A Ética no contexto empresarial
A ética empresarial poderá ser definida genericamente como o ramo da ética que “se relaciona com a categorização valorativa1dos comportamentos, decisões ou acções dos indivíduos que trabalham nas organizações”.Ético será, na mesma definição, todo o “comportamento, decisão ou acção que esteja alinhado com as normas ou padrões da sociedade em que se insere”(Carroll, 1989)
Para Walton, a ética empresarial distingue-se pela inclusão nos critérios valorativos das acções, de aspectos como as expectativas sociais, o tipo ou estilo de competição empresarial, os conteúdos das mensagens publicitárias, o nível de responsabilidade social da empresa, a importância dada ao consumidor ou o estilo de comunicação com o exterior (Walton, 1977). Mercier, por seu lado, defende ser a ética uma disciplina transversal à humanidade que, por isso mesmo, também poderá ser enquadrada em termos da empresa, tocando todos os domínios da gestão (Mercier, 2003).
Esta reflexão é paradigmática da posição que defende a existência de uma ética dos negócios e da empresa, fenómeno indissociável da condição moral do Homem e deste como principal agente das organizações: se o ser humano é portador histórico de um conceito e de uma prática moral, essa sua prática estender-se-á às suas obras e manifestações, entre as quais as empresas. Em cenário empresarial, a moral de um só indivíduo será transformada em possibilidade individual de comportamento ético; da conjugação de todos os indivíduos, em interacção com o contexto da organização, resultará a possibilidade empresarial de comportamento ético.
Havendo a aceitação de uma ética empresarial, cumpre identificar os diferentes estados éticos existentes no panorama empresarial. Partindo do modelo de desenvolvimento moral, construído por Lawrence Kohlberg, Reidenbach e Robin (1991) estabeleceram cinco níveis na escala de desenvolvimento ético de uma empresa:
Empresa Amoral – não existe qualquer tipo de preocupação ética, estabelecendo-se o limite da acção conforme os custos das diferentes opções;
Empresa Legalista – as preocupações a nível ético já são existentes, contudo limitadas à observação da lei;
Empresa Responsável – alguma preocupação ética, reflectida na adopção de práticas externas como o mecenato cultural, social e ambiental ou de políticas internas como a construção de creches ou a atribuição de horários especiais para apoio social;
Empresa Eticamente Emergente – consciencialização da importância da ética nos negócios e adopção de uma postura ética em termos operacionais, o que é geralmente traduzido pela sua formalização em códigos ou manuais de procedimentos éticos;
Empresa Eticamente Desenvolvida – a ética é adoptada como a única forma de estar e agir no mundo empresarial, sendo a actividade das empresa neste nível totalmente regida por princípios éticos.
Os dois últimos níveis revelam uma maior maturidade ética e implicam uma aceitação do problema ético como um fenómeno que transcende o plano pessoal, estendendo-se até ao plano internacional: os indivíduos nestas organizações agem de acordo com padrões éticos a nível pessoal, transportando esses hábitos para o nível organizacional ao mesmo tempo que procuram impor regras de comportamento ético também ao nível da indústria, conjugando adicionalmente as suas acções corporativas com os interesses da sociedade em geral e com os padrões éticos por si adoptados, independentemente da cultura e dos hábitos dos interlocutores, no caso internacional (Carroll, 1978).
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