sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA LOGOTERAPIA


CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA LOGOTERAPIA







I) Conceitos Fundamentais

A definição de logoterapia, segundo Viktor Frankl, vem do seu próprio nome. Logos significa em grego "sentido". Portanto logoterapia significa "cuidar do sentido". Sentido como significado, meta ou finalidade, sendo esta a principal força motivadora no ser humano. Assim, a logoterapia se baseia no confronto do paciente com o sentido de sua vida e o reorienta para o mesmo.

Nossas projeções das dimensões biológicas, psicológicas e sociais se expressam em uma dimensão espiritual que se totaliza na nossa existência. Essa dimensão, na logoterapia, também é chamada de "noética". É somente nessa dimensão que o indivíduo pode sair de suas condicionalidades e visualizar o seu sentido.

A Vontade de Sentido

A busca do da pessoa por um sentido é a motivação primária em sua vida. Esta busca não é algo aprendido, condicionado ou objeto de sua consciência. Ela está na pessoa como mola impulsionadora de sua existência. O sentido é único e específico para cada um e deve ser vivido somente por aquele indivíduo.

Os seus princípios morais nada mais são do que a concretização da sua decisão de aceitar e seguir o sentido que os contém.

Frustração Existencial e Neuroses Noogênicas

Existem pessoas que ainda não encontraram o sentido em suas vidas porque não conseguiram ser autores de suas próprias decisões, assumindo o sentido de outras pessoas ou deixando que elas definam qual o sentido para as suas vidas. Existem também as que tiveram a sua vontade de sentido frustrada. Elas são afligidas por um estado que se chama "frustação existencial".

Esta frustação pode culminar em uma espécie de neurose. Para esse tipo de neuroses Viktor Frankl criou o termo "neurose noogênica".

As neuroses noogênicas ou noógenas são sempre de cunho espiritual e se baseiam em conflitos da sua existencia onde as frustações existenciais desempenham um papel central.

Noodinâmica

A noodinâmica é a tensão interna existente entre o que uma pessoa é e aquilo que ela deveria ser de acordo com a sua realidade, seus valores e o seu sentido de vida. A logoterapia afirma que o "estado noodinâmico" ou o estado entre aquilo que se é e aquilo que se deveria ser, é o mais adequado à normalidade do homem.

Neste sentido, quando o indivíduo se encontra em uma situação adversa e estabelece uma meta para sair de onde está, o estado normal de tensão noodinâmica o equilibra e o auxilia para que ele supere os seus obstáculos, desde que aceite o desafio de seguir em frente sem o receio do fracasso.

Vazio Existencial

O vazio existencial se verifica quando as pessoas não encontraram o sentido para as suas vidas. Este vazio se manifesta principalmente num estado de tédio. Quando as pessoas se deixam dominar pela rotina do dia a dia, quando se alimentam intelectualmente pela multidão de informações superficiais que a mídia nos empurra diariamente e quando não dispomos de tempo para o lazer mental não nos apercebemos que necessitamos de um sentido para viver.

A bovinidade do vazio existencial transparece sob as mais diversas máscaras como forma compensadora: o conformismo, a submissão e as obcessões por poder, dinheiro ou sexo.

O Sentido da Vida

Como já está exposto aqui antes, o sentido da vida é único e caracteristico de cada pessoa. As pecularidades de cada indivíduo e as particularidades da vida de cada um, principalmente de seus valores, é que vão definir o sentido da vida. Segundo Viktor Frankl, "não é o que a vida pode lhe proporcionar, mas o que você pode fazer pela vida", ou seja, temos a responsabilidade de encontrar em si o que dar à vida. De acordo com a logoterapia podemos verficar que o sentido da vida se dá em três diferentes formas:

criando ou trabalhando ou praticando um ato;
experimentando algo ou encontrando alguém; e
pela atitude que tomamos em relação ao sofrimento inevitável.
A Essência da Existência

A logoterapia afirma que o fim da vida não é a auto-realização, mas a autotranscendência. Porque quanto mais se tenta chegar a esta mais à auto-realização, mais distante esta se torna. A auto-realização não é um fim em si mesma, mas um caminho a ser trilhado em direção ao sentido a realizar ou a outro ser humano a encontrar. Ou seja, a auto-realização é conseqüência da autotranscendência.

O Sentido do Amor

O encontro com o outro somente se dá quando temos abertura para aceitá-lo da meneira que ele realmente é. Ninguém consegue ter plena abertura para conhecer outro ser humano se não amá-lo. Além disso somente o amor o torna capaz de conscientizar o ser amado daquilo que ela pode e deveria vir a ser.

