quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Prudência

Descrição operativa (como funciona)
“Em seu trabalho e nas relações com os demais, recolhe uma informação que julga de acordo com critérios justos e verdadeiros, exaltar as conseqüências favoráveis ou desfavoráveis para ele e para os demais, antes de tomar uma decisão, e a seguir atua ou deixa de atuar, de acordo com o decidido”.
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A PRUDÊNCIA
1. Tenho boa memória no sentido de que recordo as coisas tal como ocorreram, e faço uso desta informação para compreender melhor as situações atuais?
(Em grande medida a prudência se baseia na memória, já que se não recordo nada do que ocorreu, do que estudei, ou do que observei, por exemplo, como poderei ter uma base para julgar uma situação presente? Talvez se devesse prestar mais atenção ao desenvolvimento da memória nos colégios).
2. Habitualmente consigo superar o desejo de não sofrer com o fim de conhecer as situações difíceis?
(Outro motivo de esconder-se da realidade é a preguiça).
3. Estudo regularmente com o fim saber mais com respeito às realidades que me incumbem como pai, mãe ou professor?
(Podemos dispor de muita informação como conseqüência do estudo. Entretanto, também é necessário desenvolver uma “sensibilidade situacional” que poderíamos chamar intuição).
4. Desenvolvo minha capacidade de observação, com o fim de conhecer melhor a vida dos diferentes membros da família ou membros do colégio?
(Também é necessário criar as situações adequadas para poder escutar aos demais).
5. Sei distinguir entre o que é importante e o que é secundário na família ou no colégio?
(De fato, qualquer coisa importante significa qualquer coisa que pode influir de uma maneira significativa, positiva ou negativamente, nos valores familiares ou nos valores do colégio).
6. Comprovo a confiabilidade de minhas fontes de informação antes de aceitar a informação dada, e tento informar-me através de diferentes fontes com o fim de ter uma visão mais objetiva da realidade quando o tema é importante?
(Não é fácil ter uma visão objetiva com respeito à realidade, especialmente em situações inesperadas).
7. Tento conhecer meus próprios preconceitos e luto contra eles?
(Os preconceitos produzem uma informação errada, incompleta. Por exemplo, pode ser que escutemos unicamente àquelas pessoas que nos são simpáticas, ou temos um ponto de vista fechado com respeito à capacidade de um jovem para contribuir com uma opinião interessante em algum tema).
8. Reflito sobre que critérios devo utilizar para julgar cada situação?
(É fácil tomar decisões, ou simplesmente reagir, baseado em critérios inadequados ou incompletos. Por exemplo, decidir enviar um filho a estudar em um país estrangeiro unicamente baseado no critério de eficácia - que convém que saiba o idioma correspondente -. Em troca, um bom educador levaria em conta também critérios como: o bem do filho, seu grau de maturidade, o tipo de lugar onde vai estar, etc.).
9. Habitualmente tomo a decisão que se relaciona mais com o bem do jovem ainda que me produza dor ou sofrimento?
(De fato é possível não decidir bem, pensando no sofrimento que a ação pode causar ao filho/aluno. Entretanto, se indagamos um pouco, veremos que o mais freqüente é que não queremos que os filhos/alunos sofram porque assim sofremos nós também).
10. Habitualmente consigo ver o conjunto da situação com um golpe de vista seguro?
(Algumas pessoas são tão analíticas que se perdem entre os detalhes de uma situação. Não captam o essencial e terminam decidindo mal).

A EDUCAÇÃO DA PRUDÊNCIA
11. Ocupo-me da compreensão leitora de meus filhos/alunos?
(A leitura é um instrumento necessário para adquirirmos informação. E a compreensão leitora pode e deve ser favorecida pelos pais e por todos os professores independentemente de sua disciplina).
12. Ajudo às crianças a desenvolver sua capacidade de observação?
(A observação é especialmente relevante para inteirar-se de situações de relação humana. Há jogos simples que se pode usar com o fim de desenvolver esta capacidade).
13. Crio situações em que as crianças têm que aprender a escutar?
(Se recebe muita informação escutando aos demais. De especial relevância será escutar aos pais e escutar aos professores quando as crianças são pequenas).
14. A partir da adolescência, ajudo aos jovens a distinguir entre fatos e opinIões, entre o que é importante e o que é secundário?
(A prudência é, sobretudo, uma virtude intelectual. Requer a capacidade crítica que inclui estes tipos de habilidades).
15. Ajudo aos jovens a descobrir seus próprios preconceitos com o fim de que tenham uma visão mais objetiva de sua realidade?
(É especialmente difícil na adolescência já que tendem a ser pessoas sem matiz, que não sabem dizer “em parte sim e em parte não” ou “é possível...”).
16. Ajudo aos jovens a reconhecer a diferença entre fontes de informação confiáveis e outras que não o são, ou que o são unicamente em parte?
(Isto é o mesmo que lhes ensinar a reconhecer aqueles que são autoridades em cada questão).
17. Insisto em que meus filhos/alunos apurem uma informação bastante completa sobre temas de importância antes de tomar uma postura ou uma decisão?
(O mais freqüente é tomar uma postura baseados em uma informação muito pobre, baseando-se em “slogans” ou frases feitas, muitas vezes recolhidas da tevê ou da imprensa).
18. Exijo aos jovens para que memorizem informações significativas?
(Os jovens necessitam e devem memorizar determinadas informações. Se não o fazem, jamais serão prudentes em suas vidas, já que lhes influirão muito os sentimentos do momento presente).
19. Ao surgir a necessidade de tomar uma postura ou uma decisão, ajudo aos jovens a pensar em que critérios vão utilizar e a seguir aplicá-los no processo de julgamento?
(Com muita freqüência os jovens reagem frente às situações. Não se informam bem nem pensam nos critérios que devem operar).
20. Habitualmente insisto em que os jovens atuem em conformidade com as decisões que tenham tomado, depois de considerar as possíveis conseqüências para eles e para os demais?
(O processo intelectual necessita ser culminado pela ação. A prudência não é recusar a ação, mas fazer o que é mais adequado).

