como de um castigo, como um fardo,trabalha frivolamente, sem atenção nem esmero
-A vida é dura para quem é mole.

Antídoto: a laboriosidade
O laborioso:
Lema: faz o que deves e está no que fazes.
Aprende a espremer o seu tempo
Trabalha com todas as potencias, com os cinco sentidos.
(Ser laborioso não supõe simplesmente encher o tempo com atividades, mas realizar as ações bem. É fácil substituir a qualidade da ação pela quantidade de ações).

-(A laboriosidade se aplica não só ao trabalho profissional, mas também aos deveres para com a família, os amigos, os cidadãos, etc
- Reconheço que uma atividade de trabalho deve ser realizada com disciplina, deve custar um esforço e deve servir para algo.
(Isto é, não existe laboriosidade naquelas atividades que se realizam de acordo com o capricho do momento, que nunca custam esforço algum nem servem para a melhora própria ou alheia).- Empenho-me em realizar as ações próprias de minha condição sem buscar desculpas se o assunto sai mal.
(A laboriosidade supõe também responsabilidade e, em caso de erro, dar solução).
-Tento que todas minhas ações tenham um sentido autenticamente humano.
(De especial relevância são o conjunto de ações de tipo rotineiro que é necessário cumprir com freqüência. Trata-se de colocar originalidade nelas, ou pelo “estilo pessoal” com que as realizamos, ou pelo sentido que as damos).
- Faço todo o possível por evitar uma atitude de tristeza como conseqüência de dar-me conta do esforço que me vai custar cumprir com meus deveres adequadamente.
(Se alguém não cumpre o que deve por este motivo, significa que caiu no vício da preguiça).