O Sentido do Sofrimento

Durante a nossa vida nos encontramos em situações nos quais o sofrimento é inevitável, em que não há mais esperança ou diante de uma fatalidade que não pode ser mudada. Quando o absurdo do mundo nos atinge e já não somos mais capazes de alterar a situação, tomamos consciência que só nos resta mudar a nós mesmos, enfrentando o sofrimento com dignidade e coragem.

O Supra-Sentido

Segundo a logoterapia a vida tem um supra-sentido que excede e ultrapassa toda e qualquer compreensão intelectual do ser humano. Esse supra-sentido pode ser bem exemplificado na fé religiosa, onde as pessoas confiam naquilo que não veem ou compreendem e esperam por um futuro do qual não tem provas que possa existir. Esse princípio, muitas vezes, impulsionam e dão forças às pessoas para superar as adversidades.

A Transitoriedade da Vida

A nossa finitude, principalmente a iminente, tende a tirar o nosso sentido da vida. Para superar o sentimento de transitoriedade a logoterapia valoriza a historicidade manifesta no passado do indivíduo. Tudo o que ele viveu e foi não se separam dele, pelo contrário, fazem parte e preenchem a sua vida. Então, se a pessoa perceber que não perdeu nada do que passou, que conseguiu viver toda a sua vida com plenitude, mesmo diante de grandes adversidades, ele estará estruturando a sua personalidade para que ao envelhecer sinta orgulho de si próprio.



II) Técnicas Logoterápicas

Na logoterapia o indivíduo somente consegue enxergar as suas frustações e neuroses quando ele se distancia da situação em que está inserido, e sair da angústia do vazio existêncial a partir da autotranscendência. As técnicas logoterápicas se baseiam na decisão racional de antagonizar com o seu condicionamento psiconoético.



a ) Intenção Paradoxal

Esta técnica baseia-se no fato de que o medo produz aquilo que temos medo, ou seja, a ansiedade antecipatória. Na intensão paradoxal o psicoterapêuta induz o paciente que sofre de fobia a intencionar precisamente aquilo que teme, mesmo que seja somente por breves instantes. Com a inversão da atitude do paciente o seu temor é substituído pelo "desejo paradoxal", diminuindo-se a ansiedade gerada em torno da situação. Dessa maneira o indivíduo está capacitado a colocar-se numa posição distanciada de sua própria neurose.

b) Desreflexão

Já a desreflexão se baseia no fato de que a intensão excessiva impossibilita aquilo que desejamos. Isso acontece por que nosso foco de atenção geralmente se volta para a tarefa que vamos realizar e não para o objetivo em si. Podemos tomar como exemplo os distúrbios do sono. O medo da insônia e, consequentemente, não poder descansar numa boa noite de sono resulta numa hiper-intensão de pegar no sono, o que, por conseguinte, impede o indivíduo de consegui-lo. Uma vez que a pessoa consegue refocar a sua intensão e atenção no ato do prazer de descansar com uma noite de sono e não no ato de dormir para poder consegui-lo, este acontece.

positivo João Correia e Jõao Gonçalves

posivivo a Gonzalo Rocha y Antonio Santos(TGEIO07)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bernard Nathanson:Quando a "Mão de Deus" alcançou o "Rei do aborto"


Bernard Nathanson:
Quando a "Mão de Deus" alcançou o "Rei do aborto"