A perseverança

Descrição operativa (como funciona)
Para quem tem essa virtude, uma vez tomada uma decisão, realiza as atividades necessárias para alcançar o que foi decidido, mesmo que surjam dificuldades internas ou externas, ou que diminua a motivação pessoal através do tempo transcorrido.
A EDUCAÇÃO DA PERSEVERANÇA
1. Ao concretizar metas de melhora para os filhos/alunos, exijo perseverantemente até conseguir os resultados desejados. (Seguramente um dos maiores problemas para os educadores é o de ser perseverante na exigência dos educandos).
2. Exijo aos meninos/as primeiro naquelas coisas em que lhes é mais fácil cumprir. (Convém começar pedindo perseverança naquelas coisas que custam menos esforço, possivelmente relacionadas com algum interesse da criança ou com alguma capacidade que tem desenvolvida).
3. Seleciono bem os objetivos que quero conseguir na educação, de tal maneira que posso prestar-lhes a atenção adequada. (Se se estabelecem muitas metas, o educador termina exigindo pouco em muitas coisas, e assim não se conseguem resultados).
4. Exijo em condutas que são adequadas para a idade do menino/a. (Com as crianças pequenas se pode exigir para que cumpram uma promessa, para que acabem a comida, para que terminem uma corrida ou para que subam a montanha até alcançar o topo. Com os maiores se tratará de exigir-lhes para que pensem antes de tomar suas próprias decisões. Isto é, haverá que exigir-lhes muito menos nas condutas).
5. Distingo claramente que tipo de ajuda devo prestar aos jovens para que sejam perseverantes em cada ação. (Segundo a situação se tratará de mandar o que há que fazer, obrigar-lhes a pensar para que decidam eles ou simplesmente deixar fazer sem intervir).
6. Introduzo objetivos claros na vida dos filhos/alunos para que se acostumem a esforçar-se na perseverança. (Estes objetivos podem estar relacionados com alguma virtude concreta; serem ações que se deve desenvolver regularmente - recolher a roupa do banheiro, manter o quarto ordenado, etc. - ou estar relacionados com uma pessoa - a atenção a um avô ou a um irmão pequeno por um período de tempo -).
7. Ajudo aos jovens a prever problemas que podem surgir em seus planos e a quem convém recorrer para pedir a ajuda adequada. (Se sabem quais são os possíveis problemas, podem prever possíveis maneiras de superá-los. Por exemplo, um jovem pode pensar em aproveitar as férias para estudar sem ter em conta a dinâmica real deste período de férias. Também necessita saber a quem recorrer quando surgem dificuldades, a um amigo, ao professor, ou a outro conhecido por exemplo).
8. Ajudo aos jovens a selecionar as metas que proponham para que estejem adequadamente relacionadas com suas capacidades reais. (Os adolescentes tendem a ser pouco realistas e necessitam deste tipo de ajuda).
9. Ajudo aos meninos/as para que se proponham metas que não estejam muito distantes no tempo. (Pode-se animar os filhos/alunos a se proporem metas mais distantes ou menos distantes, de acordo com sua idade e com suas características pessoais. Em todos os casos convirá dividir a meta em partes).
10. Raciocino com os jovens para que descubram a importância do que estão propondo e para que compreendam a necessidade do esforço. (Parece que custa cada vez mais conseguir que os jovens sejam perseverantes. A sociedade do bem estar e comodismo em que vivemos se contrapõe à necessidade de perseverança no esforço. É necessário que os jovens compreendam o porquê do esforço que lhes estamos solicitando).
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A PERSEVERANÇA
11. Me proponho metas interessantes para o futuro.(A perseverança não é necessária se não se propõem metas. A melhora pessoal e a educação requerem estabelecer metas importantes algo distantes no tempo).
12. Divido essas grandes metas em uma série de "etapas" com a finalidade de saber que estou progredindo para a meta proposta. (A experiência mostra que é necessário marcar pontos concretos de melhora, mais próximos que a meta final, principalmente para que sigamos a motivação e para que superaremos o desânimo).
13. Quando me proponho metas para o futuro, prevejo possíveis problemas, com o fim de ter previsto sistemas para superá-los quando aparecerem. (A previsão também é parte da virtude da perseverança. Os problemas imprevistos sempre são mais difíceis de superar que os que levamos em conta ao estabelecer o projeto).
14. Coloco os meios para obter o desejado, mas reconheço também quando convém desistir. (Não é sempre um fracasso deixar de buscar uma meta. Se alguém se dá conta de que se equivocou no estabelecimento de uma meta, ou que realmente não existem meios para alcançá-la, e continuasse empenhando-se no esforço, não seria perseverança. Seria teimosia).
15. Uma vez que decidi alcançar uma meta, uso minha vontade para colocar os meios para alcançá-la. (Há pessoas que estabelecem muitas metas, mas que desistem depois de um momento de entusiasmo inicial. Mudam de empenho de acordo com o capricho do momento).
16. Peço a ajuda adequada no momento oportuno para continuar até o fim. (Normalmente não se pode seguir uma meta importante sem a ajuda de outros e especialmente no momento de desânimo, que costuma chegar depois de um período inicial de entusiasmo). 17. Reflito regularmente sobre o sentido de meus esforços habituais com o fim de assegurar que o esforço não está sendo realizado sem sentido, baseado numa rotina vazia.(Convém ver em que grau os esforços habituais têm sentido. Alguns servirão, mas outros já haverão perdido seu sentido. Por exemplo, na adolescência seguramente será mais importante insistir que os filhos pensem antes de tomar suas decisões do que insistir para que arrumem seus dormitórios).
18. Quando estabeleço alguma meta nova que é objetivamente importante, procuro algo que me ocupa tempo na atualidade, mas que não é tão importante, com o fim de deixar de fazê-lo e, assim, ganhar este tempo para o novo projeto. (As pessoas que pretendem ser perseverantes já terão seu tempo muito ocupado e não é possível seguir somando uma tarefa encima da outra, um esforço encima de outro esforço. Por isso, há que pensar no que vai deixar de fazer para a seguir poder dedicar esse tempo ao novo projeto. Por exemplo, se poderia deixar de ler o jornal diário ou ver as notícias na tevê com o fim de estudar).
19. Aproveito os Sacramentos regularmente com o fim de ser perseverante em minha vida de fé. (A vida de fé também necessita da perseverança e desde cedo é necessário ajuda para crescer como filho responsável de Deus).
20. Peço ajuda a Deus incessantemente para cumprir bem pessoalmente e para que os que dependem de mim façam o mesmo. (A perseverança na vida de fé também requer o estudo para saber cada vez mais sobre as verdades da fé e a direção espiritual para assegurar que as metas que nos propomos sejam adequadas).

