quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A maturidade e o bem comum

A maturidade e o bem comum

Se sabemos valorizar tudo o que recebemos da comunidade humana onde temos as nossas raízes, surge o dever moral de gratidão.

Tanto mais que normalmente não é possível devolver o equivalente ao que recebemos. Só podemos apreciá-los e orientar o agradecimento no sentido de ajudar os que vêm atrás de nós.

Chegar à maturidade humana significa superar a mentalidade de criança, que sempre espera receber dos mais velhos, e adquirir consciência das responsabilidades próprias.

Chegar à idade adulta significa assumir os trabalhos que a manutenção da vida social traz consigo, isto é, preocupar-se dos outros. Isto significa contribuir para o bem comum.

O bem comum é um imenso conjunto de bens materiais e espirituais que formam o património de uma sociedade. Por exemplo, a geografia e as paisagens de um país, as águas e riquezas naturais, o seu nível de vida, capacidade de produção, infra-estruturas de transportes e comunicações, edifícios, sistema de educação e de saúde, património artístico, etc.

E ainda outras coisas menos visíveis, mas importantes, como a ordem pública, a eficiência e a honestidade das instituições, a moralidade pública e familiar, etc. Também faz parte do bem comum que este esteja bem repartido por todos os membros da sociedade.

Todos os membros da sociedade têm o direito de gozar dos bens comuns e os membros adultos têm o dever de contribuir para esse bem comum de acordo com as suas possibilidades. Além disso, os adultos têm de contribuir proporcionalmente com mais do que recebem, porque os outros mais débeis (crianças, anciãos, doentes) podem contribuir com menos. Não é uma injustiça, mas precisamente o contrário!

O modo normal de contribuir para o bem comum é desempenhar bem o trabalho que lhe corresponde, seja ele qual for. Depois, cuidar das pessoas que de nós dependem. E também ajudar a conservar e fazer crescer todos os bens, materiais e espirituais, que o constituem. Contribui-se par o bem comum promovendo ou sustentando associações culturais, desportivas, de assistência, etc. Quanto mais iniciativas deste género houver, mais rica é uma sociedade.

Há assim três planos distintos de desenvolver os talentos pessoais: 1) desenvolvendo os próprios talentos a nível pessoal; 2) através dos laços familiares e de amizade; 3) assumir com entusiasmo as tarefas relativas ao bem comum da sociedade.


O homem deve cuidar e servir-se das coisas criadas por Deus. O homem é unicamente administrador, e prestará contas.

Mentalidade criada pela revolução industrial: avidez sem medida e considerar a natureza como "propriedade de ninguém". Dois graves inconvenientes: 1) muitos dos recursos são limitados; 2) os meios poderosíssimos que hoje dispomos para explorar a natureza.

As coisas têm uma dignidade (reflexo da beleza, da bondade e do poder de Deus) e a nossa inteligência diz-nos que temos a obrigação de respeitá-la: 1) evitar destruí-la; 2) não desperdiçar os recursos; 3) minorar os efeitos destrutivos da acção do homem ou da própria natureza; 4) acrescentar a beleza da criação.

Superar o consumismo, desenvolvendo um estilo de vida sóbrio: 1) não desejar coisas supérfluas ou desnecessárias; 2) procurar que durem as coisas; diminuir a produção do "lixo".


Entre iguais

Os outros são nossos iguais: são diferentes em muitos aspectos, mas são seres humanos como nós, todos temos os mesmos direitos (é a base da justiça).

Mas também há o preceito de que os "amemos como a nós mesmos". É uma opção. Também podíamos pensar que "somos concorrentes", pois gostamos dos mesmos bens que muitas vezes são escassos. Seria a lei da selva, a lei do mais forte. Como com os ratos: os mais fortes comem primeiro e os outros comem o que podem.

Neste caso, para que os homens não se destruam uns aos outros, estabelecem-se umas regras, umas normas legais, uns direitos fundamentais, e cria-se uma autoridade que corrija os abusos. Esta é a função que se costuma atribuir ao Estado. Assim acontece nas sociedades desenvolvidas.

Mas a "lei da selva" não se pode corrigir à força das leis e da repressão. A caridade não se impõe por decreto. É uma questão moral, que pertence ao exercício da liberdade de cada um. O preceito moral vai muito além do mero respeitar o quadro legal.

Quando se fala do próximo, não basta o respeito, pede-se amor, que é o único modo de respeitar o homem. Amor significa doação, querer o bem do outro, disposição de dar o bem ao outro, dar-se ao outro.

E devemos amá-los porque são homens, não porque sejam altos ou baixos, pobres ou ricos, etc. e portanto, é preciso amar especialmente aqueles que, por alguma razão, são menos amáveis: importunos, fracos, doentes, necessitados, até os perversos.

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