O quê pode levar um poderoso e reconhecido médico abortista a converter-se em um forte defensor da vida e abraçar os ensinamentos de Jesus Cristo?
Pode que tenha sido o peso de sua consciência pela morte de 60 mil nascituros ou talvez as muitas orações de todos aqueles que rogaram incessantemente por sua conversão?
Segundo Bernard Nathanson, o famoso "rei do aborto", sua conversão ao catolicismo resultaria inconcebível sem as orações que muitas pessoas elevaram a Deus pedindo por ele. "Estou totalmente convencido de que as suas preces foram escutadas por Ele", indicou emocionado Nathanson no dia em que o Arcebispo de Nova York, o falecido Cardeal O'Connor, o batizou.
Filho de um prestigioso médico especializado em ginecologia, o Dr. Joey Nathanson, a quem o ambiente cético e liberal da universidade o fe abdicar da sua fé, Nathanson cresceu em um lar sem fé e sem amor, onde imperava muita malícia, conflitos e ódio.
Profissional e pessoalmente Bernard Nathanson seguiu durante uma boa parte de sua vida os passos do seu pai. Estudou medicina na Universidade de McGill (Montreal), e em 1945 começou a namorar Ruth, uma jovem e bela judia com quem realizou planos de matrimônio. Porém a jovem ficou grávida e quando Bernard escreveu para o seu pai consultando-lhe sobre a possibilidade de contrair matrimônio, este lhe enviou cinco notas de 100 dólares junto com a recomendação de que escolhesse entre abortar ou ir aos Estados Unidos para casar-se, pondo em risco sua brilhante carreira como médico que o aguardava.
Bernard priorizou sua carreira e convenceu a Ruth que abortasse. Ele não a acompanhou à intervenção abortiva e Ruth voltou à sua casa sozinha, em um táxi, com uma forte hemorragia, a ponto de perder a vida. Ao recuperar-se -quase milagrosamente- ambos terminaram sua relação. "Este foi o primeiro dos meus 75.000 encontros com o aborto, me serviu de excursão inicial ao satânico mundo do aborto", confessou o Dr. Nathanson.
Após graduar-se, Bernard iniciou sua residência em um hospital judeu.
Depois passou ao Hospital de Mulheres de Nova York onde sofreu pessoalmente a violência do anti-semitismo, e entrou em contato com o mundo do aborto clandestino. Nesta época já havia se casado com uma jovem judia, tão superficial quanto ele, como confessaria, com a qual permeneceu unido cerca de quatro anos e meio. Nestas circunstâncias Nathanson conheceu Larry Lader, um médico a quem só lhe obsessionava a idéia de conseguir que a lei permitisse o aborto livre e barato. Para isso fundou, em 1969, a "Liga de Ação Nacional pelo Direito ao Aborto", uma associação que tentava culpar a Igreja por cada morte ocorrida nos abortos clandestinos.
Mas foi em 1971 quando Nathanson se envolveu diretamente com a prática de abortos. As primeiras clínicas abortistas de Nova York começavam a explorar o negócio da morte programada, e em muitos casos seu pessoal carecia da licença do Estado ou de garantias mínimas de segurança. Como foi o caso da que dirigia o Dr. Harvey. As autoridades estavam a ponto de fechar esta clínica quando alguém sugeriu que Nathanson poderia encarregarse da sua direção e funcionamento. Ocorria o parodoxo incrível de que, enquanto esteve diante daquela clínica, naquele lugar havia um setor de obstetricia: isto é, se atendiam partos normais ao mesmo tempo que se praticava abortos.
Por outro lado, Nathanson realizava uma intensa atividade, dando conferências, celebrando encontros com políticos e governantes, pressionando-lhes para que fosse ampliada a lei do aborto.
"Estava muito ocupado. Quase não via a minha família. Tinha um filho de poucos anos e uma mulher, mas quase nunca estava em casa. Lamento amargamente estes anos, por mais que seja só por ter fracassado em ver meu filho crescer. Também era um segregado na profissão médica. Era conhecido como o rei do aborto", afirmou.
Durante este período, Nathandon realizou mais de 60.000 abortos, mas no fim do ano de 1972, esgotado, dimitiu do seu cargo na clínica.
"Abortei os filhos não nascidos dos meus amigos, colegas, conhecidos e inclusive professores. Cheguei ainda a abortar meu próprio filho", chorou amargamente o médico, que explicou que por volta da metade da década de 60 engravidou a uma mulher que gostava muito dele (...) Ela queria seguir adiante com a gravidez mas ele se negou. Já que eu era um dos especialistas no tema, eu mesmo realizaria o aborto, expliquei. E assim procedi.", precisou.
Entretanto a partir deste acontecimento as coisas começaram a mudar. Deixou a clínica abortista e possou a ser chefe de obstetricia do Hospital St. Luke's. A nova tecnologia, o ultrasom, começava a aparecer no ambiente médico. No dia em que Nathanson pôde observar o coração do feto nos monitores eletrônicos, começou a perguntar-se "quê estamos fazendo verdadeiramente na clínica".
Decidiu reconhecer o seu erro. Na revista médica The New England Journal of Medicine, escreveu um artigo sobre sua experiência com os ultrasonografias, recohecendo que no feto existia vida humana. Incluia declarações como a seguinte: "o aborto deve ser visto como a interrupção de um processo que de outro modo teria produzido um cidadão no mundo. Negar esta realidade é o tipo mais grosseiro de evasão moral".