O Patriotismo

Descrição operativa (como funciona)
Quem tem essa virtude reconhece o que a pátria lhe deu e lhe dá. Tributa-lhe a honra e serviços devidos, reforçando e defendendo o conjunto de valores que representa, tendo, por sua vez, seus os afãs nobres de todos os países.
A EDUCAÇÃO DO PATRIOTISMO
1. Tento conseguir que os pequenos conheçam seu lugar de nascimento, onde vivem, seu município, seu estado, sua região, seu país.(O patriotismo costuma começar com a "pequena" pátria porque, a partir destas experiências da infância, vão se acumulando toda uma série de recordações vitais que unem às pessoas).
2. Me preocupo de que os filhos/alunos vão conhecendo a história local, seus heróis e seus personagens.(É necessário este tipo de informação para poder identificar-se com a localidade. As pessoas e suas façanhas fazem algo vivo do puramente material).
3. Ensino aos filhos/alunos os costumes locais, suas festas, seus esportes, seus bailes. (São maneiras de viver os valores locais de uma maneira concreta).
4. Tento conseguir que os adolescentes se sintam parte de um trajeto histórico.(Saber de onde se vem dá segurança à pessoa, e lhe ajuda a enfrentar-se com o desconhecido no futuro).
5. Ensino aos jovens quais são os valores típicos da localidade onde vivem e de seu país, com o fim de vivê-los e apoiá-los.(Estes valores podem ser a honra, a lealdade, a alegria, a compaixão ou a seriedade no trabalho, por exemplo).
6. Ensino aos jovens a compartilhar estes valores com os demais com um orgulho sadio.(Se se consegue compartilhar estes valores, todos vão se beneficiar. Não se trata de discriminar nem desprezar baseado nas diferenças, mas de buscar a autêntica complementariedade).
7. Animo aos jovens a explicar as características de sua própria região e de seu próprio país a visitantes, com o fim de que possam compartilhar suas riquezas.(O patriotismo transcende os próprios interesses e deve buscar o enriquecimento de todos).
8. Animo os jovens a participar em atos simbólicos que defendem os valores da "pequena" pátria ou da pátria.(Podem ser festas, atos esportivos, concursos de dança, de canto, etc.).
9. Tento proporcionar os meios para que os jovens possam conhecer as realidades de outros países, suas riquezas e suas limitações.(Para que o patriotismo passe a ser um preocupação por toda a humanidade, um certo conhecimento de outros países é imprescindível. Se é possível visitar outros países e conviver com os habitantes, será o mais adequado, mas também vale a pena mostrar documentários, ler livros, ou escutar pessoas que vivem ou que viveram em outros lugares do mundo).
10. Ajudo aos jovens a refletir sobre o que a pátria lhes deu, e, portanto, o que eles devem à pátria. (No mundo tão liberal em que vivemos, é frequente que muitas pessoas pretendam cuidar de si próprias sem pensar nos demais. Falta-lhes a solidariedade e o patriotismo).
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O PATRIOTISMO
11. Entendo que, "depois de Deus, são também princípios de nosso ser e governo, os pais, já que eles nos criaram, e a pátria, posto que nela nos criamos".(Estas palavras de Sto. Tomás podem nos chamar a atenção sobre a importância do patriotismo, já que não é uma virtude em moda).
12. Evito pensamentos e ações que poderiam conduzir a uma visão muito cosmopolita ou aos reducionismos de um nacionalismo exagerado.(No patriotismo buscamos o justo meio, como em todas as virtudes. Cada pessoa tem sua pátria mas o bem de sua pátria não deve rivalizar com o bem dos demais).
13. Reconheço os valores relacionados com o bem comum em que se baseia o patriotismo e que o justificam.(As vezes se nota um "ambiente" de patriotismo unicamente em tempos de guerra ou quando um país se sente atacado por algum motivo. Entretanto, o patriotismo deve basear-se no bem das pessoas que compõem a sociedade).
14. Reconheço que um dos valores que necessita um país é uma situação econômica estável, e pessoalmente me esforço para trabalhar responsavelmente em favor dos demais.(O patriotismo requer a responsabilidade pessoal de cada cidadão buscando o bem dos demais. Na atualidade existe a tendência a fazer uma separação na vida. "Trabalho para mim e depois dou algo aos necessitados". Isso quebra a unidade de vida).
15. Tento viver a justiça social reconhecendo que é parte do autêntico patriotismo.(Significa ações tão concretas como cumprir com as leis comuns, pagar os impostos ou utilizar o direito a votar).
16. Assumo meu papel dentro da sociedade buscando o bem dos demais.(Se trata de participar nas associações de pais, nas associações de vizinhos, no governo local, etc.).
17. Reconheço que a paz é um bem requerido pelo patriotismo - a paz entre os membros da sociedade, a paz em cada organização social, e a paz em cada família.(Esta paz existirá quando cada pessoa estiver em paz consigo própria por saber que o que está fazendo, está tentando fazê-lo bem. Requer a caridade, o respeito aos demais e a tolerância).
18. Tento cuidar dos bens materiais comuns sabendo que pertencem a todos.(Daí surge o cuidado pela terra, pela natureza, pelas instituições e costumes, por exemplo).
19. Reconheço que convém realizar ações que simbolizam a unidade nacional, sabendo que é uma maneira de unir às pessoas de uma pátria.(Por exemplo, comemorar as festas nacionais, apoiar a uma equipe de esporte nacional, conhecer as diferentes regiões do país e sua história, respeitar os desfiles militares, apoiar as reuniões nacionais de profissionais).
20. Entendo que o patriotismo deve ser fundamento da compreensão universal. "Ser 'católico' é amar à Pátria, sem ceder a ninguém melhora nesse amor. E, ao mesmo tempo, ter por meus os afãs nobres de todos os países".
(Esta reflexão do livro "Caminho" conclui: "Quantas glórias da França são glórias minhas! E, o mesmo, muitos motivos de orgulho de alemães, de italianos, de ingleses..., de americanos e asiáticos e africanos são também meu orgulho - Católico!: coração grande, espírito aberto").
Como proceder à auto-avaliação
No texto encontram-se uma série de afirmações para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.
Com respeito a cada afirmação, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:
5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.
Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.
As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

Extraído do livro "Auto-avaliação das virtudes humanas", de David Isaacs.

A paciência

Descrição operativa (como funciona)
A virtude principal da fortaleza está composta de duas partes -acometer e resistir-. Para resistir, há uma série de virtudes inerentes que se relacionam entre si. Concretamente, a paciência, a generosidade, a perseverança e a constância. Nesta ocasião, nos interessam as duas primeiras. Estritamente, a paciência se vive tão somente quando se suporta um mal para repelir outro mal maior, enquanto a generosidade ajuda a suportar os aborrecimentos, quando tarda em chegar algum bem. Entretanto, combinamos as duas virtudes na descrição operativa inicial, dado que costumamos nos referir a ambas como paciência na vida cotidiana. Uma vez conhecida ou pressentida uma dificuldade a superar, ou algum bem desejado que demora em chegar, suporta os aborrecimentos presentes com serenidade.
A EDUCAÇÃO DA PACIÊNCIA
1. Habitualmente dou exemplo de serenidade e de paz interior. (O contágio educativo ou anti-educativo é muito grande. E o fato de mostrar a paciência própria seguramente influi de uma maneira muito especial nas crianças).
2. Exijo aos pequenos para que aprendam a superar um capricho, a esperar a chegada de algo grato. (Com os pequenos, os problemas principais com respeito a vivência da paciência estão em sua falta de vontade, em deixar-se levar por suas tendências básicas. Não compreenderão a conveniência de ser pacientes, mas convém que aprendam a esperar um pouco antes de receber algo que querem, ou a não ter satisfeito cada capricho imediatamente).
3. Ajudo aos filhos/alunos a compreender as necessidades das pessoas que são mais próximas, com o fim de que notem a conveniência de ser pacientes.(É mais fácil que as crianças captem as necessidades de seus avós, de um irmão pequeno ou de um amigo especial que as necessidades dos demais em geral).
4. Apoio aos filhos/alunos pré-adolescentes em todo o possível quando a situação requer uma paciência que seguramente ainda não adquiriram. (Exemplos deste tipo de situação são: uma doença, quando não superam os exames em seus estudos, quando perdem alguma posição especialmente apreciada).
5. Tento conseguir que os pequenos se interessem por atividades gratas que requerem algum grau de paciência.(Por exemplo: aprender a tocar um instrumento musical, usar um computador, aeromodelismo, coleções, etc.).
6. Tento conseguir que os filhos/alunos adolescentes se acostumem a estar com serenidade e sem barulho.(Saídas ao campo, à montanha ou ao mar podem ser especialmente benéficos neste sentido).
7. Oriento os jovens, de acordo com sua idade e com sua capacidade de compreensão, com o fim de irem captando progressivamente o sentido da paciência em cada situação. (Ao dar a informação, convém não abusar de raciocínios, mas informar da maneira mais concreta e clara possível. É necessário dar tempo para que o jovem reflita sobre a informação que lhe demos).
8. Tento introduzir aos jovens em atividades que requerem paciência, mas que também são gratas. (São atividades que requerem um certo tempo para seu desenvolvimento, em que há que suportar algumas dificuldades ao realizá-las, e em que é necessário dominar algumas paixões).
9. Tento conseguir que os jovens tenham paixões fortes mas dominadas pela vontade, e que não caiam na indiferença.(Existe tal quantidade de situações negativas exageradas na sociedade moderna que é fácil chegar à indiferença para não sofrer).
10. Ajudo aos jovens a aprofundar nos motivos para ser pacientes. (Sobretudo será com o fim de permitir a melhora própria e alheia e para aceitar a vontade de Deus).
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A PACIÊNCIA
11. Faço esforços para dominar minhas inquietudes presentes com o fim de esperar a chegada dos momentos bons. (A vida nos apresenta uma infinidade de acontecimentos que são difíceis de assimilar. Por exemplo, um filho que tarda em aprovar seus exames, outro que não aprende a ordenar seu quarto, ou outro que não aprende a pensar nos demais. Mas os pais necessitamos esperar o momento em que ele consiga aprovação, em que ordene seu quarto regularmente ou em que deixe de ser tão egoísta).
12. Sei agüentar e sofrer as conseqüências de uma decisão buscando o melhor para um filho/aluno.(Não é fácil agüentar a cara feia, ou inclusive um comportamento hostil de um jovem, como conseqüência de haver-lhe proibido algo que queria, mas que em nossa opinião, poderia haver gerado um perigo físico ou moral inadequado).
13. Fujo da indiferença ou da passividade frente às coisas negativas da vida. (As vezes se confunde a indiferença com a paciência. A pessoa indiferente não reage, não sabe o que está certo nem o que está errado ou, pelo menos, não lhe interessa viver de acordo com seu conhecimento).
14. Distingo entre aquelas coisas que realmente compensa esperar e as que não merecem o esforço correspondente.(A paciência tem seus limites, como todas as virtudes. Não nos esqueçamos de que se trata do justo meio. Em algumas questões pode ser mais adequado tentar mudar a situação ou evitá-la, mais que esperar pacientemente sua modificação).
15. Distingo entre aquelas coisas que realmente se podem esperar e aquelas outras em que não é razoável fazê-lo. (Falsificar a realidade da vida e traduzi-la em um exercício de "paciência" não é bom. A paciência não é ingenuidade nem se baseia na teimosia em torno de posturas irreais).
16. Habitualmente considero os acontecimentos com serenidade, evitando o ativismo, com o fim de refletir sobre o que é importante em cada momento. (O ativismo não permite ser paciente, pois queremos os resultados para amanhã, e se não, para depois de amanhã).
17. Entendo que, para esperar a chegada das coisas boas e para superar as dificuldades implícitas em agüentar um mal para evitar outro superior, não há outro remédio a não ser sofrer. Aceito este sofrimento com serenidade. (O sofrimento é parte da realidade. Se trata de aprender a assumi-lo com um sorriso o rosto sabendo que vale a pena esperar, ou que vale a pena agüentar um mal para evitar outro maior).
18. Reconheço que o ativismo ou um excesso de ruído são duas maneiras para evadir a responsabilidade de esperar ou agüentar.(A paciência requer ter claro quais são os nossos valores ou metas na vida. Se não, por que esperar? Mas, com certa frequência, se pretende evitar o esforço que supõe ser paciente aumentando a atividade ou criando ruído).
19. Faço o possível para compreender aos demais, com a finalidade de poder ajudar-lhes da melhor maneira possível. (Existe uma tendência a ser menos paciente com algumas pessoas com determinadas características que nos incomodam, ou com os filhos/alunos em determinados momentos da vida. Por exemplo, na passagem para a adolescência quando é especialmente difícil entendê-los).
20. Entendo que é necessário compreender e aceitar aos demais sempre, mesmo que não se vejam resultados positivos neles, em seu processo de melhora. (Um dos problemas principais com respeito à paciência é que as pessoas tardamos muito em mudar em temas muito importantes. Por exemplo, na aquisição de uma série de virtudes humanas).
Como proceder à auto-avaliação
No texto encontram-se uma série de afirmações para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.
Com respeito a cada afirmação, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:
5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.
Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.
As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