Aquele artigo provocou uma forte reação. Nathanson e sua família receberam inclusive ameaças de morte, porém a evidência de que não podia continuar praticando abortos se impôs. Tinha chegado à conclusão que não havia nenhuma razão para abortar: o aborto é um crime.
Pouco tempo depois, uma nova experiência com as ultrasonografias serviu de material para um documentario que encheu de admiração e horror ao mundo. Era titulado "O grito silencioso", e sucedeu em 1984 quando Nathanson pediu a um amigo seu - que praticava entre 15 a 20 abortos por dia- que colocasse um aparelho de ultrasom sobre a mãe, gravando a intervenção.
"Assim o fez -explica Nathanson- e, quando viu a gravação comigo, ficou tão afetado que nunca mais voltou a realizar um aborto. As gravações eram assombrosas, por mais que não eram de boa qualidade. Selecionei a melhor e comecei a projetá-la nos meus encontros pró-vida por todo o país".
Retorno do filho pródigo
Nathanson tinha abandonado sua antiga profissão de "carniceiro humano" mas ainda estava pendente o seu caminho de volta a Deus. Uma primeira ajuda veio de seu admirado professor universitário, o psiquiatra Karl Stern.
"Transmitia uma serenidade e uma segurança indefiníveis. Nessa época não sabia que em 1943, após longos anos de meditação, leitura e estudo, tinha se convertido ao catolicismo. Stern possuia um segredo que eu tinha buscado toda a minha vida: o segredo da paz de Cristo".
O movimento prá-vida lhe havia proporcionado o primeiro testemunho vivo da fé e do amor de Deus. Em 1989 esteve em uma ação de Operação Resgate nos arredores de uma clínica. O ambiente dos que lá se manifestavam pacíficamente a favor da vida dos nascituros lhe havia comovido: estavam serenos, contentes, cantavam, rezavam... Os mesmos meios de comunicação que cobriam o evento e os policiais que vigilavam, estavam assombrados pela atitude destas pessoas. Nathanson ficou cativado "e, pela primeira vez em toda minha vida de adulto comecei a considerar seriamente a noção de Deus, um Deus que tinha permitido que eu andasse por todos os proverbiais circuitos do inferno, para ensinar-me o caminho da redenção e da misericódia através da sua graça".
"Durante dez anos passei por um período de transição. Senti que o peso dos meus abortos se fazia mais grave e persistente pois me despertava cada dia às 4 ou 5 da manhã, olhando a escuridão e esperando (mas sem rezar ainda) que se iluminasse um letreiro declarando-me inocente ante um juri invísivel", indica Nathanson.
Logo, o médico acaba lendo "As Confissões", de Santo Agostinho, livro que qualificou como "alimento de primeira necessidade", convertendo-se em seu livro mais lido já que Santo Agostinho "falava do modo mais completo de meu tormento existencial; porém eu não tinha uma Santa Mônica que me ensinasse o caminho e estava acusado por uma negra desesperança que não diminuia".
Nesta situação não faltou a tentação do suicídio, mas, afortunadamente, decidiu buscar uma solução diferente. Os remédios tentados falhavam: álcool, tranquilizantes, livros de auto-estima, conselheiros, até chegar a psicanálise, onde permaneceu por 4 anos.
O espírito que animava aquela manifestação pró-vida endereçou a sua busca. Começou a conversar periódicamente com Padre John McCloskey; não lhe resultava fácil crer, mas pelo contrário, permanecer no agnosticismo, levava ao abismo. Progressivamente se descobria a si mesmo acompanhado de alguém que se importava por cada um dos segundos da sua existência. "Já não estou sozinho. Meu destino foi dar voltas pelo mundo à busca deste Alguém sem o qual estou condenado, porém a que agora me agarro desesperadamente, tentando não soltar-me da orla do seu manto".
Finalmente, no dia 9 de dezembro de 1996, às 7:30 de uma segunda feira, solenidade da Imaculada Conceição, na cripta da Catedral de São Patrício de Nova York, o Dr. Nathanson se convertia em filho de Deus. Entrava a formar parte do Corpo Místico de Cristo, sua Igreja. O Cardeal O 'Connor lhe administrou os sacramentos do Batismo, Confiirmação e Eucaristia.
Um testemunho expressa assim este momento: "Esta semana experimentei com uma evidência poderosa e fresca que o Salvador que nasceu há 2.000 anos em um estábulo continua transformando o mundo. Na segunda-feira passado fui convidado a um Batismo. (...) Observei como Nathanson caminhava até o altar. Que momento! Tal qual no primeiro século... um judeu convertido caminhando nas catacumbas para encontrar a Cristo. E sua madrinha era Joan Andrews. As ironias abundam. Joan é uma das mais destacadas e conhecidas defensoras do movimento pró-vida... A cena me queimava por dentro, porque justo em cima do Cardeal O 'Connor havia uma Cruz... Olhei para a Cruz e me percatei de que o que o Evangelho ensina é a verdade: a vitória está em Cristo".
As palavras de Bernard Nathanson no fim da cerimônia, foram curtas e diretas. "Não posso dizer como estou agradecido nem a dívida tão impagável que tenho com todos aqueles que rezaram por mim durante todos os anos nos quais me proclamava públicamente ateu. Rezaram teimosa e amorosamente por mim. Estou totalmente convencido de que suas orações foram escutadas. Conseguiram lágrimas para meus olhos".