o otimismo

Descrição operativa (como funciona)
"Confia razoavelmente em suas próprias possibilidades, e na ajuda que lhe podem prestar os demais, e confia nas possibilidades dos demais, de tal modo que, em qualquer situação, distingue, em primeiro lugar, o que é positivo em si e as possibilidades de melhora que existem e, a seguir, as dificuldades que se opõem a essa melhora, e os obstáculos, aproveitando o que se pode e enfrentando os demais com esportividade e alegria".
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER O OTIMISMO
1. Confio razoavelmente em minhas próprias capacidades, qualidades e possibilidades de tal maneira que aproveito muitas delas. (O otimismo se baseia na confiança. A pessoa desconfiada, em qualquer sentido da palavra, tende a não aproveitar suas possibilidades. Não vê mais que as limitações).
2. Confio razoavelmente nos demais. Habitualmente descubro o que há neles de positivo. (É possível ser otimista com respeito a si próprio mas não com respeito aos demais. Sempre se pode descobrir algo positivo nas pessoas com as quais nos relacionamos).
3. Confio em Deus de tal maneira que, mesmo que não entenda o sentido de algum acontecimento a nível humano, habitualmente compreendo que tudo é para o bem. (Surgem na vida da maioria das pessoas situações em que não seria razoável continuar sendo otimista a nível humano. Por exemplo, ao morrer uma criança, uma doença grave, uma desgraça econômica. Unicamente a fé sobrenatural permite descobrir algo bom nelas).
4. Em situações difíceis, faço um esforço para buscar soluções positivas, tentando superar a tendência de queixar-me.(É fácil ser otimista em situações positivas. Em troca, quando as coisas vão mal é possível que passemos queixar-nos e lamentar-nos ou a acusar a outros de serem os responsáveis pela situação).
5. Em qualquer situação busco o positivo em primeiro lugar. (Não se trata de falsificar a realidade, mas sim de saber buscar o positivo em primeiro lugar. É um hábito que se pode desenvolver).
6. Sou realista e habitualmente sei enfrentar-me com as dificuldades esportivamente. (Mesmo que tentemos descobrir o positivo, objetivamente pode haver muitos problemas. O otimismo leva à pessoa a enfrentar-se com eles esportivamente).
7. Distingo entre o que é aproveitável e o que não o é, e assim chego a otimizar o primeiro. (O falso otimismo ou um excesso de otimismo levaria à pessoa a tentar aproveitar o que não se pode, a simular, a enganar-se ou a enganar aos demais).
8. Em geral, consigo enfrentar-me com a vida com um positivo sentido do humor. (O bom humor permite assumir a responsabilidade da própria vida sem sentir-se abatido ou desgraçado).
9. Entendo que se trata de ser otimista com o fim de aproveitar todos os talentos que Deus me deu, com o fim de contagiar a alegria de viver aos demais e com o fim de viver como um autêntico filho de Deus. (É possível que se tente ser otimista simplesmente para não sofrer, para sentir-se mais à vontade ou por comodidade).
10. Me encontro habitualmente com paz interior, que ajuda a superar o desalento. (Esta paz interior não é algo que se possa desenvolver como virtude. É, na verdade, um indicador para saber se está vivendo habitualmente a virtude do otimismo).

A EDUCAÇÃO DO OTIMISMO
11. Crio as situações adequadas para que os meninos/as possam viver suas vidas com alegria. (Se existe um ambiente de alegria é mais provável que os jovens descubram o positivo ao seu redor).
12. Centro minha atenção nos aspectos e condutas positivos dos filhos/alunos de tal maneira que ganham confiança em suas possibilidades. (É relativamente freqüente encontrar educadores que insistem constantemente no "melhorável" dos educandos, no que fazem mal. Esta atitude não motiva, não ajuda aos jovens a ser otimistas).
13. Ajudo aos jovens a conhecer-se, a ser realistas com respeito a suas próprias qualidades e capacidades, com o fim de aproveitá-las ao máximo. (Os meninos/as necessitam de ajuda para autoconhecer-se. Podem infravalorizar-se ou supervalorizar-se. Trata-se de ser realista).
14. Aproveito ou crio situações para que os meninos/as possam começar a andar sozinhos sem ajudar-lhes desnecessariamente. (Uma ajuda desnecessária é uma limitação para a pessoa que a recebe. Se os educadores ajudam muito, o otimismo dos jovens pode ser falso, já que depende exclusivamente da ajuda que recebem dos demais).
15. Mostro minha confiança e meu amor aos filhos/alunos de tal maneira que tenham a segurança necessária para assumir a responsabilidade de suas próprias vidas. (Não basta querer ou confiar. É necessário manifestá-lo. Unicamente assim muitos meninos/as se lançarão a realizar ações boas, aproveitando seus talentos ao máximo).
16. Quando acontecem coisas que são objetivamente negativas, por exemplo uma doença, a falta de lealdade de um amigo, uma reprovação em um exame, ajudo ao filho/aluno a adotar uma atitude positiva com o fim de tirar algo positivo dessas situações. (Não é necessário criar situações deste tipo. Logo surgirão. Entretanto, se algum jovem não parece fracassar nunca, ou não ter dificuldades especiais nunca, pode ser bom criar uma situação problemática com o fim de que aprenda a superar dificuldades e a fracassar. Certamente vai encontrar dificuldades em algum momento de sua vida e melhor será que aprenda a superá-las quando ainda é jovem).
17. Falo com os jovens com o fim de que descubram o que significa confiar em Deus. (Normalmente não se trata de grandes conversações, mas de preferência de pequenas chamadas de atenção, informações breves que ajudam a pensar).18. Tento criar situações para que aqueles meninos/as que costumam fracassar tenham a oportunidade de ter êxito. (Assim pode crescer a confiança em si próprios. Se acostumam-se a fracassar em quase tudo, jamais serão otimistas, nem aproveitarão as capacidades e qualidades que possuem).
19. Promovo ações ou situações em que os meninos/as são autenticamente importantes. (Não se trata de que os jovens "se sintam" importantes, mas que sejam importantes. Enquanto se responsabilizem por tarefas de serviço aos demais, de cumprir com encargos relevantes etc. encontrarão a satisfação do trabalho bem feito e, com isso, crescerá seu otimismo).
20. Ensino aos meninos/as a pedir a ajuda necessária para realizar seus projetos.(Os jovens necessitam saber quando convém pedir ajuda a seus pais, a seus professores ou a seus companheiros. Também têm que acostumar-se a pedir ajuda a Deus sabendo que assim tudo será para seu bem).
Como proceder à auto-avaliação
No texto encontram-se uma série de questões para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.
Com respeito a cada questão, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:
5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.
Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.
As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

Extraído do livro "Auto-avaliação das virtudes humanas", de David Isaacs.

Ordem

Descrição operativa (como funciona)
Quem tem essa virtude se comporta de acordo com algumas normas lógicas, necessárias para o êxito de algum objetivo desejado e previsto, na organização das coisas, na distribuição do tempo e na realização das atividades, com iniciativa própria e sem que seja necessário recordá-lo.
A EDUCAÇÃO DA ORDEM
1. Conheço as diferentes aptidões de meus filhos/alunos com respeito à ordem.(Cada menino/a tem uma tendência diferente com respeito à ordem, e se trata não apenas de conhecer suas limitações, mas também suas tendências naturais para determinados tipos de ordem. Por exemplo, na organização de seus bens).
2. Tento dar um bom exemplo, lutando para superar-me em aspectos de ordem ou compensando uma tendência a buscar uma ordem excessiva que prejudica a convivência.(É o exemplo de luta de superação o que mais influi sobre os meninos/as. O exemplo 'perfeito' pode ser resultado de um excesso e pode promover faltas de compreensão para com a situação real dos jovens).
3. Ensino a meus filhos/alunos a distribuir suas atividades no tempo, de tal maneira que cada coisa receba a atenção adequada.(Em todos os aspectos da ordem existem duas ações especiais por parte dos educadores: a exigência no fazer - especialmente para as crianças pequenas - e a exigência no pensar para os maiores).
4. Exijo aos pequenos para que desenvolvam uma série de hábitos de ordem com relação às coisas.(É conveniente desenvolver hábitos rotineiros com relação às coisas. Em troca há que evitar a rotina com relação às pessoas).
5. Ajudo aos filhos/alunos a dar-se conta de que determinadas atividades requerem um tempo específico para sua realização.(Por exemplo, não convém começar a ordenar um armário dez minutos antes de comer ou começar um trabalho cinco minutos antes de sair do colégio).
6. Ensino aos meninos/as a recordar e a realizar determinados atos em momentos concretos.(Muitas vezes isto requer o uso de uma agenda. Os educadores têm a tendência de substituir aos meninos/as nestes temas, recordando-lhes horários com o dentista, aniversário de familiares ou datas em que têm que entregar trabalhos. É conveniente que os meninos/as vão responsabilizando-se por seus próprios deveres).
7. Com os filhos/alunos pequenos, organizo 'seqüências de atos' com o fim de facilitar-lhes o cumprimento de ações que se repetem com freqüência.
(Todos os dias os filhos/alunos terão que repetir as mesmas ações ao levantar-se, ao chegar ao colégio, ao comer, ao entrar em classe ou ao deitar-se. Convém determinar quais são os conjuntos de ações necessárias em cada momento, com o fim de exigi-Ias como 'seqüências').
8. Estabeleço os lugares onde devem guardar-se os diferentes objetos de uso comum e exijo aos filhos/alunos que guardem as coisas no momento oportuno.
(Os critérios que se usam para estabelecer o lugar adequado serão: para que não se estraguem e para que seja fácil encontrá-los).
9. Convido a meus filhos/alunos a participar em atividades próprias que requerem ordem, com o fim de que vão descobrindo o sentido da ordem correspondente.
(Por exemplo, que vejam como seus pais fazem a mala para viagem ou a bolsa para ir ao clube, ou como o professor ordena os livros na estante).
10. Ensino aos filhos/alunos a utilizar seus instrumentos de trabalho e outros bens segundo sua função, com o fim de aproveitá-los ao máximo.
(Tampouco se trata de ser rígido, já que determinados objetos podem ser utilizados sem perigo para os meninos/as, e sem que seja previsível algum dano para o objeto, ainda que não seja a função prevista para o mesmo. Por exemplo, se poderia autorizar o uso de livros para fazer caminhos no chão do quarto ou uma mesa para fazer uma cabana com uma toalha encima).
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A ORDEM
11. Tenho clara uma hierarquia de valores para a própria vida e para a educação de cada filho/aluno.
(Esta hierarquia se refere a, por exemplo, que a pessoa casada deve preocupar-se em primeiro lugar por seu cônjuge, a seguir por seus filhos e depois pelos demais. Significa dar a importância apropriada ao trabalho profissional, à família, aos amigos e às próprias aflições).
12. Atuo habitualmente de acordo com algumas normas lógicas, de tal maneira que se nota a congruência entre minha maneira de pensar e minha maneira de fazer.
(Uma atuação imprevisível que obedece ao estímulo do momento, ou a puras reações frente ao que acontece sem pensar nem decidir, produz perplexidade nos demais e não beneficia a ninguém).
13. Penso no sentido da ordem que estou estabelecendo em cada momento. Sei o que almejo com isso.
(Trata-se de poder justificar o que se faz, de ser consciente dos objetivos que se perseguem).
14 - Procuro ser ordenado com o fim de assegurar a convivência adequada entre os membros do grupo e com o fim de que minhas ações sejam eficazes.
(Um excesso de ordem leva à pessoa a ser ordenada sem pensar em sua necessidade. Produz maníacos da ordem, pessoas que preferem a ordem à alegria na família, por exemplo).
15. Habitualmente sei onde encontrar meus objetos pessoais, guardo-os em lugares adequados, e os devolvo a seu lugar depois de usá-los.
(Este tipo de atuação é necessário para a eficácia pessoal e também para que os demais possam fazer uso da propriedade comum).
16. Distribuo meu tempo adequadamente, de tal maneira que o mais importante recebe a atenção adequada.
(É muito fácil desperdiçar o tempo, dedicando muito a ver a TV, por exemplo, e não o suficiente a comunicar-se com o cônjuge ou a atender aos amigos).
17. Habitualmente cumpro meus deveres com pontualidade, por exemplo ao participar de uma reunião, para conversar com uma pessoa, ao chegar em casa, ao entregar um trabalho ou a atender a um chamado.
(A pontualidade tem uma dinâmica curiosa visto que muitas pessoas "se justificam" com grande facilidade por suas faltas. Entendem que a impontualidade é parte da vida, que simplesmente há que aceitá-la. Entretanto, a pontualidade é necessária para a eficácia e para o respeito pelos demais. Isto é, a impontualidade não apenas é uma falta contra a eficácia mas, em algumas ocasiões, também contra a justiça).
18. Utilizo os diferentes bens materiais - computadores, vídeos, eletrodomésticos, aparelhos diversos - segundo critérios objetivos de bom uso.
(A ordem requer "ler as instruções" e assim evitar o perigo ou que se estrague o aparelho. Requer aprender a aproveitar suas possibilidades).
19. Aproveito diferentes procedimentos para não me esquecer de ser ordenado em suas diferentes manifestações.
(Algumas pessoas têm boa memória e se recordam de devolver as coisas a seu lugar, cumprimentam pelo aniversário de outro, entregam um trabalho no momento previsto ou usam um aparelho conforme as instruções. Em troca, outros necessitam fazer um esforço para usar uma agenda, fazer listas de ações que têm que realizar, fazer um esforço consciente de memorizar determinadas coisas etc.).
20. Reflito sobre minha atuação habitual, com o fim de autoconhecer-me nas diferentes facetas da ordem.
(Freqüentemente existem âmbitos em que a pessoa é ordenada e, em troca, em outros não. Por exemplo, um professor pode ser muito ordenado em sua maneira de pensar, mas ter sua roupa totalmente desordenada).
Como proceder à auto-avaliação
No texto encontram-se uma série de afirmações para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.
Com respeito a cada afirmação, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:
5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.
Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.
As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

Extraído do livro "Auto-avaliação das virtudes humanas", de David Isaacs.

A obediência

Descrição operativa (como funciona)
Quem tem essa virtude aceita, assumindo como decisões próprias, as de quem tem e exerce a autoridade, contanto que não se oponham à justiça, e realiza com prontidão o decidido, atuando com empenho para interpretar fielmente a vontade de quem manda.
A EDUCAÇÃO DA OBEDIÊNCIA
1. Consigo que as crianças obedeçam como conseqüência de haver-lhes mandado bem.
(Quando são pequenos se trata de exigir-lhes no fazer, mandando uma coisa de cada vez. Quando vão crescendo, haverá que dar explicações).
2. Ensino às crianças a reconhecer as diferentes autoridades que devem obedecer.
(As autoridades são variadas. Por exemplo: os pais, os professores, os guardas de trânsito, um irmão mais velho na ausência dos pais, etc.).
3. Tento dar uma informação muito clara aos pequenos com o fim de que saibam exatamente o que têm que fazer.
(Entre as muitas coisas que "explicam" a desobediência, está o fato de as crianças realmente não saberem o que esperamos delas. Se trata de dar esta informação concreta e clara, e mandar uma coisa de cada vez).
4. Com os filhos/alunos a partir dos dez anos, tento explicar alguns dos motivos que existem para cumprir com o mandato.
(Se trata de evitar um cumprimento rotineiro sem pensar nos desejos reais da autoridade).
5. Raciocino com os adolescentes para que não tentem buscar desculpas ou passar a responsabilidade de cumprir a outra pessoa.
(É bom reconhecer que muitas coisas que mandamos aos adolescentes não são agradáveis e que lhes custa um esforço importante cumprir. Ordenar o dormitório pode parecer muito importante para a mãe de família e, em troca, não tem nenhuma importância para algum filho).
6. Explico aos adolescentes a falta de justiça que supõe dizer que vamos cumprir e, a seguir, não cumprir.
(Esta atuação é especialmente prejudicial, já que dois erros: o não cumprir, mas, também, falsificar a situação de tal maneira que não é possível buscar outra solução).
7. Explico aos jovens o que significa a responsabilidade pessoal, de tal maneira que se não vai cumprir, sabe que deve indicá-lo à autoridade competente.
(Sobretudo se trata de evitar que vão se formando grupos de pressão para defenderem-se mutuamente).
8. Ajudo aos jovens a reconhecer às pessoas que, de fato, estão obedecendo.
(Mesmo que digam que a obediência vai contra sua liberdade, estarão obedecendo ao treinador ou à turma, ou ao líder de uma manifestação popular).
9. Tento não insistir em condutas secundárias, com o fim de poder colocar maior empenho nos temas de especial relevância para a idade correspondente.
(Seguramente se tratará de buscar obediência naquelas coisas que podem produzir um excesso de perigo físico ou moral em primeiro lugar).
10. Se tenho que utilizar castigos em algum momento, tento conseguir que sejam o mais educativos possível.
(Neste sentido o castigo físico costuma ser interpretado como vingança por parte dos filhos, e o mesmo ocorre com castigos do tipo: "duas semanas sem sair de casa", ou "uma semana sem tevê"; ou 'lhe cortaremos a mesada semanal': Ou seja, se trata de raciocinar, explicar ou insistir com firmeza. Haveria que evitar a violência física ou verbal).
A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A OBEDIÊNCIA
11. Entendo que é necessário contar com autoridades e portanto é necessário obedecer durante toda a vida.
(Isto ficará claro se reconhecemos que se trata de obedecer em todas aquelas coisas em que não somos autoridades nós mesmos. Também, se reconhecemos que uma autoridade é uma pessoa que defende e protege competentemente valores que outros compartilham).
12. Aceito as decisões que tomam as autoridades que influem sobre mim contanto que não vão contra a justiça.
(A obediência é relacional. Se reconheço que existe uma pessoa que tem uma função especial de cuidar de algum valor que eu aceito, o melhor que posso fazer é obedecer - no trabalho, em uma associação, em uma paróquia ).
13. Tento interpretar a vontade de quem manda.
(A obediência real não é simplesmente cumprir ao pé da letra a lei ou o mandato. Também significa captar o sentido do que foi mandado com o fim de realizar a ação com a máxima qualidade).
14. Quando recebo uma ordem tento cumprir com a máxima prontidão sem buscar desculpas para adiar o assunto.
(É fácil inventar motivos para não cumprir com aqueles mandatos que custam um especial esforço, ou que são desagradáveis. Se trata de tentar detectar aqueles momentos em que tendemos a auto-enganar-nos).
15. Tento cumprir com o que as autoridades me mandam assumindo o mandato positivamente em meu interior.
(É uma obediência muito pobre aquela onde se cumpre exteriormente mas com uma rebeldia interior).
16. Tento obedecer a todas aquelas pessoas que têm autoridade real sobre mim.
(É fácil terminar obedecendo apenas àquelas pessoas com quem nos simpatizamos, que nos são simpáticas).
17. Reconheço que as pessoas que têm autoridade em função de valores materiais, a perdem quando deixam de ser competentes.
(Seria insensato obedecer a um motorista que se mostra mau condutor ou a uma pessoa que não frequenta a montanha quanto às medidas de segurança ao se fazer uma escalada).
18. Reflito sobre os valores imateriais que quero viver, e a seguir, busco autoridades para ajudar-me no caminho.
(Sempre necessitaremos recorrer a alguma pessoa competente, com o fim de melhorar em nossa vida de fé, em questões de apreciação cultural ou em como viver nossas relações com os demais adequadamente).
19. Me dou conta de que em uma sociedade permissiva quase o único valor é o bem estar material e, portanto, outros valores tendem a ser ridicularizados.
(Certamente esta é uma das causas mais relevantes da pouca atenção e aceitação que recebe a obediência na atualidade).
20. Entendo que obedecer à autoridade legítima é tanto como obedecer a Deus, contanto que não se oponha à justiça e à verdade.
(O fato de obedecer às autoridades depende em grande medida de que saibamos localizar às autênticas autoridades).
Como proceder à auto-avaliação
No texto encontram-se uma série de afirmações para reflexão, divididas em duas partes:1) o grau em que se está vivendo a virtude pessoalmente .2) o grau em que se está educando aos alunos ou aos filhos na mesma virtude.
Com respeito a cada afirmação, situe a conduta e o esforço próprio de acordo com a escala:
5. Estou totalmente de acordo com a afirmação. Reflete minha situação pessoal.4. A afirmação reflete minha situação em grande parte mas com alguma reserva.3. A afirmação reflete minha situação em parte: Penso "em parte sim e em parte não".2. A afirmação realmente não reflete minha situação ainda que seja possível que haja algo.1. Não creio que a afirmação reflete minha situação pessoal em nada. Não me identifico com ela.
Podem-se comentar as reflexões próprias com o cônjuge ou com algum companheiro e assim chegar a estabelecer possíveis aspectos prioritários de atenção no desenvolvimento da virtude a título pessoal ou com respeito à educação dos filhos ou dos alunos. É provável que se descubram muitas possibilidades de melhoria, mas trata-se de selecionar nada mais que uma ou duas, com a finalidade de tentar conseguir a melhora desejada.
As reflexões apresentadas não esgotam o tema, mas dão um ponto de partida para uma auto-avaliação.

Extraído do livro "Auto-avaliação das virtudes humanas", de David Isaacs.